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 Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?

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José Tomaz Mello Breyner
Almirante do Império
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MensagemAssunto: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Seg 12 Fev - 12:21:33

Pode uma derrota transformar-se numa vitória?
Pensava nisso enquanto perdia algum tempo, contra os meus hábitos, a escutar o que se dizia na televisão no rescaldo do referendo de hoje.
Que fique bem claro que sinto que se perdeu uma oportunidade valiosíssima que a ter sido aproveitada teria grandes repercussões, interna e externamente.
Com este resultado, mais arrastada e prolongada fica a guerra, já de si naturalmente longa, em que esta batalha se insere. Que ninguém se iluda: a "agenda social" não vai parar, porque dela vivem projectos políticos que a têm como programa. A curto prazo temos já marcada em Lisboa mais uma arrancada da campanha para a "legalização das drogas leves". Pelo que entendi de certas referências, também não teremos que esperar muito pelas campanhas pelo direito ao casamento dos homossexuais, pelo direito à adopção por parte das parelhas homossexuais, pela "morte assistida nos hospitais"... etc., etc., e o mais que se verá.
A terminologia militar, com campanhas, batalhas, guerras, tácticas e estratégias, não sou eu que a invento - mas não me parece desadequada.
Quanto ao aborto, a luta vai transferir-se agora para a Assembleia da República e depois necessariamente para o Tribunal Constitucional.
Quem hoje ganhou vantagem não deixará de tentar alargar a porta que julga ter aberto, e quem a isso se opõe não poderá ficar de braços cruzados.
Estamos portanto no início de uma confrontação duradoura, e não de um final que está longe de estar à vista.
Mas poderá uma derrota transformar-se em vitória?
Curiosamente, entre aqueles que com convicção me acompanharam nestes últimos tempos não encontrei nesta noite ninguém vencido ou convencido. Todos sentiam a mágoa e a derrota, mas vencidos ou convencidos não havia. Pelo contrário, pareceu-me que, ao fazer o balanço destes trabalhos em que voluntariosamente nos lançámos, todos se reforçavam no seu sentimento de que estivemos certos, e estivemos bem. Todos partilhavam o orgulho de uma mobilização ímpar na sociedade portuguesa, feita de generosidade, de espontaneísmo e dedicação, inteiramente desligada das máquinas partidárias e da nomenklatura dirigente, toda assente em redes informais que mergulham as suas raízes exclusivamente no corpo social.
Poderá uma derrota transformar-se em vitória?
A realidade dos números não me parece difícil de explicar. O acréscimo de votação verificada traduziu-se efectivamente numa mobilização do eleitorado que quis dizer Sim. O lado do Não conseguiu mobilizar as suas forças, mas não conseguiu ultrapassar e extravazar os limites demasiado estreitos do eleitorado que já conquistara em 1998. Não verifiquei mas julgo que em números absolutos não houve descida do Não, comparativamente a 1998. Houve queda percentual devido à mobilização eficaz de um eleitorado novo que lhe foi hostil. Ou, dizendo o mesmo de outra forma, o Não foi incapaz de conquistar sectores significativos e decisivos do eleitorado para além do que já lhe era afecto, de modo a alargar o seu campo e garantir a vitória mesmo no caso de aumento da participação eleitoral. Mas vendo bem o que houve de diferente praticamente reduz-se à diferença entre Sócrates e Guterres. Há anos o primeiro-ministro em exercício fazia saber que os seus sentimentos eram pelo Não, e congelava o aparelho partidário mantendo o PS oficialmente fora da disputa. Agora o primeiro-ministro empenhou-se pessoalmente pelo Sim, e empenhou nisso todo o partido. Se somarmos o eleitorado cativo da extrema-esquerda, do PCP e do PS (este tinha da outra vez engrossado a abstenção), considerando os números normais em legislativas, vemos que não é difícil encontrar o número de votantes que deu neste referendo a vitória ao Sim.
Deste ponto de vista a vitória do Sim pode ser vista como uma vitória dos aparelhos partidários, contra as forças dispersas do Não que tinham por si apenas organizações avulsas de cidadãos anónimos e instituições particulares surgidas fora do Estado e longe dele.

