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 Despenalização do aborto

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IzNoGuud
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Ter 16 Jan - 20:38:40

Em primeiro lugar gostava de pedir a todos um pouco de calma Smile
SE eu exagerei nas minhas respostas e fui incorrecto quero desde já pedir desculpas aos visados. Mas de facto tal como na maioria das vezes os amigos estavam a brincar comigo (e quando achei que não estavam relatei o caso), também vou brincando com os mesmos e acho que estes não se importam.

Em segundo lugar.
Cara amiga Ana Rita, agradeço-lhe o facto de me ter comparado com o David Garcia do agora Democracia Real Smile De facto quando ele leu as suas palavras deve ter tido um ataque qualquer (desde já as melhoras David pelo teu recente padecimento), visto actualmente não partilharmos muitas opiniões. Mas até eu acho que a amiga conseguia melhor.
Por isso peço-lhe... não meta terceiros ao barulho... inove... mande-me pastar que eu não me importo Wink

Em terceiro lugar.
Caro JTMB, tem TODA a razão... como é que eu fui cometer uma barbárie daquelas? Muito obrigado por ma ter mostrado. Olhe sempre era mais uma para o Tópico "Bom Português" lá do Política-Monárquica não?
Em todo o caso, agradeço-lhe e até lhe peço para me ir corrigindo que sempre me ajuda a melhorar o meu péssimo Português (de facto ele é péssimo eu reconheço).

E finalmente o seu post Smile

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
1 – QUAL A QUESTÃO QUANDO SE FALA DE DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO?

Desde 1984, é legal em Portugal abortar:
- Quando a saúde ou a vida mãe estão em risco;
- Por malformação do feto;
- Por violação.


O referendo de 2007 propõe que a mulher possa abortar até às dez semanas, sem ter de dar qualquer razão, nos hospitais públicos ou em clínicas privadas.
O Ministro da Saúde avançou até a hipótese de o Estado comparticipar o aborto feito por privados - quando não fez o mesmo para tratar cataratas, hérnias, ou outro problema que afecte a saúde de milhares de portugueses, segundo o Bastonário da Ordem dos Médicos.
Vários partidos propõem também alargar os prazos legais.

Caro JTMB, não temos culpa que o Ministro da Saúde não perceba do que está a falar.
O amigo sabia que para se abortar até às 9 semanas BASTA uma pílula e que o mesmo é feito em casa?

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
2 - O BEBÉ TEM ALGUMA PROTECÇÃO LEGAL?

Ainda vivemos numa sociedade que considera que todos, e especialmente os mais fracos e desprotegidos, merecem protecção legal.
Mesmo na lei de 1984 este era o princípio base, no qual se abriam algumas excepções, em casos-limite.

Se a despenalização passar, é o princípio-base que muda.
Portugal passará a admitir, em 2007, que há seres humanos com direito de vida ou de morte sobre outros seres humanos.
Isto é, que o mais forte (a mulher) poderá impor a sua vontade ao mais fraco (o bebé), sem que este tenha quem o defenda.

O amigo parte do pressuposto errado, quanto a mim, que um feto/embrião É um Ser Humano TOTALMENTE FORMADO o que de facto NÃO é. Não estou a dizer que o crescimento acaba com o Nascimento, mas que um bebé JÁ É um Ser Humano TOTALMENTE FORMADO, somente precisa de "maturar" se se pode usar esta afirmação.

As respostas do amigo Pedro Reis têm sido bastante explícitas quanto a este ponto caro amigo.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
3 - DIZEM (principalmente o IzNo) QUE O FETO AINDA NÃO É PESSOA E POR ISSO NÃO TEM DIREITOS...

Dentro da mãe não está um animal ou uma planta - está um ser humano em crescimento.

Incorrecto, está aquilo a que eu chamo de PROTO Ser Humano, o Pedro Reis chama-lhe outra coisa. Mas NÃO pode ser visto como um Ser Humano de facto, pelo menos ainda não.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Um bebé é uma pessoa…
...É por serem mais frágeis que os bebés, dentro ou fora do seio materno, os doentes e idosos, precisam mais da protecção legal dada por toda a sociedade.

Há excepção de um pequeno parágrafo, o amigo nesta sua secção de texto (a qual não citei toda) está-me a falar de uma situação PÓS PARTO.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
4 - E OS PROBLEMAS DA MULHER?

A suposta solução dos problemas dum ser humano não pode passar pela morte doutro ser humano. Esse é o erro que está na base de todas as guerras e de toda a violência. A mulher em dificuldade precisa de ajuda positiva para a sua situação. A morte do seu filho será um trauma físico e psicológico que em nada resolve os seus problemas de pobreza, desemprego, falta de informação, etc..

Caro amigo, também acho que se devem apoiar as mulheres. Mas que estas deverão ter a opção de escolher, preferêncialmente com o apoio dos seus parceiros.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
A proibição protege a mulher, que muitas vezes é fortemente pressionada a abortar contra vontade pelo pai da criança, por familiares – ou até pela sua entidade patronal! -, a quem pode responder que recusa fazer algo proibido por lei (nos estudos que existem referentes aos países onde o aborto é legal, mais de metade das mulheres que abortaram disseram que o fizeram obrigadas).

lol acha mesmo que a proibição protege a mulher? Eu acho que não. Pois SE esta é assim tão pressionada como quer dar a entender então vai abortar mas clandestinamente e arriscar-se a morrer estupidamente devido às mentalidades tacanhas desta Sociedade ainda tão retrógada que temos.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
5 - MAS A MULHER NÃO TEM O DIREITO DE USAR O SEU CORPO?

A mulher não tem o direito de dispor do corpo de outro...

lol para o amigo a mulher grávida deve ser uma parideira não?
SE não podemos dispor do nosso corpo então de que podemos dispor?
Não estamos aqui a falar de Seres Humanos no sentido estricto da palavra caro amigo.
estamos a falar do direito à mulher poder optar pelo que deseja para o seu futuro.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
6 - E O PAI DA CRIANÇA TEM ALGUM DIREITO OU DEVER NESTA DECISÃO?
Não, o homem fica sem nenhuma responsabilidade, e também sem nenhum direito. A mulher pode matar o filho dum homem contra a vontade dele.

lol, eu por acaso acho que AMBOS os progenitores deveriam dar o seu aval, no caso de não se tratar de uma pessoa singular ou outro caso específico.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
7 - E QUANTO À QUESTÃO DA SAÚDE DA MULHER QUE ABORTA?

Legal ou ilegal, o aborto representa sempre um risco e um traumatismo físico e psicológico para a mulher. Muitas vezes o aborto é-lhe apresentado como a solução dos seus problemas, e só tarde demais ela vem a descobrir o erro dessa opção. O aborto por sucção ou operação em clínicas e hospitais legais, provoca altas percentagens de cancro de mama, de esterilidade, de tendência para aborto espontâneo, de infecções que podem levar à histerectomia, etc. Mas as sequelas psíquicas são ainda piores.

Caro amigo por favor, resuma-se ao aborto ATÉ às 10 semanas.
É que andar-mos aqui a debater como se processa um aborto aos Enésimas Semanas é TOTALMENTE diferente de andarmos a falar de Aborto ATÉ às 10 semanas.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
8 - MAS TEM QUE SE ACABAR COM O ABORTO CLANDESTINO!...

Arranje políticas que funcionem caro amigo. Eu já propus algumas medidas em alguns dos meus posts.

...

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
12 - MAS A DESPENALIZAÇÃO NÃO OBRIGA NINGUÉM A ABORTAR...

Está provado que a despenalização torna o aborto mais aceitável na mentalidade da sociedade, e por isso mesmo conduz, na prática, ao aumento do número de abortos.
Não nos devemos esquecer que a lei não só reflecte as convicções duma sociedade, como também enforma essa mesma sociedade. O que é legal passa, sub-repticiamente, a ser considerado legítimo, quando são duas coisas muito diferentes

Caro amigo SE as pessoas não são capazes de definir o que acreditam ou o que escolhem então o erro está com as pessoas e não Lei.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Lembremo-nos dos julgamentos em Nuremberga, em que os alemães diziam não ter responsabilidade no extermínio dos judeus, porque se tinham limitado a cumprir a lei...

Amigo e se se lembrar quanto mais a Alemanha perdia a Guerra mais Nazis existiam... foi preciso DesNazizar a Alemanha do Pós Guerra.
Mas de igual modo não se esqueça que foram os próprios alemães que permitiram que o Hitler fizesse o que fez. Estes somente fecharam os olhos.
Se me perguntar se eles tiveram culpa de tudo... respondo-lhe todinha e ainda mais um pouco.

