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 Será Duarte de Bragança um usurpador?

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fidalgueiro de cascais
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Ter 18 Abr - 23:13:41

Documento:

6º Carta de Dom Miguel a Luiz de Magalhães, em resposta à anterior, datada de 7 de Maio de 1913 (Re. Luiz de Magalhães, Páginas 143; 144; 145; 146 e 147).



Seebenstein, 7 Maio de 1913.


Meu caro Conselheiro Luiz de Magalhães

Só hoje me é possivel responder á sua carta de 2 de Abril, na qual tão lealmente expõe o seu sentir; farei o possivel para ser conciso nas minhas affirmações, aclarando toda a duvida que possa pairar no seu espirito, certo que esta minha carta é perfeitamente particular.



Quando, depois dos horrorosos acontecirnentos de Fevereiro de 1908, offereci de pôr a minha pessoa e o meu partido á disposição de meu Primo o Snr. Dom Manuel, para a conservação da monarchia existente, as circumstancias eram muito differentes das actuaes. O Snr. Dom Manuel estava Rei de facto, ainda na posse do throno. Pensei ser meu dever preservar o paiz dos horrores d'uma revolução, no entanto declarava não renunciar por este facto os principios que represento, mas sim pôl-os de parte emquanto meu Primo reinasse em Portugal. Não fallo aqui dos sentimentos de verdadeira sympathia que tanto eu como minha mãe sentiamos para os nossos parentes na sua grande afflicção. Aquelles sentimentos são sempre os mesmos no meu coração, mas agora, como então, não podem ser o verdadeiro motivo das minhas resoluções, dictadas puramente por patriotismo. O que eu temia, infelizmente succedeu; a desgraça que tinha previsto, mudou tudo por completo.



O que importa agora, é restabelecer ordem e socego na nossa pobre Patria. Todas as questões partidarias e todos os interesses pessoaes devem desapparecer deante d'aquelle desejo intenso, que para se realizar necessita da união das forças de todos os Portuguezes verdadeiramente patriotas. Foi esta convicçâo que me fez desejar de novo um entendimento com meu Primo, esperando que, se elle e eu nos conhecessemos pessoalmente e tivessemos a occasião de fallar francamente, o meu Primo se havia de convencer da minha sinceridade e do meu patriotismo desinteressado. A ideia de um accordo politico não entrou nas minhas vistas, sendo eu resolvido a conservar intactos os principios quo herdei de meu Pae, e não tendo razões para suppor que meu Primo estava disposto a abdicar das pretensões á corôa. O que esperei alcançar era puramente um entendimento pessoal, que nos mettesse na possibilidade de trabalharmos juntos com confiança mutua e sinceridade, e para este fim tratei de arranjar entrevista secreta em casa de parentes communs. A este motivo juntaram-se outros que me foram suggeridos por pessoas que me pareciam dignas de confiança, tanto Portuguezes como estrangeiros (estes ultimos homens politicos influentes) que todos acharam que era preciso documentar deante do mundo, que não havia discordia entre os Monarchicos Portuguezes. Declarei a todos que me fallaram n'esse sentido, que os meus principios eram inquebrantaveis, que não podia admittir duvida n'este ponto, mas que o meu patriotismo era sincero e completamente desinteressado, e que, seja qual fôr o resultado dos nossos trabalhos, estava resolvido a consagrar todos os meus esforços para libertar o paiz das condições indignas em que se achava. Escrevi tudo isso em palavras muito claras tambem ao Marquez de Soveral antes do encontro de Dover. Fallei n'esse sentido durante horas ao capitão Paiva Couceiro, quando em St. Jean de Luz, de passagem para Londres.



Nunca pude comprehender como este mesmo Couceiro, dois dias depois d'esta conversa, compoz a minuta de um "accordo", que continha da minha parte declarações, que elle (Couceiro) devia saber incompativeis com os meus principios.

A historia da realização e dos pormenores do encontro de Dover, ao qual se deu depois o nome de accordo, é tão necessaria para o entendimento exacto do assumpto, que pedi ao meu filho, o Duque de Vizeu, de me escrever um relatorio completo sobre tudo o que em Londres se passou, relativamente ao assumpto, quando elle lá estava. Mandarei-lhe esse relatorio.

O Dom Alexandre de Saldanha disse-me que toda a historia deanteira do encontro, se resume clara e categorica pela exposição feita por elle na conferencia á qual o Conselheiro assistiu, e estavam presentes o Visconde de Asseca e o Dr. Emilio, em casa do Marquez de Soveral. Ahi ficaram bem-definidos os meus desejos : e a carta então redigida e acceita pelo Comité, a qual eu devia escrever ao meu Primo, era completamente conforme ás minhas ideias. Vi o rascunho d'aquella carta que o Dom Alexandre de Saldanha guardou.

O bom Couceiro, chamado por não sei quem, veio oppôr o seu celo, ficando de apresentar outra minuta. Mas meu filho, que entretanto tinha chegado, oppoz-se e declarou que o conteudo d'aquella minuta era inadmissivel.

Não sei se preciso dizer-lhe que o Couceiro não tinha auctorização alguma da minha parte para redigir aquelle documento ou para tratar o assurnpto. Mas, como já fallo n'isso, tambem devo dizer-lhe, que nem o Dr. Pinheiro Torres, nem o Snr. F., foram por mim encarregados, quando lhe fallaram dos seus desejos de se realizar outro "accordo", e quando lhe mostraram minutas de cartas que eu devia escrever a meu Primo. Aquelle procedimento foi-lhes naturalmente dictado pelo seu grande desejo de serem uteis á Causa : eu nem os tinha auctorizado, nem mesmo tive conhecimento do passo que deram, senão mais tarde.