Poderá uma derrota transformar-se numa vitória?
Depende de nós próprios. O debate que se travou, é visível que não o perdemos. Nota-se até nos discursos ora cautelosos ora atabalhoados dos que em princípio saíram vencedores, mas que parecem não saber o que fazer com esta vitória.
Os que votaram Não, votaram por convicções. Muitos dos que votaram Sim, e mais do que os que o fizeram por convicção, foram votar levados atrás de bandeiras e de dependências várias, umas psicológicas e outras piores. O nosso foi um voto livre de pessoas livres; grande parte do Sim desconfio que não o foi.
Temos que permanecer, e reforçar a cadeia que tornou possível este combate. Reforçar as nossas trincheiras, alargar, sistematizar e aprofundar o trabalho a todos os níveis na sociedade. Conquistar a opinião, porque os que ganharam agora só se limitaram a recolher o que já estava maduro.
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IzNoGuud
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Seg 12 Fev - 13:35:30

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
...a "agenda social" não vai parar, porque dela vivem projectos políticos que a têm como programa. A curto prazo temos já marcada em Lisboa mais uma arrancada da campanha para a "legalização das drogas leves". Pelo que entendi de certas referências, também não teremos que esperar muito pelas campanhas pelo direito ao casamento dos homossexuais, pelo direito à adopção por parte das parelhas homossexuais, pela "morte assistida nos hospitais"... etc., etc., e o mais que se verá....

LOL, o amigo é demais... mas alguma vez estiveram paradas tais questões?

Olhe no Política-Monárquica há muito que se tem debatido a questão dos Casamentos Homosexuais e até da Eutanásia, a qual infelizmente ficou relegada para 2º plano com a questão do referendo sobre a IVG na mesa.

Aproveite e vá abrindo por aqui uns espaços de debate para essas questões, participação não deve faltar.

Um abraço,

IzNoGuud
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Seg 12 Fev - 19:46:34

IzNoGuud escreveu:
no Política-Monárquica há muito que se tem debatido a questão dos Casamentos Homosexuais e até da Eutanásia, a qual infelizmente ficou relegada para 2º plano com a questão do referendo sobre a IVG na mesa.

Aproveite e vá abrindo por aqui uns espaços de debate para essas questões, participação não deve faltar.

Um abraço,

IzNoGuud

Senhor IzNo

Não me diga que também defende este tipo de casamentos entre gente do mesmo sexo?

E também defende que quando um ser humano está em fase terminal, se lhe dê a injecçãozita?

Você realmente tem cá uns valores...
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Pedro Reis
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Seg 12 Fev - 22:35:29

Não enveredem pela via do exagero. Quem quer respeito dá-se ao respeito.

Friso bem, repenssem as vossas posturas e intervenções.
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Ana Rita Bivar
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Seg 12 Fev - 22:56:05

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Última edição por em Qua 14 Fev - 8:06:32, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Seg 12 Fev - 22:59:05

A Sra vá dar conselhos a quem lhos pedir.

O seu post anterior vai ser apagado às claras por ser ofensivo, despropositado e fora do âmbito do tópico.

Passar bem.
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Ana Rita Bivar
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Seg 12 Fev - 23:09:59

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Última edição por em Qua 14 Fev - 8:07:07, editado 1 vez(es)
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IzNoGuud
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Ter 13 Fev - 13:52:55

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
...Não me diga que também defende este tipo de casamentos entre gente do mesmo sexo?

E também defende que quando um ser humano está em fase terminal, se lhe dê a injecçãozita?

Sim aceito sem qualquer problema como já o demonstrei ao longo de uma muito longa e produtiva discussão no Fórum Política-Monárquica sobre este assunto (Casamento Homosexual).

Acho que a Dignidade de cada um deve ser preservada e dessa forma SE uma pessoa faz tenção de terminar com a sua vida de modo a poder preservar a sua Dignidade, sim aceito-o sem qualquer problema.
Logo... SIM aceito a Eutanásia.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Você realmente tem cá uns valores...

Muito obrigado, também acho. Sempre me foi dito que se deve respeitar tudo e todos e é o que tenho procurado fazer e com sucesso, pelo meu ponto de vista.