O Resto já nem vou comentar... nem me sinto capaz para isso.
Seja-se objectivo, é o que peço.

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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Ter 16 Jan - 21:31:26

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Pedro Reis escreveu:

É o que estou a tentar fazer.

Volte lá atrás e veja quem escreveu coisas como: assassino, sem vergonha, protoassassino, a sua opinião vale 0, chocadeira de "geeks", perdeu juízo, falta de lucidez, etc etc etc se fôr mais atrás ainda talvez encontre mais uns quantos exemplos.

Vamos na página 12 e estive até agora sem intervir. Fique descansada que da próxima vez começo mais cedo.

Caro Pedro

A bem da verdade devo dizer que não foi a Ana Rita que usou essas expressões mas sim eu. Desculpe se com o calor da discussão me excedi. Não é justo que ela pague pelo que eu disse.

Um abc


Zé Tomaz

Excederam-se os 2 e o resumo tem coisas quer de um quer do outro, mandou-me a boa educação começar pelas senhoras primeiro, parece que esse promenor foi tido com grau de importância, o que não era de todo a intenção.

Serviu também o post para aconselhar calma a todos e contenção nas críticas de carácter e uso de adjectivos a todos. Penso que fui benigno e contido nas palavras que usei, inclusivamente partindo do princípio que poderia estar errado, a bem do respeito que devemos nutrir uns pelos outros e a bem do nosso estatuto de adultos que queremos viver em democracia.

Cada um que pense o que quizer, eu tenho a consciência limpa e não estou a perseguir ninguém ou a fazer pagar alguém por erros de terceiros.

Vou ter de sair, mas hoje ainda quero comentar o seu post.

Um Abraço
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Ter 16 Jan - 23:46:53

Saibam os meus caros amigos que em Portugal se dá mais importância aos abortos das cegonhas que aos dos seres humanos

Senão vejam este processo:

Processo
Designação do Tribunal: Tribunal Judicial
Localização do Tribunal: Coruche
Juízo:
Vara:
Secção:
Peça Processual: Sentença
Data Peça Processual: 23-02-1990
N.º Processo: 278/89
Meio Processual:
N.º Meio Processual:
País: Portugal

Sujeitos Processuais
Réu / Arguido: Maria da Graça de Sá Luz Coruche Ribeiro da Cunha



A arguida tinha perfeito conhecimento que os três pinheiros mansos existentes na propriedade constituíam o suporte dos ninhos de um grupo de cegonhas brancas, as quais, sendo uma espécie em perigo de extinção, eram alvo da protecção mais estrita, cujos ninhos e ovos não podiam, por proibição legal, ser destruídos. Conhecimento esse de tal facto, que se não lhe advinha da sua vivência há largos anos numa herdade em pleno meio rural, adveio-lhe plenamente em resultado da visita que a Quercus lhe fez uns dias antes do corte, tendo-a alertado expressamente nesse sentido.
Não podemos, pois, deixar de concluir ter sido a arguida a autora - indesculpável de um crime grave de natureza ambiental nos moldes apontados.
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qua 17 Jan - 5:03:32

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Algumas considerações e pontos importantes sobre o Aborto


1 – QUAL A QUESTÃO QUANDO SE FALA DE DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO?

Desde 1984, é legal em Portugal abortar:
- Quando a saúde ou a vida mãe estão em risco;
- Por malformação do feto;
- Por violação.


O referendo de 2007 propõe que a mulher possa abortar até às dez semanas, sem ter de dar qualquer razão, nos hospitais públicos ou em clínicas privadas.
O Ministro da Saúde avançou até a hipótese de o Estado comparticipar o aborto feito por privados - quando não fez o mesmo para tratar cataratas, hérnias, ou outro problema que afecte a saúde de milhares de portugueses, segundo o Bastonário da Ordem dos Médicos.
Vários partidos propõem também alargar os prazos legais.

Aparentemente a legalização com essas limitações não deu resposta ao problema do aborto clandestino, situação essa que é a visada. A Lei nos actuais moldes actua como um placebo e não "cura" o problema.
Não quero entrar pela questão da comparticipação....pelo menos não para já.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
2 - O BEBÉ TEM ALGUMA PROTECÇÃO LEGAL?

Ainda vivemos numa sociedade que considera que todos, e especialmente os mais fracos e desprotegidos, merecem protecção legal.
Mesmo na lei de 1984 este era o princípio base, no qual se abriam algumas excepções, em casos-limite.

Se a despenalização passar, é o princípio-base que muda.
Portugal passará a admitir, em 2007, que há seres humanos com direito de vida ou de morte sobre outros seres humanos.
Isto é, que o mais forte (a mulher) poderá impor a sua vontade ao mais fraco (o bebé), sem que este tenha quem o defenda.

A legislação existente garante protecção legal ao bebé. A questão primeira é separar o que é embrião, do que é feto e do que é bebé. Já sei que o Zé Tomás considera tudo a mesma coisa, mas permita-me discordar.

A vida, na minha perspectiva, não se define como algo que seja apenas um conjunto de células vivas. A natureza não é fléxivel neste aspecto. Quando bato no princípio da viabilidade tenho exactamente isto em consideração. Penso que já rebati este argumento ad nauseum.

Aqui temos o primeiro ponto de desacordo entre nós.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
3 - DIZEM (principalmente o IzNo) QUE O FETO AINDA NÃO É PESSOA E POR ISSO NÃO TEM DIREITOS...

Dentro da mãe não está um animal ou uma planta - está um ser humano em crescimento.
Será que não é uma pessoa porque – ainda - não pode discursar sobre “O Monte dos Vendavais” ou efectuar contas de somar?
Não é uma pessoa porque – ainda – não faz nada de importante, de grave, de sério?

Um bebé é uma pessoa…


É uma pessoa que cresce no ventre da mãe, nasce e se vai tornando cada vez mais pessoa na medida em que aqueles que a rodeiam a amarem.


O bebé está dependente da mãe e assim continuará durante muitos anos da sua vida. Dependente como muitos doentes ou idosos.
É por serem mais frágeis que os bebés, dentro ou fora do seio materno, os doentes e idosos, precisam mais da protecção legal dada por toda a sociedade.

Mas isto lá está na opinião do Sr. Deputado. Uma pessoa sem pulmões não é uma pessoa porque está fisiologicamente morta. É este o princípio da viabilidade, quando o todo funciona pela soma das partes e com capacidade de viver.

É mais uma vez a diferença de critérios de quando começa 1 vida por contraposição ao que está vivo. Um braço está vivo, mas não é 1 vida e contudo separado do resto do corpo morre.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
4 - E OS PROBLEMAS DA MULHER?

A suposta solução dos problemas dum ser humano não pode passar pela morte doutro ser humano. Esse é o erro que está na base de todas as guerras e de toda a violência. A mulher em dificuldade precisa de ajuda positiva para a sua situação. A morte do seu filho será um trauma físico e psicológico que em nada resolve os seus problemas de pobreza, desemprego, falta de informação, etc..
A proibição protege a mulher, que muitas vezes é fortemente pressionada a abortar contra vontade pelo pai da criança, por familiares – ou até pela sua entidade patronal! -, a quem pode responder que recusa fazer algo proibido por lei (nos estudos que existem referentes aos países onde o aborto é legal, mais de metade das mulheres que abortaram disseram que o fizeram obrigadas).

Mais uma razão para despenalizarmos o aborto, aconselharmos, acompanharmos, ajudarmos estas mulheres identificar as fontes de pressão e actuar criminalmente por crime de coacção. Se estas mulheres procurarem o vão-de-escada não temos a mínima hipótese de lhes dar uma visão diferente do problema e assegurarmos que a justiça seja reposta.


José Tomaz Mello Breyner escreveu:
5 - MAS A MULHER NÃO TEM O DIREITO DE USAR O SEU CORPO?

A mulher não tem o direito de dispor do corpo de outro. O bebé não é um apêndice. É um ser humano único e irrepetível, diferente da mãe e do pai, com um coração que bate desde os 18 dias (quando a mãe ainda nem sabe, muitas vezes, que está grávida), com actividade cerebral visível num electroencefalograma desde as 6 semanas, com as características físicas e muitas características da sua personalidade futura presentes desde o momento da concepção.

Isto aqui afirmado tem mais de mentira que de verdade.