Em Dover, ainda que a minha entrevista com o meu Primo fosse de pouca duraçâo, chegamos a trocar impressões, expondo-lhe eu a minha situação para com os meus partidarios e para com as minhas tradições. O Snr. Dom Manuel n'esta occasião teve palavras de alto apreço para com os meus partidarios, parecendo concordar plenamente com o meu modo de pensar e de proceder.

Para seu governo ainda devo notar que, pelo rascunho da carta que meu Primo havia de dirigir-me, encontrei a mudança de uma palavra, a que não liguei a menor importancia.



Só um anno depois da entrevista de Dover, ouvi que meu Primo tinha então ficado melindrado por eu ter escripto outra coisa na minha carta, que tinha sido assente d'antemão. Perguntei ao meu filho como isso se podia explicar. " A unica explicação possivel, " disse elle, " podia ser que dessem ao Snr. Dom Manuel o rascunho anterior e não o instruiram da mudança que eu tinha exigido ". Se eu tivesse tido conhecimento d'esse malentendu, teria logo tratado de o explicar. Mesmo o que ouvi ultimamente eram boatos, e sómente por sua tão sympathica carta tive conhecimento seguro da realidade do assumpto.



Fiquei ao tempo muito admirado e vexado de ver que todos os jornaes e até cartas privadas que chegaram ao meu conhecimento, fallavam de aquelle encontro de Dover como d'um acto politico e deram por entender que eu tinha abdicado dos meus direitos e que d'aqui por deante só trabalhava pela restauração do Snr. Dom Manuel. Devo fazer a justiça ao meu Primo que nunca pensei que estas noticias eram da sua vontade; notei tambem com satisfação que, no dia depois do encontro, um jornal inglez deu uma declaração official, assignada pelo Marquez de Lavradio, que correspondia exactamente aos factos. Mas aquella nota official desappareceu entre todas as noticias apostas, e na opinião publica ficou que eu tinha abjurado as tradiçôes que sempre tive por mais Sagradas. Os legitimistas na Hespanha e na França ficaram escandalizados e, o que era peor, os meus fieis partidarios Portuguezes imaginaram que eu os tinha renegado. O Conselheiro, que é um homem recto e justo, póde avaliar o que me custou a resolução de não responder publicamente a estas insinuações, o que não fiz por receiar que uma tal declaração, suscitando polemicas nos jornaes, - creasse desavenças entre os monarchicos e causasse o contrario do que esperava alcançar pelo encontro com meu Primo. Achei de meu dever de continuar na linha de conducta que me tinha traçado para mim e os meus partidarios, que era a da " neutralidade ", e posso dizer com toda a sinceridade que nunca sahi d'aquella linha. O que me parece importante para o momento é: restabelecer a ordem, libertar os prisioneiros politicos e salvar a independencia da Patria. Não creio na possibilidade da prosperidade de Portugal como Republica. Mas tambem tenho a convicção - e para dizer isso devo-lhe lembrar que lhe prometti de ser franco - que a constituição outhorgada pelo " lmperador do Brazil ", meu Augusto Tio, foi uma desgraça para Portugal e a causa principal de todos os desastres que cairam sobre elle e que abutiram na revolução de 1910 e no estado actual.



Aquella constituição não teve a sua origem nas aspirações e necessidades do povo Portuguez, foi uma copia do extrangeiro que não nos convinha. Parece-me que reconhecendo os erros em que caimos, temos que voltar para traz até ao ponto em que estavamos no bom caminho. A nossa velha constituição Portugueza é a mais democratica, a mais liberal que paiz algum tivesse: Portugal foi grande por ella e os Portuguezes foram heroes. Não vejo impossibilidade de, sobre este fundo solido, provado e eminentemente nacional, construir um edificio moderno, que possasatisfazer todos que querem o bem da Patria. Como eu pensam os meus partidarios. Tendo os interesses da Patria acima de tudo, não podemos em consciencia desejar, que o systema fundado n'esta constituição voltasse a reinar em Portugal. Se, porém. a grande maioria dos Portuguezes não pensam como eu e os meus amigos, acho inopportuno de oppôr a nossa convicção áquella dos outros Monarchicos, quando temos deante de nós um inimigo commum e a ameaça de perda da nacionalidade. Parece-me que não preciso assegurar-lhe-isso entre nós--que pessoalmente não tenho o desejo de ser Rei. Um homem deve ser moço e cheio de illusões para imaginar que reinar, e ainda nas condições presentes, é outra coisa que um cargopesado de responsabilidades e amarguras. O direito de ser Rei, que eu julgo ter, nunca me levaria a acceitar a Corôa, se aquelle direito não incluisse tambem o dever de reinar, se eu fosse chamado a isso. Que meus partidarios tem feito propaganda em meu favor, é natural ; este facto ligando naturalmente com a neutralidade que não exclue preferencias individuaes na pessoa do futuro Rei, não accarreta prejuizos ao trabalho commum contra a Republica. Os amigos de meu Primo teem como os meus, plena liberdade para a sua acção de propaganda. Mas, como o Conselheiro diz na sua carta, o partido Miguelista é numericamcnte tão insignificante, que uma tal propaganda não deve parecer séria aos adversarios.



Eu, por minha possoa, nunca entendi attrahir elementos ao meu partido, nunca chamei ninguem com a intenção de influenciar as suas convicções politicas, nunca procurei senão os meus partidarios. Do outro lado tambem não me recusei a quem desejava fallar-me. Estou bem com todos os Portuguezes que conheço, e entre elles ha muitos que são firmes e declarados "Manuelistas". Respeito altamente as suas convicções; entendo-me perfeitamente com aquelles que são francos e sempre achei que podemos muito bem trabalhar juntos no terreno commum d'um patriotismo sincero e desinteressado.



Por cartas e pessoas intermediarias procurei varias vezes obter informações sobre os planos de acção do Snr. Dom Manuel e do Comité de Londres. Nunca recebi respostas claras, deixaram-me n'uma ignorancia completa do que lá propunham fazer. Ninguem póde exigir de mim que fique com as mãos cruzadas emquanto vejo os desastres imminentes para a Patria e cada dia augmentando os males dos meus compatriotas. É isso a única razão por que continuei da minha parte os trabalhos, bem pequenos desgraçadamente, especialmente por falta de fundos sufficientes. É verdade que muitas pessoas vieram - de motu proprio - offerecendo-se de trabalhar comnosco, pretendendo que o Comité de Londres não trabalhava activamente e que esperava pela intervenção extrangeira. Estas pessoas pertenciam a varios grupos politicos.



As acções emprehendidas no paiz mesmo por particulares e grupos politicos, não estão submettidas ao Comité de Pariz e por isso no podem ser julgadas como provenientes d'aquelle grupo. O chamado " plebiscito " de que falla na sua carta, tambem não é invenção do Comité de Pariz. Esta palavra mal escolhida veio de lá dentro para fóra e parece-me significar a expressão do desejo de pessoas anti-republicanas, de varios grupos, de serem chamados a terem um voto no momento de se derrubar a Republica, no estabelecimento do novo regimen.



Referindo-me ainda aos trez pontos, ou caminhos, que me propõe na sua carta para decidir a minha attitude deante da situação politica, só posso dizer que, até agora, o ponto terceiro é, nas circumstancias actuaes, o unico que, com certas modificações, me parece viavel. Só no caso improvavel que a maioria do paiz se pronunciasse para uma situação " legitimista ", poderia eu mudar de linha de conducta. Mas esta hypothese é puramente platonica.



Como já lhe disse, é-me completamente impossivel declarar que, o que eu toda a vida pretendi ser meu direito, e o que todos os meus partidarios e os do meu Pae declaram como tal durante 80 annos, já não existe. A opportunidade, mesmo no melhor sentido da palavra, não póde ir tão longe.



Parece-me que na minha conducta, até agora, fui coherente com os meus desejos de servir o meu paiz, sem trahir os meus principios e a dedicação quasi centenaria dos legitimistas.



Digo-lhe tudo isso como o podia dizer ao meu mais intimo amigo, sem a menor reserva, porque me parece que lhe devia esta demonstração da minha confiança e gratidão pela tão nobre e leal carta que tanto me commoveu.

Rogo a Deus haja o rneu caro Conselheiro Luiz de Magalhães em Sua Santa Guarda.



Seu muito affeiçoado,



Dom Miguel de Bragança.



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fidalgueiro de cascais
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qua 19 Abr - 11:13:56

Documento:

7º Relatório de Dom Miguel, Duque de Viseu, sobre acontecimentos preparatórios do encontro de Dover (Re. Luiz de Magalhães, páginas 148 e 149).

Relatório do Senhor Duque de Viseu

Relação



sobre as antecedencias da entrevista de Dom Miguel e Dom Manuel em Janeiro

de 1912 e a minha cooperação para a sua realização

Durante o inverno de 1911 a 1912 as pessoas influentes dos dois partidos Monarchicos de Portugal reconheceram a utilidade de uma entrevista entre os Chefes das duas Familias Reaes. As razões que levaram a esta determinação não precisam ser aqui enumeradas. Assim mesmo creio necessario, para o entendimento do que aqui segue, mencionar que do lado dos consultores de Dom Manuel se experimentaram durante mezes passos para dispor Dom Miguel a renuciar aos seus direitos. lsto foi, no entanto, recusado firmemente por Dom Miguel, por razões evidentes. Primeiro que tudo era a sua lealdade para com os seus partidarios que obrigara Dom Miguel a não acceitar tal proposta, sendo-lhe impossivel concilial-a com a sua honra e a sua consciencia. Esta persistente manifestação de Dom Miguel encontra-se exarada em diversas cartas, escriptas então. Aqui só me referirei a uma, de Dom Miguel ao Marquez de Soveral, que eu mesmo levei a Londres. O ponto de vista de Dom Miguel não podia ser exposto mais clara nem mais energicamente do que n'aquella carta. Esta carta chegou ás mãos do Marquez de Soveral dois dias antes da entrevista; portanto os conselheiros de Dom Manuel não podiam ter a menor duvida sobre as determinações de Dom Miguel no ponto em questão. No fim de .Janeiro fui encarregado por meu Pae d'ir a Londres para tratar d'uma entrevista. Nesta deveria haver troca de cartas pelas quaes os dois Personagens mutuamente se transmittiriam os seus sentimentos d'amizade parentesca e as suas firmes intenções para trabalharem juntos para o bem da Patria. Como a questão era de alta importancia, meu Pae deu-me as mais precisas instrucções e auctorizou-me de promover a entrevista e troca de cartas n'estes limites, ficando eu responsavel para o texto das cartas. Parti, pois, para Londres para este fim com o encargo ainda, caso tudo corresse bem, de telegraphar ao meu Pae para elle vir a Dover. Encontrei-me em Pariz com D. A. de Saldanha e partimos juntos para Londres. Estando eu no Hotel occupado a redigir um pequeno rascunho d'uma carta, vieram Couceiro e Pombal ter com D. A. de Saldanha para tratar do assumpto. Ao resto da tarde voltou Couceiro trazendo-nos uma minuta ou projecto redigido por elle. Este projecto, em estylo empolado, continha um ponto que de toda a fórma se referia á renuncia de Dom Miguel aos seus direitos. Eu declarei que nunca consentiria n'esta proposta. Objectaram-me que Dom Manuel já tinha dado o seu consentimento á proposta. Respondi que não era isso motivo para que não fosse acceita differente proposta. Todo o estylo da carta não me agradou: não concordava nada com as phrases bellas e claras e ao mesmo tempo simples de que meu Pae se tinha servido. Depois de muitos debates para cá e para lá, tomei a resoluçâo, - não querendo melindrar Couceiro, - de conservar essa minuta assim redigida. Entretanto corrigi e eliminei o que se referia a uma renuncia, mesmo de leve.