Citação :
26 weeks or 6 months: The fetus 14" long and almost two pounds. The lungs' bronchioles develop. Interlinking of the brain's neurons begins. The higher functions of the fetal brain turn on for the first time. Some rudimentary brain waves can be detected. The fetus will be able to feel pain for the first time. It has become conscious of its surroundings. The fetus has become a sentient human life for the first time

in http://www.religioustolerance.org/abo_fetu.htm

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
6 - E O PAI DA CRIANÇA TEM ALGUM DIREITO OU DEVER NESTA DECISÃO?
Não, o homem fica sem nenhuma responsabilidade, e também sem nenhum direito. A mulher pode matar o filho dum homem contra a vontade dele.

Quando a mulher decide ter a criança, a lei exige que o pai, mesmo contra vontade, lhe dê o nome, pensão de alimentos, etc.. Mas se decide não o ter, o pai não pode impedir o aborto - fica excluído da decisão de vida ou de morte do seu próprio filho.

Ora aqui está a questão que me leva a questionar toda esta temática. Então e o pai?

Pois aqui tem toda a razão, mas na perspectiva do homem que quer ser pai, porque na perspectiva do homem que não quer, dar-lhe peso de voz é garantir que os homens têm um papel legal na pressão pró-aborto, descriminalizando a coacção que se quer prevenir!

É um assunto tão complicado que não vejo forma de lhe dar a volta e como já lhe disse tudo o que envolva crianças o homem vem sempre em segundo plano sobretudo em casos da custódia.


José Tomaz Mello Breyner escreveu:
7 - E QUANTO À QUESTÃO DA SAÚDE DA MULHER QUE ABORTA?

Legal ou ilegal, o aborto representa sempre um risco e um traumatismo físico e psicológico para a mulher. Muitas vezes o aborto é-lhe apresentado como a solução dos seus problemas, e só tarde demais ela vem a descobrir o erro dessa opção. O aborto por sucção ou operação em clínicas e hospitais legais, provoca altas percentagens de cancro de mama, de esterilidade, de tendência para aborto espontâneo, de infecções que podem levar à histerectomia, etc. Mas as sequelas psíquicas são ainda piores.

A afirmação é falaciosa. O Sr. Deputado devia ser mais responsável antes de afirmar a relação causa/efeito que evoca. Primeiro porque as infecções uterinas estão muito mais dependentes de serem feitas em circunstâncias não vigiadas que o contrário, depois altas percentagens é um termo abusivo. Existe o risto de sequelas, tal como ir arrancar um dente do ciso pode provocar dano no nervo mentoniano e deixar a pessoa sem sentir metade da face...quer-me a mim parecer que é sempre melhor arrancar o dente no dentista que no barbeiro.

Curiosamente há tempos li um estudo que relacionava o tamanho do pénis do parceiro habitual com a ocorrência de tumor do colo do utero. Dizia o mesmo que pénis grandes por atingirem o colo do utero o traumatizavam sucessivamente e nessas mulheres a taxa de ocorrência de cancro do colo do útero era maior!! Ora bem, pegando na linha de pensamento do Sr. Deputado mulheres que pratiquem sexo com homens de pénis grande têm altas percentagens de cancro do colo do utero!!! Laughing Primeiro nem todas essas mulheres desenvolvem cancro do colo do utero e o cancro do colo do útero também surge em mulheres usufrutuárias de pénis mais ajeitadinhos!!

O que o Sr. Deputado confunde é um maior risco, com elevadas percentagens, sendo que a afirmação é alarmista e desprovida de fundamento científico. Mas se diz isso também devia dizer que o risco de uma mulher morrer é superior durante a gravidês que fora dela. Enfim...


Última edição por em Qua 17 Jan - 5:49:59, editado 1 vez(es)
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Pedro Reis
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qua 17 Jan - 5:04:42

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
8 - MAS TEM QUE SE ACABAR COM O ABORTO CLANDESTINO!...
A despenalização não ajuda em nada à sua abolição. Os números provam que em praticamente todos os países, após a despenalização, não só aumentou bastante o aborto legal, como não diminuiu o aborto clandestino, pois a lei não combate as suas causas.

A diminuição do aborto passa por medidas reais e positivas de combate às suas causas (pela prevenção através da educação sexual e da educação para uma sexualidade responsável, pelo apoio às mães grávidas em dificuldade, etc.).

Não há melhor forma de ajudar o governo a demitir-se destas prioridades do que despenalizar o aborto (“para quem tiver problemas já pusemos os serviços hospitalares à disposição. Quem não os quiser usar, que resolva a sua própria situação...”).


Concordo em absoluto com o 2º parágrafo, mas já aqui puz um link que desmente categoricamente o 1º parágrafo, relativo à realidade da Holanda. Dizia por outras palavras, 100% de abortos dentro das estruturas legais e o incremento do número de abortos estava relacionado com a entrada de emigrantes, pois que o nº de mulheres nativas a procurarem essa via tinha diminuído. Talvez o Sr. Deputado deve-se identificar quais são os países em causa.

Quanto ao 3º parágrafo, eu se fosse deputado tinha vergonha de o proferir, mas aceito-o como um desabafo de cidadão. Preocupa-me mais as condições em que os abortos são feitos, que a postura de desinteresse do Estado, porque infelizmente se o Estado só se lembrar de promover a educação sexual daqui a 20 anos (qualquer coisa como a idade da Lei que a define) estaremos a falar de quantos abortos feitos sem condições?

Não transformemos um problema do Estado num problema das pessoas, porque o assunto não é déficit ou taxas de juro, é bem mais grave.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
9 - ENTÃO QUEREM QUE AS MULHERES QUE ABORTAM VÃO PARA A CADEIA?

Uma mãe apanhada a roubar pão para o filho com fome não vai presa – é auxiliada. Mas ninguém diz que, por isso, o roubo deve ser despenalizado. É importante que as pessoas saibam que matar um ser humano, dentro ou fora do ventre materno, é um crime, e é, como todos os crimes, punível por lei. Mas só ao juiz cabe decidir, tendo em atenção as circunstâncias atenuantes. E punir, sobretudo os que fazem do aborto, um negócio.

Ambos sabemos que são coisas distintas e mais uma vez o Sr. Deputado é de opinião que existe um ser humano antes da viabilidade. É uma maniera de quere encarar a coisa, há quem pense o contrário.

Tendo que o "negócio" tem sempre clientela é incontronável que sempre o vá haver. A não ser que o Estado lhes "roube" os clientes. Aqui tenho a certeza que ninguém mais fará do aborto um negócio. Acrescento que sou contra as clínicas privadas poderem prestar este serviço.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
10 - PORQUE SE PROPÕEM PRAZOS PARA O ABORTO LEGAL?

Os próprios defensores da despenalização sabem que o aborto em si mesmo é um mal e que a lei tem uma função dissuasora necessária, por isso não pedem a despenalização até aos nove meses. No entanto, não há nenhuma razão científica, ética, ou mesmo lógica para qualquer prazo. Ou o bebé é um ser humano e tem sempre direito à vida, ou é considerado uma coisa que faz parte do corpo da mãe e sobre o qual esta tem sempre todos os direitos de propriedade. É de perguntar porque é que até às X semanas mulheres e médicos não são criminosos, e às X semanas e meia passam todos a sê-lo.

Começando logo por admitir o seu desconhecimento, o Sr. Deputado não sabe que o princípio da viabilidade impõe duas coisas: até ao 6º mês é aborto, depois disso é parto prematuro!!! Se o feto tem condições de viver é parido não é abortado...

Depois o não haver razão ciêntifica isso é a opinião dele, não a dos homens da ciência. Se dependesse apenas dos homens da ciência e da ciência o limite seria efectivamente as 26 semanas. Mas como há muitas sensibilidades e vertentes a considerar optou-se pela transição embrião-feto por uma questão de semelhança à figura humana de forma a não desagradar muito os pró-vida e minimizar o impacto na saúde da mulher.



José Tomaz Mello Breyner escreveu:
11 - A DESPENALIZAÇÃO SERIA SÓ PARA AS MULHERES?

Não. A despenalização abrange todos: médicos, pessoas com fortes interesses económicos nesta prática, pessoas que induzem ao aborto, etc.. Estes, na lei de 1984, tinham penas muito mais pesadas que a própria mulher.
As leis pró-aborto abrem as portas ao grande negócio das Clínicas Privadas Abortivas. Que tipo de médicos trabalhará nessas clínicas? Noutras nações, considera-se que só a escória da classe e os incompetentes é que seguem a “carreira” de abortador.

Não estou de acordo que haja clínicas privadas especializadas apenas para facultar este serviço. Consigo aceitar maternidades privadas a serem homologadas, mas permitir o negócio do aborto não.

Quem trabalhará? Obstetras que não sejam objectores de consciência. Se o Sr. Deputado está preocupado com a reputação desses médicos, penso que deve deixar ao critério dos mesmos a preocupação com a mesma.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
12 - MAS A DESPENALIZAÇÃO NÃO OBRIGA NINGUÉM A ABORTAR...