Na manhã seguinte Dom Alexandre foi ter com Soveral uma larga conferencia e voltou ao Hotel, trazendo-me a noticia de que, depois de muitas difficuldades, a minha proposta tinha sido acceita: telegraphei então ao meu Pae, que podia vir a Dover. Dom Alexandre partiu para Pariz para alli fallar com meu Pae na sua passagem, enquanto que eu fiquei essa noite ainda em. Londres e parti no dia seguinte para Dover. Ao meio dia fui esperar meu Pae e logo ao saudal-o percebi n'elle que qualquer coisa de desagradavel se tinha passado. Meu Pae perguntou-me logo qual era a razão que me tinha levado a approvar uma carta tão desfavoravel. (Eu tinha tido, por assim dizer, apesar das instrucções, plein pouvoir de terminar a questão como julgaria recto e necessario).

Fiquei altamente surprehendido, tendo consciencia de ter seguido exactamente as intenções de meu Pae. Mostrei-lhe então uma copia da minha minuta, e meu Pae, depois de a ler, disse-me ser completamente differente da que lhe entregaram em Pariz. Com todo o respeito e energia lhe fiz ver que meu Pae deveria escrever a carta textualmente segundo a minha minuta, da qual eu sabia com certeza, pelo resultado das negociações da vespera, ter sido approvada por Dom Manuel. Meu Pae accedeu ás minhas respeitosas observações e escreveu a carta em papel do " Lord Warden Hotel ".

Na mesma occasião li tambem a minuta que meu Pae trouxe de Pariz. O theor d'ella era contrario ás instrucções que eu tinha recebido e o descontentamento de meu Pae ficou-me bem explicado. Á primeira vista não pude comprehender como se tinha introduzido um outro sentido, differente do approvado por mim. Ouvi mais tarde que, depois da partida de Dom Alexandre para Pariz, tinha sido exigida de Richmond outra redacção.

Seguiu-se a entrevista com a troca das cartas e assi findou a minha intervenção n'esta questão.

Como epilogo devo mencionar a razão por que meu Pae na sua carta deu a Dom Manuel o titulo de " Magestade". Á morte de Dom Carlos, tendo meu Pae trocado com Dom Manuel uma correspondencia em que, por cortezia, lhe dava, como Rei de facto, este titulo, eu ousei observar que, visto as circumstancias terem mudado, a repetição d'essa cortezia podia ser mal interpretada. Meu Pae foi, porém, d'opinião que agora, na infelicidade, não lhe devia retirar o titulo que lhe havia dado quando elle estava de posse do throno.

Esta relação é uma exacta exposição dos factos e affirmo sob a minha palavra ser a expressão da verdade.



Vizeu.




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Nuno Cardoso da Silva
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qua 19 Abr - 20:17:37

Todos os textos acima transcritos são conhecidos, estão publicados e, apesar do seu interesse histórico, são totalmente irrelevantes para a questão da actual vacatura do Trono. Não me parece que este forum seja o local indicado para os publicitar. Quem quiser colocar o livro do Conselheiro Luiz de Magalhães na internet devia criar um sítio específico para isso, podendo depois publicitá-lo aqui, para quem o quiser consultar.
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joe war
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Sex 28 Abr - 1:10:29

Apoiado!
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MensagemAssunto: Verdadeiro Duque de Bragança   Sex 7 Jul - 2:18:23

Oi
Minha primeira participação aqui e já será polêmica.
Bem vou começar dizendo que o título de Duque de Bragança não tem nada haver com ser pretendente ao trono português, embora a partir da subida ao poder da Casa de Bragança aconteça esta confusão.
Mas aqui irei tratar apenas do título.
O primeiro Duque de Bragança foi um bastardo chamado D. Afonso filho de D. João I assim os bastardos podem sim serem Duques de Bragança, assim temos que considerar que após a morte de D. Luis Felipe o Duque de Bragança seria seu parente mais próximo no caso D. Manuel II. Bem com sua morte sem descendência há duas hipóteses extinção do título de Duque de Bragança ou transmissão do título a sua irmã bastarda D. Maria Pia que é reconhecida como filha de D. Carlos pela igreja católica, logo é apenas ela que tem todos os direitos a usar o título de Duquesa de Bragança e também pode transmiti-lo a quem quiser como o fez ao renunciar em favor de D. Rosário Poidimani atual Duque de Bragança, assim jamais em tempo algum o senhor D. Miguel II foi Duque de Bragança e nem seus descendentes mesmo porque nem o Rei exilado D. Manuel II o reconhecia, nem qualquer título nobiliárquico pode passar para o primo em sétimo grau no máximo apenas o poderia se o último Duque de Bragança no caso D. Manuel o nomeasse seu herdeiro.
Isto é fato incontestável o uso do título de Duque de Bragança é uma usurpação feita por D. Duarte de Bragança, agora como pretendente ao trono é outra história.


tchau
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carlos borges
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Dom 19 Nov - 23:14:24

Creio que alguns pontos precisam de ser aclarados:

O título de duque de Bragança era tradicionalmente atribuído ao herdeiro presuntivo da coroa, o primogénito. Os filhos secundogénitos que ascenderam ao trono, como D. Pedro II, D. LuísI, ou D. Manuel II, nunca usaram o título. D. Manuel II, caso tivesse filhos, poderia sim transmitia-lo, o que nunca, como se sabe, aconteceu.

D. Miguel I, filho secundogénito de D. João VI, não era duque de Bragança, nem consta que alguma vez tenha usado esse título, contrariamente ao que consta no "Genea"...

Na qualidade de rei, podia no entanto transmitir o título ao filho, D. Miguel (II). Este só o reivindicou publicamente, em 1911, quando já a República estava implantada, o título estava em vacatura e D. Manuel II, sem filhos, também ele se encontrava em situação de exilado.

Creio que D. Miguel (II), na qualidade de primogénito de um rei de Portugal ( não cabe aqui discutir se legítimo ou não) podia pois transmitir o título a D. Duarte Pio, como foi reconhecido e aceite pela generalidade das organizações monárquicas em 1932.
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carlos borges
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Dom 19 Nov - 23:17:01

Onde se lê "D. Duarte Pio", leia-se "D. Duarte Nuno".

Obrigado.
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mdsantiago
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Ter 21 Nov - 11:58:07

Carlos Borges

Neste momento e atendendo ao consenso que entretanto se criou em relação ao papel das cortes numa futura possivel sucessão, esse tema que poderá ser interessante passou a ser, no meu entender claro, irrelevante.
Para efeitos de sucessão o titulo de Duque de Bragança vale tanto como o titulo de Duque da Ribeira.

grato

MDS
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carlos borges
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Ter 21 Nov - 16:30:49

mdsantiago escreveu:
Carlos Borges

Neste momento e atendendo ao consenso que entretanto se criou em relação ao papel das cortes numa futura possivel sucessão, esse tema que poderá ser interessante passou a ser, no meu entender claro, irrelevante.
Para efeitos de sucessão o titulo de Duque de Bragança vale tanto como o titulo de Duque da Ribeira.

grato

MDS

Estou absolutamente de acordo consigo.
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dudu
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qua 20 Dez - 0:04:38

O Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança é filho dos Duques de Bragança, Dom Duarte Nuno, neto de D. Miguel I e Dona Maria Francisca de Orleans e Bragança, Princesa brasileira, trineta de D. Pedro IV. Por causa da Lei do Banimento nasceu exilado na Suíça, mas em território português: na Embaixada de Portugal em Berna, a 15 de Maio de 1945. Teve por padrinhos Sua Santidade o Papa Pio XII e por madrinha a Rainha Dona Amélia de Orleans e Bragança.

Após o regresso a Portugal da Família Real nos anos 50, estudou no Colégio Nuno Álvares (Caldas da Saúde) em Santo Tirso entre 1957 e 1959. Em 1960 ingressou no Colégio Militar em Lisboa, prosseguindo os seus estudos no ISA - Instituto Superior de Agronomia e mais tarde no Instituto para o Desenvolvimento na Universidade de Genebra.

Cumpre o serviço militar em Angola como Tenente Piloto Aviador da Força Aérea entre 1968 e 1971. Em 1972 organizou com um grupo multiétnico angolano uma lista independente de candidatos à Assembleia Nacional, iniciativa que terminou com a sua expulsão do território angolano, por ordens do Primeiro Ministro. Foi também expulso por motivos políticos, nessa época de S. Tomé e teve problemas em Timor.

Conheceu em profundidade todas as Províncias Ultramarinas, estabelecendo relações de amizade em particular com chefes tradicionais e lideres espirituais das várias religiões.

Desenvolveu actividades como Presidente da Campanha “Timor 87”, campanha nacional da apoio a Timor aos Timorenses residentes em Portugal e noutros países, iniciativa que teve o mérito de dar um maior destaque à Causa Timorense. Sob a presidência da Senhor Dom Duarte participaram dessa campanha numerosas personalidades, como a Senhora D. Maria Cavaco Silva, mulher do então Primeiro-Ministro Português; Dr. Isaltino Morais, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Dr. João Soares, ex-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa; o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas e representantes das duas Centrais Sindicais Portuguesas: Intersindical e UGT – União Geral de Trabalhadores, conseguindo a construção de um bairro de quarenta casas para Timorenses desalojados. A Fundação Dom Manuel II enviou ajudas para Timor durante vários anos no valor de várias centenas de milhares de contos.

Actualmente é membro do Conselho da CONFAGRI, Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e de Crédito e Presidente da Fundação Dom Manuel II; da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Nelas, sendo também Presidente Honorário da Prémio Infante D. Henrique, cujo Presidente Internacional é S.A.R. o Duque de Edimburgo, programa que em Portugal abrange mais de 4 000 jovens...

É Grão Mestre da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Grão Mestre da Real Ordem de São Miguel da Ala e Juiz da Real Irmandade de São Miguel da Ala, Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção da Ordem Soberana Militar de Malta e possui o Tosão de Ouro, com que foi agraciado pelo Arquiduque Otão de Habsburgo, entre outras ordens com que foi agraciado.

O Duque de Bragança está ligado por laços familiares com várias Casas Reais e Ducais da Europa e nomeadamente: Bourbon Duas Sicílias, Baviera, Luxemburgo, Áustria-Hungria, Bélgica, Liechenstein, Itália e Casa de Thurn und Taxis.

Visitou a República Popular da China a convite da Associação Chinesa da Amizade, e a nível particular várias vezes.

Casou em 13 de Maio de 1995, com a Senhora Dona Isabel de Herédia, e é pai de:
Dom Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira, nascido a 25 de Março de 1996 e baptizado em Braga a 1 de Junho de 1996,
Dona Maria Francisca nascida a 3 de Março de 1997 e baptizada em Vila Viçosa em 31 de Maio de 1997,
Dom Dinis nascido a 25 de Novembro de 1999 e baptizado no Porto em 19 de Fevereiro de 2000.
É UM HOMEM DE GRANDES VALORES, RECONHECIDOS PELO POVO PORTUGUES, agora espero que meditem e pensem, perferem uns CROMOS como REIS????
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Nuno Cardoso da Silva
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qua 20 Dez - 1:23:16

Citação :
Após o regresso a Portugal da Família Real nos anos 50, estudou no Colégio Nuno Álvares (Caldas da Saúde) em Santo Tirso entre 1957 e 1959. Em 1960 ingressou no Colégio Militar em Lisboa, prosseguindo os seus estudos no ISA - Instituto Superior de Agronomia e mais tarde no Instituto para o Desenvolvimento na Universidade de Genebra.