Está provado que a despenalização torna o aborto mais aceitável na mentalidade da sociedade, e por isso mesmo conduz, na prática, ao aumento do número de abortos.
Não nos devemos esquecer que a lei não só reflecte as convicções duma sociedade, como também enforma essa mesma sociedade. O que é legal passa, sub-repticiamente, a ser considerado legítimo, quando são duas coisas muito diferentes

Lembremo-nos dos julgamentos em Nuremberga, em que os alemães diziam não ter responsabilidade no extermínio dos judeus, porque se tinham limitado a cumprir a lei.

Curiosamente, nesses julgamentos os abortos feitos nos campos de concentração foram considerados crimes contra a Humanidade!

Então libertemos as "judias" da mão dos "nazis"!

O Sr. Deputado esquece-se que a Lei actual não reflecte as convicções da sociedade e que esta já está enformada ao aborto ou pelo menos uma boa parte dela. É só uma questão de se ajustar a Lei à sociedade a qual é suposto servir.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
13 - O ABORTO É SÓ UM PROBLEMA RELIGIOSO OU ABRANGE OS DIREITOS DO HOMEM?

O aborto ataca os Direitos do Homem. O direito à Vida é a base de todos os outros. O direito de opção, o direito ao uso livre do corpo, o direito de expressão, etc. - todos esses direitos de que as mulheres se arrogam para poderem abortar, têm----nos porque estão vivas, porque lhes permitiram e permitem viver. Ao tirarem a vida aos filhos estão também a roubar-lhes todos os outros direitos.
A Declaração dos Direitos do Homem explicita que os direitos são para todos, independentemente de raça, religião, sexo, etc.. A despenalização do aborto acrescenta um grande “Se” à lista dos Direitos do Homem: todo o ser humano tem direitos, mas só se for desejado pela mãe.

A declaração dos Direitos do Homem também diz: "ARTIGO 1.º


Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. "

Para nascer é preciso ter condições de sobrevivência, senão é-se um nado-morto.

É uma questão de semântica e livre interpretação para responder a outra. Ambas são falaciosas!!

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
14 - SER CONTRA A DESPENALIZAÇÃO NÃO É SER INTOLERANTE E RADICAL?

Não. O aborto é que é totalmente intolerante e radical para com a criança, porque a mata; não lhe dá quaisquer direitos, não lhe dá opção nenhuma.
Os pró-despenalização têm em conta a posição dum só dos intervenientes: a mulher. O “Não” ao aborto obriga-nos a todos, individualmente e como sociedade, a ter em consideração os dois intervenientes. Ao bebé temos obrigação de proteger e de permitir viver. À mulher temos obrigação de ajudar para que possa criar o seu filho com amor e condições dignas ou para que o possa entregar a quem o faça por ela, através de adopção, etc..

O que importa é ajudar a ver as situações pelo lado positivo, ser solidário, e não deixar que muitas mulheres se vejam desesperadamente sós em momentos extremamente difíceis das suas vidas. É preciso que elas saibam que há sempre uma saída, que não passa pela morte de ninguém.

“ O Aborto é o pior inimigo da Paz”Madre Teresa de Calcutá «Não pararemos enquanto for possível encontrar nas nossas cidades uma mulher que diga: Eu abortei porque não encontrei quem me ajudasse.»

Exactamente, mas se se considerar a criança como nascida e viável.

O que Sr. Deputado não vê é que a despenalização vai permitir chegar a essas mulheres e ajudá-las. Possivelmente, se houvesse abertura de espírito criar uma linha de "barrigas de aluguer" e proporcionar crianças para adopção dos imensos casais que querem e não podem, aliás com imaginação q.b.p se de 100 mulheres que abortariam se conseguisse aliciar 1 a procurar outra alternativa era menos 1 que ficaria caída no vão-de-escada.

O curioso é que não conheço 1 pessoa que seja a favor do aborto, mas conheço bastantes que são pela sua despenalização. Eu, caso fosse mulher, não o faria excepto nas condições da Lei actual, depois de muita reflexão e esgotadas as alternativas, o que em consciência não posso é forçar as todas as mulheres a agir como eu, porque não há mais valia.

Ainda continuo a achar que me vou abster. No dia decido-me.
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qua 17 Jan - 10:46:51

Caro Pedro

Lembro-me bem das 2 vezes em que a minha Mulher ficou grávida, e de a ter acompanhado às 1ªs ecografias. Lembro-me bem da emoção que senti de ambas as vezes ao ouvir bater o coração dos meus 2 queridos filhos pela 1ª vez. Se para si como médico naquele momento eles não estavam vivos, para mim como leigo e como Pai eles estavam VIVISSIMOS e eram MEUS , qualquer aborto nessa altura seria IMHO um Assassinio.

É ou não possivel ouvir o coração a bater às 3 semanas? Se o coração bate então para mim há vida. Não vale a pena vir com a história da morte cerebral, uma vez que naquele momento nenhum dos meus filhos estava em morte cerebral, pelo contrário o seu cérebro estava em pleno desenvolvimento.

Quanto à condenação de uma Mulher por abortar, penso que tem de ser visto caso a caso. Há situações em que seria incapaz de as condenar e há outras em que as mandaria para a Cadeia para o resto da vida.

Tenho esperanças que os Portugueses votem Não no referendo.


Citação :
Ainda continuo a achar que me vou abster.

Houve um personagem famoso que também se absteve, e passou à história exactamente por se ter abstido. PILATOS Lembra-se?

Zé Tomaz
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qua 17 Jan - 14:01:05

Caros Amigos


Não posso deixar de partilhar convosco um debate que ouvi ontem casualmente.

Atrás de mim, um casal com bom aspecto e ar simpático esgrimia argumentos sobre o aborto.

Ela pelo não, ele pelo sim; os diferentes pontos de vista eram evoluídos e fui ouvindo, achando piada.

A balança estava a pender um pouco para o lado dela, eis senão quando ele sai com este argumento:

«Está pouco divulgado, mas nos anos 70 foi despenalizado abordo nos Estados Unidos e veio a ter efeitos importantes nos anos 90 por baixar a criminalidade.

Ao permitir que casais potencialmente de risco abortassem com facilidade, eliminavam-se potenciais delinquentes»

Perplexo, não pude deixar de olhar para trás.

Um nazi dificilmente conseguiria tese melhor do que esta
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MensagemAssunto: RE   Qua 17 Jan - 16:40:11

Caro Zé Tomaz,

O amigo surpreende-se porque não leu os meus posts com atenção, essa teoria já eu falei, foi apresentada num livro que se chamava freaknomics ( Economia Maluca).

Convenhamos que se tivermos a falar da Laura Bush, da mamã Sadam e outras no género o aborto teria sido uma benção.

Se falarmos na Madre Teresa, o Dalai Lama, etc. Ai já seria um crime!
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qua 17 Jan - 16:46:43

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Saibam os meus caros amigos que em Portugal se dá mais importância aos abortos das cegonhas que aos dos seres humanos

Senão vejam este processo:

Processo
Designação do Tribunal: Tribunal Judicial
Localização do Tribunal: Coruche
Juízo:
Vara:
Secção:
Peça Processual: Sentença
Data Peça Processual: 23-02-1990
N.º Processo: 278/89
Meio Processual:
N.º Meio Processual:
País: Portugal

Sujeitos Processuais
Réu / Arguido: Maria da Graça de Sá Luz Coruche Ribeiro da Cunha



A arguida tinha perfeito conhecimento que os três pinheiros mansos existentes na propriedade constituíam o suporte dos ninhos de um grupo de cegonhas brancas, as quais, sendo uma espécie em perigo de extinção, eram alvo da protecção mais estrita, cujos ninhos e ovos não podiam, por proibição legal, ser destruídos. Conhecimento esse de tal facto, que se não lhe advinha da sua vivência há largos anos numa herdade em pleno meio rural, adveio-lhe plenamente em resultado da visita que a Quercus lhe fez uns dias antes do corte, tendo-a alertado expressamente nesse sentido.
Não podemos, pois, deixar de concluir ter sido a arguida a autora - indesculpável de um crime grave de natureza ambiental nos moldes apontados.

Caro Zé Tomaz, o tribunal tem toda a razão isto é um caso de aborto evidente, então os meninos não nascem com as cegonhas...por amor de Deus...olhe a tradição!
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qua 17 Jan - 21:08:23

GRANDE ZÉ

BEM OBSERVADO. PARABENS
muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz muito feliz
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Pedro Reis
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qui 18 Jan - 4:09:27

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Caro Pedro

Lembro-me bem das 2 vezes em que a minha Mulher ficou grávida, e de a ter acompanhado às 1ªs ecografias. Lembro-me bem da emoção que senti de ambas as vezes ao ouvir bater o coração dos meus 2 queridos filhos pela 1ª vez. Se para si como médico naquele momento eles não estavam vivos, para mim como leigo e como Pai eles estavam VIVISSIMOS e eram MEUS , qualquer aborto nessa altura seria IMHO um Assassinio.

Caro Zé Tomás já tive dias bem difíceis na minha vida, dias que não desejo a ninguém, mas o pior foi olhar para o monitor durante a 2ª ecografia e ver um útero vazio, tendo que 3 semanas antes estava lá o rebento. E olhe que eu tinha a certeza que o aborto havia naturalmente ocorrido, apenas não queria acreditar...até que vi.

Como já lhe disse eu seria incapaz de me ocorrer tal ideia, sem ter esgotado todas as alternativas, mas sentimentos à parte o que eu não posso é esperar que todos sejam iguais a mim ou se revejam nos meus ideiais. Aceito a diferença e que cada um aja de acordo com a sua natureza.

Despenalizar não me vai libertar do jugo dos meus princípios, a mim e a muita gente. Não será por isso que me irá ver como primeiro da fila....nem último.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
É ou não possivel ouvir o coração a bater às 3 semanas? Se o coração bate então para mim há vida. Não vale a pena vir com a história da morte cerebral, uma vez que naquele momento nenhum dos meus filhos estava em morte cerebral, pelo contrário o seu cérebro estava em pleno desenvolvimento.

Zé Tomás eu nunca disse que a ciência é absoluta. Se o fosse eu não sentiria necessidade de conversar com Deus. Penso que existe uma esquizofrenia polimórfica inerente às profissões médicas que nos obriga a ser o Dr Jekyl: frios, objectivos, analíticos, matemáticos e o Mr Hide humanos, sentimentais, éticos.

Chame-lhe deformação profissional, mas a morte é uma constante à minha volta ao ponto de ser banal.

Não pense que isto não me gera um conflito interior quer ético quer moral, a solução que encontrei é obviar o assunto pelo menor dos males.

Se um dia me quizer ver defender o não, garanto-lhe que o farei com o mesmo desprendimento e desembaraço, mas não me vou fundamentar na ciência, mas sim no aspecto humano.

Penso seriamente que a estratégia que o "não" adoptou tem mais falhas que a do sim, porque quer discutir o assunto também em termos ciêntificos, zona onde claramente perde e se devia afastar por completo. Permita-me oferecer uma dica a explorar ad infinitum: o envelhecimento da sociedade. Isto por si só e sem entrar por vertentes morais. Quando o Estado Alemão está a pagar 25000€ por criança, a partir de dia 1 deste mês, como é que o não se esquece de explorar isto?

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Quanto à condenação de uma Mulher por abortar, penso que tem de ser visto caso a caso. Há situações em que seria incapaz de as condenar e há outras em que as mandaria para a Cadeia para o resto da vida.

Sem querer ser pretensioso, penso que só conseguiria identificar as primeiras. As outras vão a Espanha.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Tenho esperanças que os Portugueses votem Não no referendo.

Com o sentimento anti-governo instalado, creio que terá essa sorte. Quase que antecipo o uso deste referendo como o meio de dar uma "cartolina amarela" ao PM e às suas políticas.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Houve um personagem famoso que também se absteve, e passou à história exactamente por se ter abstido. PILATOS Lembra-se?

Zé Tomaz

Touché! Wink

Ao menos diga-me que entende a minha visão de como a despenalização e a centralização estatal do aborto poderia servir de arma de combate ao mesmo. Aquilo que denominei de "visão optimista".

E não fique a pensar que deste lado está um bacalhau seco desprovido de sentimentos e que não entende ou aceita a sua vertente do assunto.
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qui 18 Jan - 11:00:15

Médica e artista, Katia Guerreiro foi também a mandatária para a juventude de Cavaco Silva na campanha que antecedeu as últimas eleições presidenciais. Defensora do NÃO no próximo referendo de dia 11/02, é a partir de hoje colaboradora especial do BdN, o que muito nos honra. Para já, fica o texto que a Katia escreveu para a sua entrada:
"Porquê o aborto?

Penso que não restam dúvidas sobre a minha posição enquanto mulher e enquanto médica sobre a controversa questão do aborto. Não posso, contudo, deixar de expor o meu ponto de vista neste período difícil de debate ou de esclarecimento. É enquanto cidadã consciente que me manifesto sobre um assunto que a todos diz respeito mas para o qual já existe legislação que a meu ver é adequada.
---
Não consigo entender este desejo tão evidente de legalizar um acto que só traz prejuízo a todos. Em primeiro lugar ao milagre que é a vida, bem tão precioso a que, pelos vistos, só alguns dão verdadeiro valor, que começa com a tão simples fusão de dois gâmetas, e que homem nenhum consegue reproduzir sem que os dois gâmetas estejam presentes. Em segundo lugar à mulher, que se priva de gerar uma vida e de dar continuidade a si mesma, e que terá para sempre a dúvida sobre o que teria sido esse filho que não nasceu. Em terceiro, ao homem que com a mulher concebe um ser irrepetível, e que é tão esquecido neste processo, nem tendo poder de decisão. Em quarto, aos avós que perdem a oportunidade de reviver a sua própria juventude, e de dar apoio ao crescimento de um neto. Em quinto, ao projecto família, núcleo fundamental da sociedade, em torno do qual giram valores morais, sociais e humanos. Em sexto, à humanidade pois ganharia um ser que poderia ser um brilhante cientista, investigador, poeta, bombeiro, médico, prémio Nobel, político, economista, filósofo, matemático, professor de renome e contribuir para o desenvolvimento do mundo. Em sétimo, à taxa de natalidade, que cai a pique cada dia que passa, com consequências drásticas para a produtividade, a jovialidade, e o sucesso do país. Em oitavo, todos os outros motivos que podemos imaginar a partir daqui.

Depois há mais uma questão importante neste referendo a que somos chamados a responder pela segunda vez: que a dita IVG seja realizada no Sistema Nacional de Saúde. Mais uma vez não percebo como podem os responsáveis deste país ignorar o facto de não se conseguirem eliminar as listas de espera cirúrgicas dos nossos hospitais permitindo que mulheres, pela sua livre vontade ou conveniência, ultrapassem os milhares de outras mulheres com cancro da mama, do intestino, do útero, …, que querem tanto viver e cuja luta contra o tempo é um tormento vivido a cada segundo que passa, só porque o tempo legal da prática da sua querida IVG está a expirar. Não posso concordar.

Pergunto eu se não seria um mais útil investimento aplicar toda esta energia na criação de novos centros de tratamento oncológico; no apoio aos jovens casais com problemas de infertilidade para que possam concretizar o seu projecto de serem pais e contribuírem com sangue novo para o nosso país; num plano de sensibilização (educação sexual) das/dos jovens para relações sexuais protegidas para que não tenham “azares”; ou ainda no incentivo financeiro à natalidade numa época em que cada vez se fazem mais contas para se poder ter filhos. E quantos não são aqueles que não possuem condições económicas para isso.

Estamos no século XXI. Não faz sentido permitir que as mulheres continuem desinformadas. Hoje o acesso a todo o tipo de informação é mais que muito e todos temos consciência disso. Não são só as classes desfavorecidas que contam para os números de mulheres que recorrem ao aborto, e a ignorância não pode ser desculpa para o aborto, muito menos a inconveniência do momento da gravidez.

Perguntam os apoiantes do sim ao aborto se achamos justo que nasçam crianças que serão decerto vítimas de maus tratos, ou que serão deixadas ao abandono. Quem lhes garante isso? Quem lhes disse que será assim? Partir desse princípio é admitir que vivemos numa sociedade de monstros e irremediavelmente insensível. Espero que não seja verdade! Não estou a fugir à triste realidade que nos invade o lar em cada notícia na televisão. Tudo isso é real, mas não estamos a lutar por uma sociedade mais generosa, mais justa, mais equilibrada? Não me parece que seja esta uma preocupação dos que defendem a liberalização do aborto, e chamemos as coisas pelo nome!

Claro que existem situações em que as dúvidas se colocam, mas essas já estão consagradas na lei existente e, portanto, nenhuma mulher que engravide na sequência de uma violação, nenhum feto com mal-formações congénitas, ou nenhuma situação em que esteja em risco a vida ou saúde da mulher grávida serão alvo de qualquer juízo e terão o direito de interromper a gravidez numa instituição pública.