Os curricula são sempre coisas muito interessantes, mas nem sempre muito exactas...

A passagem pelo Colégio Militar acabou no 5º ano do liceu, por razões de aproveitamento académico. No ISA não chegou a fazer o 1º ano, o que denota algumas dificuldades académicas. Na Suiça sei que frequentou os estudos referidos, mas não se lhe conhece qualquer grau académico...

Citação :
Em 1972 organizou com um grupo multiétnico angolano uma lista independente de candidatos à Assembleia Nacional, iniciativa que terminou com a sua expulsão do território angolano, por ordens do Primeiro Ministro. Foi também expulso por motivos políticos, nessa época de S. Tomé e teve problemas em Timor.

Acompanhei D. Duarte nessa viagem e sei que não organizou nenhuma lista independente de candidatos. Falou-se no assunto, mas não havia receptividade entre as pessoas contactadas, pelo que ficou em águas de bacalhau. A ordem de expulsão que lhe foi dirigida abrangia também a minha pessoa, mas nunca achei que isso valesse referência no meu currículo... Aliás a ordem de expulsão veio do Governador-Geral de Angola e não do Primeiro-Ministro.

Mas enfim, quando se não tem muito para contar, qualquer coisa vale...
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Pedro Reis
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qua 20 Dez - 4:53:21

Pronto vá. Os putos são giros e loirinhos, honra lhe seja feita.
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dudu
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qua 20 Dez - 17:13:25

caro Nuno Cardoso Silva,

se alguem que utiliza qualquer tanga para mandar abaixo a VERDADEIRA CASA REAL PORTUGUESA, gostem ou nao, mas, nem JESUS CRISTO, que era quem era agradou todos, sao voçes, que sao pessoas que nao tem mais nada que fazer do que andar a cuscar "problemas", pois quanto ao curriculo posso-me ter enganado mas o USURPADOR MOR estrangeiro, nem deve ter...
Rezarei por vos!!!

PERDOA SENHOR ELES NAO SABEM O QUE FAZEM!!!
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qua 20 Dez - 18:12:23

A minha questão vai para o velho amigo Dr Cardoso da Silva :

- Quem é que, no âmbito do nosso enquadramento constitucional e político actual, convoca as Cortes Gerais ? Ninguém, suponho ... porque simplesmente não é possível.
E, às voltas com essa questão decisiva, pergunto-me em que circunstâncias, em que pré-condições e em que putativos cenários, seria possível convocar Cortes Gerais. Isto é, gostava de imaginar uma «arquitectura dinâmica», passo a passo, de uma eventual restauração ou, se se preferir, reinstauração da Instituição Real, mas excluindo o caso espanhol que, como se sabe, foi longamente planeado e arquitectado, bem ao invés do Prof. Oliveira Salazar, por Francisco Franco.
Quem, em Portugal, convoca Cortes Gerais ?
A segunda pergunta, é esta :
Sabendo-se que competirá às Cortes Gerais a designação e/ou a aclamação do futuro Rei de Portugal, não temem os Monárquicos que a questão prévia do «sistema» a implementar esteja desde logo inquinada pelas razões exactas que os dividem, afogando as Cortes em infindável debate e, por fim, em trágica inocuidade e inconsequência ?
É que parece-me que sem uma clara visão antecipativa, consensual e amadurecida, os debates de hoje - e desculpem-me a expressão - acabam por participar naquilo mesmo que Tradicionalistas e Cartistas ou Constitucionais denunciam nos sistemas republicanos : uma «intestinal monárquica» que nunca mais acaba ...
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Nuno Cardoso da Silva
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qua 20 Dez - 22:06:29

Caro MacMahon,

Tem muita razão no que diz. Mas acho que a ordem em que as coisas se deviam passar seria a seguinte:

1. Reconhecimento da Monarquia como o regime que melhor interessaria Portugal (via referendo ou intervenção das Forças Armadas).

2. Promulgação de um texto costitucional provisório, que defina a forma de eleição de Cortes Constituintes.

3. Eleição das Cortes Constituintes.

4. Elaboração de uma Lei Fundamental que inclua a Lei de Sucessão.

5. Designação, pelas Cortes Constituintes do primeiro Rei da 5ª Dinastia.

6. Aclamação e entronização do Rei.

7. Referendo sobre a Lei Fundamental.

8. Eleições para as Cortes e designação do Governo.

O que é complicado é articular todas estas etapas. Nomeadamente a opção pela Monarquia já deveria pressupor alguma ideia da forma de organização do Estado em Monarquia.
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macmahon
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qui 21 Dez - 2:02:26

Caro Dr Cardoso da Silva :

Muito grato por estes oito pontos ou etapas.
Fica assim clara essa "mecânica inicial". Escreve o Dr Cardoso da Silva que "a opção pela Monarquia já deveria pressupor alguma ideia da forma de organização do Estado". É também a minha firme opinião. Julgo mesmo que é um detalhe do tamanho do Regime que vai a referendo, não acreditando eu que, excepto por convulsão externa com poderosas repercussões em Portugal, as Forças Armadas mexam uma palha ou até que pretiram a República. O ponto é portanto mesmo esse :
Como se apresentam os Monárquicos a referendo, ou ante as Forças Armadas ? Hoje, aqui e agora ?

Um abraço para si.
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Valdez
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qui 21 Dez - 15:48:13

Nuno Cardoso da Silva escreveu:
Caro Rodrigo Matias,

Não é a minha área de especialidade mas acho que um título nobiliárquico de juro e herdade é transmitido como qualquer bem, por herança, não precisando de confirmação régia. Sobretudo se não houver Rei para fazer essa confirmação. O título de Duque de Bragança não está vinculado à Casa Real, pois já existia antes dos Duques de Bragança serem também Reis. Logo, o último Duque de Bragança foi D. Manuel II - quer ele tenha ou não usado esse título -, pelo que o Duque seguinte seria o seu parente mais próximo. Julgo que esse parente, à morte de D. Manuel II, seria D. Duarte Nuno. A partir daí a transmissão do título far-se-ía da forma habitual. Também é possível que os herdeiros legítimos do título de Duque de Bragança sejam os Braganças americanos, já que não me parece que o título não possa passar para um estrangeiro, mas não tenho a certeza disso.