Gostaria de saber qual o número real de mulheres julgadas por prática de aborto. E quantas foram presas.

Gostaria ainda de saber quantas mulheres praticaram aborto mais do que uma vez. Não estarão essas a utilizar o aborto como um método contraceptivo? Bem, para melhor esclarecimento, como métodos contraceptivos entendem-se a toma de contraceptivos orais (“pílula”), o preservativo, o diafragma, o dispositivo intra-uterino (“aparelho”), os espermicidas, e ainda a própria abstinência sexual. Estas sim são opções e não a dúvida de continuar ou não grávida, de dar ou não continuidade a uma vida, interrompendo-a, ou melhor eliminando-a.

A gravidez é o dom e o privilégio de gerar uma vida.

As minhas principais preocupações nesta discussão são o direito à vida de um ser que existe desde o dia da sua concepção e que não tem qualquer poder de decisão; a sobrecarga do Sistema Nacional de Saúde; a banalização de um acto que não tem nada de saudável para a mulher, nem física nem afectivamente; a indiferença da sociedade a um assunto tão delicado.

A campanha eleitoral está por começar mas já se nota algum nervosismo e a tentativa de manipulação de notícias que podem, mais que esclarecer, confundir. Temo que a campanha daqueles que defendem o sim não leve novamente ao virar de costas dos menos esclarecidos.

Termino como comecei, eu sou pela vida! Vou votar NÃO!!!

Katia Guerreiro
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Lisboa, 17 de Janeiro de 2007"
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Pedro Reis
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Sex 19 Jan - 1:42:23

Zé Tomás

Viu como a Dra apenas aflorou a vertente ciêntifica e como se focalizou sobretudo ao lado humano da questão?

Só há ali uma coisa que é muito questionável. Quando a Dra aponta as listas de espera, esquece-se que as mesmas estão dependentes das especialidades a que se referem. Se fala em cancros os mesmos vão parar aos hospitais do IPO, sítio onde dificilmente se irá praticar IVG, tal como não se soluciona lá uma qualquer fractura ou outros tipos de intervenções cirúrgicas.

Depois ainda há uns dias ouvi vários médicos desmistificarem este assunto, garantindo que vão ter o mesmo "trabalho" já que muitas, senão todas as mulheres sujeitas a abortos clandestinos acabam nas urgências.

O problema das listas de espera é outro e bem mais desumano.

Não vou afiançar quem terá mais razão, mas este argumento parece-me fraco.
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Beladona
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Sex 19 Jan - 2:49:25

Caro Pedro Reis

Nem sabe como o compreendo,pois depois de ter tido o meu primeiro filho e entre este e o segundo filho tive três abortos que me abalaram muito a mim e ao meu marido,foram oito anos a correr de especialista em especialista para saber o porquê dos mesmos,culminando o último numa gravidês ectópica,aqui achei que seria o fim das minhas hipóteses de engravidar.Por acaso e felizmente assim não aconteceu e,só com uma trompa engravidei mais duas vezes,mas foi preciso um grande apoio médico.Ainda hoje me choca,quando vou ao médico e, este caso é focado,ele afirmar sempre que tive seis partos,com três vivos e três mortos.

Mas,apesar de tudo o que passei e,ou talvêz por isso,o que passei,respeito as "realidades" e não as "possibilidades",é que sou pelos primeiros e não pelos segundos,que como já disse,se não forem desejados resultam nas tristes histórias que vemos nos media e, eu amo demais as crianças para as ver sofrer mais que muitos adultos alguma vez sofreram em toda a sua vida.

Um abraço da Beladona
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Sex 19 Jan - 4:33:26

Olhe que às vezes fico a pensar nestas coisas. Uns que querem e não conseguem, outros que podem e desperdiçam...é no mínimo revoltante. Mas o que é que se há-de fazer.
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Sex 19 Jan - 14:01:39

Com liberdade, responda sim ou não às 10 perguntas seguintes:

1. A uma mulher com dificuldades na vida , a sociedade só tem para oferecer a morte de um filho?

2. Liberalizar o aborto torna a sociedade solidária?

3. A mulher é mais digna por poder abortar?

4. Uma sociedade que nega o direito a nascer, respeita os Direitos Humanos?

5. É maior o direito da mãe a abortar do que o direito da criança a viver?

6. Sem razão clínica, abortos são cuidados de saúde?

7. Concorda que a saúde de outras mulheres fique à espera? (para que o aborto se faça até às 10 semanas)

8. Aborto "a pedido da mulher". Há filho sem pai?

9. Quem engravida gera um filho. Mata-se o filho?

10. É-se mais humano às 10 semanas e 1 dia do que às 10 semanas?

Some os "Sim" e os "Não".

Descobriu através deste exercício, qual o sentido de voto que a sua consciência lhe pede.

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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Sex 19 Jan - 14:02:14

Com liberdade, responda sim ou não às 10 perguntas seguintes:
1. A uma mulher com dificuldades na vida , a sociedade só tem para oferecer a morte de um filho?

2. Liberalizar o aborto torna a sociedade solidária?

3. A mulher é mais digna por poder abortar?

4. Uma sociedade que nega o direito a nascer, respeita os Direitos Humanos?

5. É maior o direito da mãe a abortar do que o direito da criança a viver?

6. Sem razão clínica, abortos são cuidados de saúde?

7. Concorda que a saúde de outras mulheres fique à espera? (para que o aborto se faça até às 10 semanas)

8. Aborto "a pedido da mulher". Há filho sem pai?

9. Quem engravida gera um filho. Mata-se o filho?

10. É-se mais humano às 10 semanas e 1 dia do que às 10 semanas?

Some os "Sim" e os "Não".

Descobriu através deste exercício, qual o sentido de voto que a sua consciência lhe pede.
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Ter 23 Jan - 15:08:22

http://www.youtube.com/watch?v=AfrMHnT3jKE
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Qui 25 Jan - 3:28:43

Não deixa de ser a opinião do Sr. Prof.... é mais uma.
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Dom 28 Jan - 22:57:30

in Notícias Magazine nº766 do DN de 28-01-2007

da jornalista Célia Rosa



OMS defende aborto seguro



Aborto,abortamento,desmancho,desarranjo ou interrupção voluntária da gravidez(IVG).Chame o que quiser,ou o que mais lhe convier,a uma prática que é tão velha como a humanidade.O aborto provocado existe desde sempre ou,pelo menos,desde que homem e mulher sentiram o pulsar da sexualidade.Há uma eternidade.Ao certo ninguém sabe,mas seguramente muitos milhares de anos antes de se falar em contracepção.



Mas por causa do aborto,e por se quererem desembaraçar de uma gravidez não desejada,milhares de mulheres acabaram por morrer.Muitas outras,milhares também,ficaram estéreis.devido às más práticas e à falta de condições de higiene e segurança a que foram forçadas a sujeitar-se para poderem abortar.É que para expulsar o produto da concepção já se recorreu à magia e à feitiçaria,usaram-se ervas e arbustos diversos,manipularam-se,no interior da cavidade uterina,agulhas,pinças,cateteres urinários e muitos outros objectos,ingeriram-se substâncias tóxicas,experimentaram-se massagens violentas sobre o ventre e muito mais.



Mas hoje,graças à evolução da ciência e da técnica médica,já não é necessário tanto sofrimento para interromper uma gravidez não desejada.mesmo assim,a (OMS) diz que "dos 46 milhões de IVG praticados todos os anos no mundo,sessenta por cento não obedecem a condições de segurança".Consequências?Entre muitas outras,são pelo menos 68 mil mulheres que morrem,anualmente,por aborto inseguro.



68 mil mortes evitáveis



O número foi divulgado pela OMS e pode ser confirmado no Relatório Mundial de Saúde de 2005 que,nesse ano,foi dedicado à saúde materna e infantil.E é nessa publicação,que dá pelo nome Para que Todas as Mães e Crianças Contem,que a OMS lembra que "o investimento contínuo na educação,na informação e na prestação de serviços públicos de contracepção pode fazer muito para minimizar estas experiências".Mas o documento logo acrescenta que "nenhuma política de planeamento familiar consegue evitar todas as gravidezes não desejadas.Contudo,é possível evitar a totalidade das 68 mil mortes,bem como as incapacidades e o sofrimento que acompanham o aborto inseguro".



Segundo a OMS,mesmo que se respondesse a todas as necessidades de contracepção,ainda haveria muitas gravidezes indesejadas e extemporâneas:"Embora a maioria dos métodos de contracepção seja altamente eficaz se forem usados de forma consistente,muitas vezes não se disponibiliza o aconselhamento necessário para garantir o seu uso correcto."E mesmo que todos os utilizadores seguissem as instruções de forma perfeitamente adequada,"ainda haveria cerca de 6 milhões de gravidezes acidentais por ano".



Que fazer,então,para impedir o aborto inseguro? A OMS apela aos governos de todos os países para implementarem as medidas aprovadas na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento de 1994,no Cairo.A declaração,que também foi subscrita por Portugal,proclama,além da melhoria dos cuidados contraceptivos,"o acesso aos cuidados pós-aborto e a seviços de aborto seguro,tendo em conta o máximo permitido pelas leis locais".



Leis menos restritivas garantem mais segurança



Os primeiros,os cuidados pós-aborto seguros e urgentes,são fundamentais"para resolver as complicações inerentes ao aborto involuntário,bem como às IVG realizadas sem condições de segurança".Os segundos,os serviços de aborto,devem existir para impedir abortos inseguro,esse "problema de saúde pública maior",como lhe chama a OMS.



Mas por que continua a IVG a ser proibida nalguns países?Segundo a OMS,tal acontece devido "às deficiências dos sistemas de saúde" e aos limites impostos no acesso aos cuidados médicos.Consequentemente,"as mulheres,particularmente as adolescentes,as mais pobres e aquelas que vivem nas zonas rurais,muitas vezes não sabem onde encontrar serviços que sejam seguros e funcionem de acordo com a lei.Podem não ter os recursos,o tempo necessário ou o poder de decisão para utilizar esses seviços,mas também podem ser dissuadidas de o fazer,quer pela falta de privacidade e confidencialidade quer pela atitude dos profissionais que prestam esses serviços".Eis algumas das razões por que muitas mulheres "põem as suas vidas em perigo".



Mas mesmo nos pa´ses em que o aborto é uma prática legal,o relatório Para que Todas as Mães e Crianças Contem refere que,frequentemente,tanto "os políticos como os profissionais têm muitas vezes uma ideia muito vaga daquilo que a lei permite e não permite fazer.Pelo que quando a lei é menos restritiva existem,em princípio,mais hipóteses de a mulher interromper uma gravidez indesejada em condições de segurança".



E,quando se trata de IVG,segurança é a palavra de ordem."Do ponto de vista da saúde pública,a diferença entre aborto seguro e aborto inseguro é muito importante.Quando é efectuado por profissionais de saúde experientes,com equipamento apropriado,de acordo com as normas técnicas e sanitárias adequadas,o aborto comporta poucos ou nenhuns riscos.Os casos fatais não são mais do que um por cada cem mil intervenções,o que significa um risco menor do que uma gravidez levada a termo nas melhores circunstâncias".



Todavia,aquilo que a OMS sabe é que mais de 18 milhões de abortos são todos os anos efectuados por pessoas sem conhecimentos necessários ou num ambiente que não obedece aos padrões médicos mínimos,ou ambos,sendo por isso inseguros.Quase todos acontecem em países em vias de desenvolvimento.Quase todos...É verdade.Porque alguns desses abortos inseguros ainda são feitos em Portugal.Só no ano de 2004 deram entrada nas urgências dos hospitais 1500 mulheres com complicações pós-aborto.Os dados são de Direcção-Geral de Saúde e põem a nu uma realidade que alguns teimam em continuar a ignorar.Um custo elevado que se mede em sofrimrnto físico e emocional,mas também em dinheiro.A OMS já fez as contas e esclarece que os serviços de saúde despendem muito mais dinheiro para tratar as complicações do aborto inseguro-que exige a mobilização de camas hospitalares,banco de sangue,medicamentos,salas de operações,anestésicos e médicos especialistas-do que aquele que necessitam para proporcionar às mulheres a IVG segura e a seu pedido.



Tome uma posição.No dia do referendo vá votar!
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Seg 29 Jan - 3:12:22

Votar nos nulos também vale ou nem por isso? scratch
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Seg 29 Jan - 12:53:08

Imaginem que vivíamos num país onde a participação cívica compunha o quotidiano de cada um de nós. Um país onde a exigência reinava nas nossas mentalidades, na nossa cultura. Um país onde se trocavam os sofás, comandos de televisão e respectivas massas cinzentas estagnadas, por experiências altruístas, boletins de voto carregados de vontades e espírito crítico especialmente atento.

Imaginem que optávamos por emendar erros na sua fonte e não no seu resultado. Imaginem que em vez de votarmos na despenalização do aborto, sujeitávamos o Estado a cumprir as suas responsabilidades sociais. Que em vez de caminharmos pelo caminho mais pragmático e cheio de feias cicatrizes psicológicas, seguíamos pela construção de estruturas de amparo a mães desprotegidas que davam sorrisos de responsabilidade e encargos, mas, também, de inequívoca felicidade.

Imaginem que em vez de aborto clandestino tínhamos programas de acompanhamento social e psicológico, assim como um Estado que dedicava os seus inúmeros cêntimos ao estímulo da economia e à criação de emprego em detrimento de outros tantos “direitos adquiridos” que de direitos têm tão pouco, que mais parecem obrigações. Imaginem que o crime de aborto em vez de um remédio penal tinha um tratamento psicológico e social. Que se trocavam condenações por auxílio directo.

E que para isto tudo acontecer, bastava o cidadão exigir, cumprir com os seus direitos e reclamar a eficiência de um Estado. Bastava que ele próprio agisse e abortasse com o seu comodismo egoísta.

Poderão apelidar esta imaginação de quimérica, mas que dizer do delírio daqueles que defendem o SIM?

Aqueles que acreditam que a vergonha (no sentido de intimidade legítima) e as razões económicas se irão vergar perante a despenalização e assim terminar com a clandestinidade. Aqueles que acreditam na capacidade do SNS para prontamente responder a esse novo “serviço”, sem encaminhar ninguém para o clandestino, quando se encontra atolado em tantas outras tarefas.

Aqueles que acreditam que todos os contribuintes têm de vedar o amanhã a um ser vivo sem lhe dar qualquer oportunidade de vingar na vida. Aqueles que acreditam que assim estão a proteger e a emancipar a mulher, deixando-a entregue à pressão “legal” de quem até agora, e mal, nunca foi chamado a intervir: o homem.

Aqueles que acreditam que o futuro é por aqui, sem perceberem que a vida jamais poderá cair no prato de uma balança que do outro lado apenas tem pesos supérfluos, passíveis de serem repetidos e facilmente transponíveis desde que haja vontade. Aqueles que vêem o futuro sem pararem para pensar nas alternativas que poderão vir a desperdiçar sob a forma de vida.

E nestes dois cenários uma diferença substancial existe: no primeiro exige-se do Estado, pois é para isso que foi criado, enquanto que no segundo exige-se daqueles que defesas ainda não têm, muito menos para exigir a vida!
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Seg 29 Jan - 12:54:30

Citação :
O MEU PROBLEMA EMBRIONÁRIO!
Tenho um problema.

Quando tento reflectir nos direitos dos embriões humanos, não consigo deixar de considerá-los como seres humanos, com tantos direitos, dignidade e merecendo ser protegidos, como qualquer recém-nascido. Apesar de estarem escondidos dentro da barriga da mãe e não os vermos, isso não invalida esta minha convicção. Como outros já disseram, e bem, “a não ser que possamos apontar um momento definido, na passagem da concepção até ao nascimento, que marque a emergência da pessoa humana (...) devemos encarar o embrião como tendo a mesma inviolabilidade que um ser humano completamente desenvolvido”1. Compreendo que nem todos pensem assim. Mas acho que tenho o direito de, pessoalmente, considerar o embrião humano como tendo os mesmos direitos, dignidade e inviolabilidade que qualquer outro ser humano. Espero que, mesmo os que não concordem com isto, me reconheçam o direito de pensar assim.

Mas pensar assim faz-me ter um problema.

É que, se eu penso assim, tenho que considerar qualquer aborto como um homicídio, por representar a morte propositada de um ser humano. É verdade que eu não vejo esse ser humano. É verdade que ele (ou ela) não se pode defender. Mas é um ser humano. E assim como não acho permissível que se mate um recém-nascido por ter uma doença incurável ou por a mãe não o poder (ou querer) criar, também não acho permissível a interrupção voluntária da gravidez em qualquer uma destas circunstâncias. Bem sei que isso permite a continuação de abortos em clandestinidade, com consequências graves para a saúde das mulheres, que os fazem em Espanha e em muitos outros países “desenvolvidos”, que há mulheres que acham que, por terem os embriões dentro de si, têm o direito de os eliminar. Mas gostaria que compreendessem isto: se eu acho que o embrião humano tem os mesmos direitos que um recém-nascido, não posso concordar que o matem, mesmo que isso sirva objectivos nobres, como evitar abortos clandestinos e situações socialmente complicadas.