Só agora reparei neste post:

Sr. Professor em 1992 o Tribunal da Sacra Rota Roma, valida o certificado de batismo de D. Maria Pia Saxe Coburgo e Bragança, através de uma sentença Rotal, com todo o seu conteúdo onde se incluiem os dizeres do Rei D. Carlos, que reconhece/ legitima a filha e lhe concede todos os previlégios de princesa da Casa de Bragança.

Sendo D. Maria Pia irmã germana de D. Manuel II obviamente que é sem dúvida alguma a herdeira do titulo de duquesa de Bragança.

Repare que numa monarquia Católica Apostólica Romana é o papa, a igreja que concede o trono aos reis, e o Tribunal da Rota Roma, decretou uma sentença inequivoca a favor de D. Maria Pia.

Até que enfim que se começa a fazer luz.

Bem Haja e Festas Felizes
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Qui 21 Dez - 20:33:45

valdez escreveu:
Nuno Cardoso da Silva escreveu:
Caro Rodrigo Matias,

Não é a minha área de especialidade mas acho que um título nobiliárquico de juro e herdade é transmitido como qualquer bem, por herança, não precisando de confirmação régia. Sobretudo se não houver Rei para fazer essa confirmação. O título de Duque de Bragança não está vinculado à Casa Real, pois já existia antes dos Duques de Bragança serem também Reis. Logo, o último Duque de Bragança foi D. Manuel II - quer ele tenha ou não usado esse título -, pelo que o Duque seguinte seria o seu parente mais próximo. Julgo que esse parente, à morte de D. Manuel II, seria D. Duarte Nuno. A partir daí a transmissão do título far-se-ía da forma habitual. Também é possível que os herdeiros legítimos do título de Duque de Bragança sejam os Braganças americanos, já que não me parece que o título não possa passar para um estrangeiro, mas não tenho a certeza disso.

Só agora reparei neste post:

Sr. Professor em 1992 o Tribunal da Sacra Rota Roma, valida o certificado de batismo de D. Maria Pia Saxe Coburgo e Bragança, através de uma sentença Rotal, com todo o seu conteúdo onde se incluiem os dizeres do Rei D. Carlos, que reconhece/ legitima a filha e lhe concede todos os previlégios de princesa da Casa de Bragança.

Sendo D. Maria Pia irmã germana de D. Manuel II obviamente que é sem dúvida alguma a herdeira do titulo de duquesa de Bragança.

Repare que numa monarquia Católica Apostólica Romana é o papa, a igreja que concede o trono aos reis, e o Tribunal da Rota Roma, decretou uma sentença inequivoca a favor de D. Maria Pia.

Até que enfim que se começa a fazer luz.

Bem Haja e Festas Felizes

Para engano seu desde o advento do Liberalismo que quem concede o trono ao Rei são as cortes, mas que ainda assim fosse continuo a dizer-lhe que em Portugal mandam os que cá estão e o Juíz Português que apreciou o caso não reconheceu essa senhora como filha de D. Carlos, logo pare de bater no ceguinho.
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Valdez
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MensagemAssunto: RE   Qui 21 Dez - 21:08:10

Caro Senhor,

Engano seu, nunca D. Maria Pia pediu qualquer confirmação de paternidade via processual em Portugal.

O que ela pediu foi após o seu registo civil em Portugal a devolução dos bens que lhe pertenciam por herança e o Estado vendo que teria de abrir mão de um património enorme, rematou a situação usando do código de Seabra, onde o registo de batismo espanhol não foi aceite, pois tinha de ser nascimento e batismo em Portugal. Assim foi mandado retirar do registo civil o nome do progenitor de D. Maria Pia.

De qualquer forma, por razões de direito nobiliarquico e direito consuetudinário internacional. D. Maria Pia reconhecida pela Rota Roma quer lhe agrade quer não passa a gozar do estatudo de casa reinante em exilio....mas isto seria uma conversa longa e pesada para o meu amigo....

Só espero que também em relação a Duarte a lei seja implacavélmente aplicada, para que as trampolinices sejam desmascaradas e esse senhor possa finalmente ir reinar na terra dele...A SUIÇA!!!!
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Sex 22 Dez - 0:01:59

Valdez

Valdez escreveu:
Nuno Cardoso da Silva wrote:
Caro Rodrigo Matias,

Não é a minha área de especialidade mas acho que um título nobiliárquico de juro e herdade é transmitido como qualquer bem, por herança, não precisando de confirmação régia. Sobretudo se não houver Rei para fazer essa confirmação. O título de Duque de Bragança não está vinculado à Casa Real, pois já existia antes dos Duques de Bragança serem também Reis. Logo, o último Duque de Bragança foi D. Manuel II - quer ele tenha ou não usado esse título -, pelo que o Duque seguinte seria o seu parente mais próximo. Julgo que esse parente, à morte de D. Manuel II, seria D. Duarte Nuno. A partir daí a transmissão do título far-se-ía da forma habitual. Também é possível que os herdeiros legítimos do título de Duque de Bragança sejam os Braganças americanos, já que não me parece que o título não possa passar para um estrangeiro, mas não tenho a certeza disso.


Só agora reparei neste post:

Sr. Professor em 1992 o Tribunal da Sacra Rota Roma, valida o certificado de batismo de D. Maria Pia Saxe Coburgo e Bragança, através de uma sentença Rotal, com todo o seu conteúdo onde se incluiem os dizeres do Rei D. Carlos, que reconhece/ legitima a filha e lhe concede todos os previlégios de princesa da Casa de Bragança.

Sendo D. Maria Pia irmã germana de D. Manuel II obviamente que é sem dúvida alguma a herdeira do titulo de duquesa de Bragança.

Repare que numa monarquia Católica Apostólica Romana é o papa, a igreja que concede o trono aos reis, e o Tribunal da Rota Roma, decretou uma sentença inequivoca a favor de D. Maria Pia.

Até que enfim que se começa a fazer luz.

Bem Haja e Festas Felizes

O que é que isto tem a ver com o que está a ser discutido?

O que é que o que escreveu tem a ver com o que o Dr. escreveu?

Será que sobre o Poidimani o interesse é tão pouco que é preciso aproveitar outros assuntos, esses sim naturalmente importantes e interessantes, para se tentar virar a atenção para o que não nos interessa minimamente, isto é ele?

Se o assunto é assim tão importante e tão interessante, faço-lhe uma proposta. Faça um forum dedicado a este tema onde os eventuais interessados possam ir debater esta questão.

Quer se queira quer não, esta postura de "Cuco" a unica coisa que está a fazer é arregimentar pessoas contra a sua causa. Não sei se já reparou mas o repudio pela sua causa é cada vez mais o unico ponto de unanimidade na Monarquia...

Não deixe que essa unanimidade se transforme em acção.

Grato

MDS
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Sex 22 Dez - 0:54:28

valdez escreveu:
Caro Senhor,

Engano seu, nunca D. Maria Pia pediu qualquer confirmação de paternidade via processual em Portugal.

O que ela pediu foi após o seu registo civil em Portugal a devolução dos bens que lhe pertenciam por herança e o Estado vendo que teria de abrir mão de um património enorme, rematou a situação usando do código de Seabra, onde o registo de batismo espanhol não foi aceite, pois tinha de ser nascimento e batismo em Portugal. Assim foi mandado retirar do registo civil o nome do progenitor de D. Maria Pia.

De qualquer forma, por razões de direito nobiliarquico e direito consuetudinário internacional. D. Maria Pia reconhecida pela Rota Roma quer lhe agrade quer não passa a gozar do estatudo de casa reinante em exilio....mas isto seria uma conversa longa e pesada para o meu amigo....

Só espero que também em relação a Duarte a lei seja implacavélmente aplicada, para que as trampolinices sejam desmascaradas e esse senhor possa finalmente ir reinar na terra dele...A SUIÇA!!!!

Eu parto do princípio que o meu amigo já tenha um ficheiro word com tudo isso escrito, para fazer o copy/paste. É pena é que o encadeamento dos parágrafos deixe de fazer sentido...

A Sra até pode ter pedido um visto de residência para ir trabalhar para as obras que a mim dá-me igual. O resultado não deixa de ser o mesmo a sua paternidade foi anulada em tribunal Português, o resto é demagogia e andar em círculos.

Seja lá coerente por uma vez. Se pelas suas palavras um é suiço e o outro é de facto siciliano, qual é a diferença?

Quanto ao seu Rota Roma que já me começa a irritar um tudo nada, leia lá em voz alta.

"In February 1972 the case between Duarte Nuno and Maria Pia moved up to the Sacred Roman Rota, the normal appeal court for the Roman Catholic Church. On December 6, 1972 the court found against Duarte Nuno on the grounds that he did not have legal standing in the case, being only the second cousin twice removed of King Carlos. The court did not address the primary question of whether there was sufficient evidence for Carlos being Maria Pia’s father and thus named as such on the baptismal certificateIt did, however, question the necessity of changing a certificate which was over seventy years old.

Had the Roman Rota found in favour of Duarte Nuno, his supporters could have said that the court had determined that Carlos was not Maria Pia’s father. Since the court found against Duarte Nuno, the supporters of Maria Pia were able to say that the court had affirmed the validity of her baptismal certificate and therefore the validity of her claimed parentage – neither of which in fact actually occurred. The court found only that Duarte Nuno did not have the legal standing to bring such a case: "Patres Auditores de Turno ... decreverunt negative, seu non constare de legitimatione actoris ad causam"."

in http://en.wikipedia.org/wiki/Hilda_Toledano
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Sex 22 Dez - 2:27:45

Caro Pedro Reis

Antes de mais parabens!!!

1 tiro 2 coelhos!!!

Cirurgico como é bem num veterinário.

Fogo á peça!!!

MDS
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António Matos
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Sex 22 Dez - 2:56:01

Amigo Pedro

Andava a adiar inscrever-me no fórum e tinha decidido que só o faria depois do doutoramento. A tua participação na questão de Rota Roma foi a ignição para que antecipasse a minha inscrição. Os meus parabéns. Foste certeiro como já te disse Miguel Santiago. Deve ser da profissão que te levou a ser tão cirúrgico, um golpe de bisturi e extirpas dois tumores. Nem o Quim se tinha lembrado disso.

Um grande abraço,

António

Obs. Não tenho 7 mas 3.


Última edição por António Matos em Sex 22 Dez - 3:59:21, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Sex 22 Dez - 2:57:34

Caro Pedro Reis

O António ligou-me a contar este verdadeiro acontecimento.
Começou logo por ser util, uma vez que eu aproveitei logo para "molhar a sopa" em relação ao SPAM que por aqui tem andado.

Por causa do SPAM tinha "passado á reserva", mas mesmo assim não podia deixar de te vir dar os parabens.

Se calhar vou fazer mais uma comissão...

Parabens!!!

Joe
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Sex 22 Dez - 3:07:57

Pedro Reis

Vi na bola que terá um futuro brilhante!!!

Que supless!!!

A bola diz (e está bom de se ver...) que.... o seu destino está cheio de animais que se atravessam no seu caminho. Fiquei assustado!... até ver que é veterinário!

TXAU PELEBE!

DIMAGIO
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MensagemAssunto: Re: Será Duarte de Bragança um usurpador?   Hoje à(s) 10:53:56

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