Mas ainda tenho mais problemas.

É que, se eu penso assim, tenho que considerar como homicídio as técnicas de reprodução assistida que obrigam à produção de um número excedentário de embriões, que serão posteriormente eliminados... Eu sei que a vontade de ter um filho biológico é algo nobre e belo, e que ajudar um casal a cumprir essa vontade é um dos campos bonitos da medicina. Entendam que não tenho nada a opor às técnicas que não obrigam à eliminação de embriões. Mas as técnicas em que, à partida, obrigatoriamente, se vão produzir embriões em excesso (para aumentar as probabilidades de sucesso), para depois os eliminar, essas, para mim, em coerência com aquilo que afirmo no início, terão que ser homicídio.

E os meus problemas não acabam.

Agora, foi feita a descoberta que, usando células de embriões, que se colocam “em cultura” (destruindo os embriões que as originaram), poderá descobrir-se a cura para doenças tão importantes como a diabetes, o parkinson ou o alzheimer. Mas, pensando nisto, de novo sou obrigado a considerar estas técnicas como ... homicídios. Principalmente porque sei que há formas alternativas de estudar essas células, sem destruir embriões. Nos Estados Unidos, onde o presidente Bush não permite que se usem dinheiros federais para investigação nesta área, os cientistas estão todos muito zangados. Claro que o seu concorrente directo às próximas eleições, o Senador John Kerry aproveitou logo para dizer que, se for eleito, irá financiar investigação em que são produzidos embriões humanos com o único fim das suas células serem usadas para investigação médica (com consequente destruição dos embriões).

Os cientistas americanos são tão mais desenvolvidos do que nós! Até questionam uma lei de 1996 que proíbe o uso de fundos federais para “a criação de embrião ou embriões humanos para efeitos de investigação; ou ... investigação em que um embrião ou embriões humanos sejam destruídos, deitados fora ou propositadamente sujeitos a risco de lesão ou morte”2. Lendo e relendo esta lei, parece-me sempre que terá sido retirada de um filme futurista de ficção. Apesar de a lei não proibir a produção de embriões humanos para efeitos de investigação científica, mas apenas proibir o uso de dinheiros estatais para tal, é considerada retrógrada e, por isso, é agora posta em causa no país mais desenvolvido do mundo...

Tenho um problema.

Considero que um embrião humano, apesar de não se ver a olho nu, de depender do corpo da mãe e de não se poder defender, é um ser humano com tanto direito à vida como eu. Para ser coerente comigo próprio, tenho então que ser contra o aborto, certas técnicas de reprodução assistida e contra o uso de embriões humanos para investigação científica. Acho que os direitos de um ser humano não devem depender do “jeito” que nos dá ele não os ter... senão também dizíamos que os idosos, os deficientes profundos, os indigentes não tinham direitos (esperem lá, não havia alguém que, na 2ª guerra mundial, defendia isso mesmo?).

De acordo com alguns, nomeadamente o deputado do Bloco de Esquerda Francisco Louçã, isso faz de mim um hipócrita, fanático, medieval e anti-progresso.

Tenho um problema.

É que não percebo porque é que mereço esses adjectivos.


Tiago Tribolet de Abreu.
Médico, Assistente de Medicina Interna do Hospital do Espírito Santo-Évora.



1. Sandel MJ. Embryo ethics: the moral logic of stem-cell research. N Engl J Med 2004; 351: 207-209.
2. Daley GQ. Missed opportunities in embryonic stem-cell research. N Engl J Med 2004; 351: 627-628.
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Seg 29 Jan - 20:01:29

Citação :
Dizer não à irresponsabilidade

João César das Neves
Professor universitário
In DN - 29. 01. 2007

Muitas pessoas votarão "sim" no próximo referendo do aborto só pela esperança de arrumar a questão de vez. No labirinto de manipulações, falácias e enganos em que este debate se tornou, esta é uma das ilusões mais amargas.

Ninguém tem dúvidas de que tratamos de uma questão que o País não quer tratar. A esmagadora abstenção no primeiro referendo em 1998 (68%) mostrou-o à saciedade e a apatia recente confirma-o. Trata-se de um problema que uma elite caprichosamente impõe à população, mergulhada numa conjuntura complexa, difícil e exigente.

Um punhado de forças políticas convenceu-se de que liberalizar o aborto constitui um imperativo de civilização e afirmou estar disposto a levantar sucessivamente esta exigência até que o País esteja de acordo consigo (ou, em certos meios mais extremistas, a forçá-lo na lei, mesmo que o povo se atreva a não concordar). Assim, espera-se que existam referendos até o resultado ser "sim", e que depois não haja mais nenhum.

O comodismo é uma das forças mais poderosas em Portugal. Perante este desinteresse da maioria do País, uma das opiniões que mais contarão no próximo dia 11 é a que afirma que o melhor é votar "sim" para ver se se acaba com isto e nos deixam dedicar ao que importa. Esta visão, extremamente atraente, não passa de uma das maiores tolices que têm surgido numa discussão cheia delas. De facto, a realidade é precisamente a oposta.

Se o "não ao aborto livre" vencer no dia 11 de Fevereiro, existe uma forte possibilidade de que a questão política fique resolvida. Duas derrotas sucessivas fazem hesitar até o fanático mais ardente. Os militantes histéricos quererão repetir a proeza, mas as forças sérias terão muitas dúvidas em arriscar terceira derrota. Além de que o clima internacional sobre o aborto está a mudar lentamente, e essa vitória da vida e responsabilidade em Portugal seria mais um passo na evolução. Tem de dizer--se que uma terceira tentativa para liberalizar o aborto entre nós é bastante improvável.

Pelo contrário, se o "sim" vencer, o aborto promete nunca mais deixar a actualidade mediática.

A razão principal não viria do lado partidário, aliás por razões semelhantes às invocadas no caso inverso. Embora se deva dizer que, com um empate entre os dois referendos, ambos certamente não vinculativos, seria muito mais provável existir um terceiro. Mas seria sobretudo a partir da vida real que o problema viria assombrar a política. Sobretudo no sector da saúde.

A primeira coisa que se passaria, se o "sim" eventualmente ganhasse, seria a manifestação do embuste da pergunta. Embora se fale de "despenalização", nada no sector penal ou judicial se veria modificado. Toda a frenética actividade daquilo que seria a real liberalização do aborto situar-se-ia nos hospitais.

Mas a liberalização está longe de ser garantida pela simples despenalização legal. O Código Deontológico da Ordem dos Médicos, para não falar do plurimilenar Juramento de Hipócrates, afirma que "constituem falta deontológica grave quer a prática do aborto quer a prática da eutanásia" (art. 47.º). Como poderão então médicos executar a imposição legal? Apareceria artificialmente uma nova luta intensa no meio hospitalar, que certamente não precisa de mais problemas.

Alguns dizem que esse documento vai ser revisto. Mas que devemos pensar de uma classe que muda as suas regras éticas ao sabor das votações e das modas culturais? Mais importante, como se pode entender que alguém que dedicou a vida à saúde dos outros, que estudou durante anos para ser agente da luta contra a dor e a doença, aceite uma carreira a fazer abortos? Como entender que os hospitais, centros de vida e saúde, passem a ser locais de morte higiénica?

O embate seria certamente muito doloroso. Haveria médicos suspensos por objecção de consciência, zangas entre serviços e direcções hospitalares, discussões entre colegas. Isto para não falar das manifestações e dos aproveitamentos políticos. Nunca se deve esquecer que nos EUA e em alguns países europeus, onde a liberalização não foi feita por referendos, nunca mais houve paz desde que ela foi imposta. Em Portugal, depois de debate tão acalorado, a sua eventual implantação criaria problemas muito depois de 2007.

Este é portanto um caso feliz em que, se Portugal seguir a sua consciência e valores tradicionais, também evita muitas zangas e dolorosas soluções. O único voto que arruma a questão é dizer não à tentação facilitista.
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Beladona
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MensagemAssunto: Re: Despenalização do aborto   Seg 29 Jan - 23:48:25

Caro Pedro Reis

No meu modesto entender e respondendo à sua dúvida,o caro amigo deve votar da maneira que a sua consciência e coração lhe mandarem,baseado nos seus conhecimentos do assunto do referendo.

Desculpe a minha ousadia,mas o caro amigo perguntou e eu tomei a liberdade de lhe responder...nada que suponho já não lhe tivesse passado pela cabeça.

Um abraço da Beladona
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