Liberdade, Direito de Escolha, Respeito pelas posições dos Demais, Defender os Injustiçados, etc.. Foram os valores que os meus Pais e Avós me ensinaram e os quais tenho seguido, com manifesto orgulho e apoio dos mesmos.

Um abraço,

IzNoGuud
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Ter 13 Fev - 15:52:47

Citação :
Sempre me foi dito que se deve respeitar tudo e todos e é o que tenho procurado fazer e com sucesso, pelo meu ponto de vista.


Senhor IzNo

Queres conhecer o vilão? Põe-lhe a vara na mão. É assim que defino o palermo do IzNo. Tenho aqui no meu local de trabalho um sócio que sem qualquer especie de justificação acaba de ser expulso do forum do palahaço do IzNo. Segundo o Vasco nunca se excedeu (e é verdade, li as interevenções dele) apenas defendeu o seu ponto de vista. E este "ditador" de trazer por casa expulsa-o do forum sem sequer lhe dizer porquê.

Eu sei ele suspeitou que era eu, mas não enganou-se, trata-se do Vasco Cunha Monteiro que me autorizou inclusive a divulgar aqui se necessário o seu télemovel.

Assim agradeço ao palerma do IzNo que não me volte a dirigir a palavra e que se divirta muito a brincar com as 2 meninas no seu forum em que só é permtido debater se se concordar com a "voz do dono".

Claro está que um anormal destes só pode concordar com todas as anormalidades desta vida tais como o aborto, a eutanásia, e o casamento entre maricas.

É esta gentalha, filhos das ervas, sem valores de qualquer especie, com pretensões que quer dizer-nos quais os padrões dos Portugueses. Laughing Laughing Laughing Laughing Laughing
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Pedro Reis
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Ter 13 Fev - 17:51:50

Mas se o assunto é relativo a outro forum porque não resolvem isso via mail, skype ou quiçá no próprio?

Isto da internet é muito bonito e tal, mas fico curioso se haveria o mesmo peito para se dizer certas coisas, que aqui se escrevem, olhos nos olhos?

Tenham lá calma s.f.f.
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IzNoGuud
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Qua 14 Fev - 14:37:26

Caros amigos,

Como já o disse em outros locais e o amigo JTMB bem o sabe, não gosto de discutir assuntos que apenas dizem respeito ao Fórum Política-Monarquica fora do mesmo.

Mas já agora e em relação ao caso do Sr. Cunha.

José Tomaz Mello Breyner escreveu:
Senhor IzNo

Queres conhecer o vilão? Põe-lhe a vara na mão. É assim que defino o palermo do IzNo. Tenho aqui no meu local de trabalho um sócio que sem qualquer especie de justificação acaba de ser expulso do forum do palahaço do IzNo. Segundo o Vasco nunca se excedeu (e é verdade, li as interevenções dele) apenas defendeu o seu ponto de vista. E este "ditador" de trazer por casa expulsa-o do forum sem sequer lhe dizer porquê.

Eu sei ele suspeitou que era eu, mas não enganou-se, trata-se do Vasco Cunha Monteiro que me autorizou inclusive a divulgar aqui se necessário o seu télemovel...

Como já é hábito e usual por parte do nosso amigo JTMB, o mesmo incorre em algumas incorrecções. Passo a expor:

1º Tendo recaído a suspeita do Sr. Cunha ser um Clone, este viu a sua conta ser suspensa até prova em contrário.

2º O Sr. Cunha foi informado por e-mail, assim que teve a sua conta suspensa, do ocurrido e do que teria de fazer de modo a ver a mesma ser reactivada, continuando por isso a mesma suspensa actualmente.

Tendo sido apenas estes os eventos que levaram à suspensão do Sr. Cunha.

E como não há, no entender da Administração do espaço acima referido, necessidade do recurso a Clones, quando se sabe respeitar os demais, podendo assim cada um expor as suas opiniões sejam estas favoráveis ou não.
Ou seja e para que não restem quaisqueres dúvidas, assumindo cada um o que faz e acatando as penalizações ditadas pela Administração do mesmo espaço aquando da violação dos estatutos do Fórum, os quais têm sido por diversas vezes expostos em diversos tópicos. Não deixando no entanto a Administração de permitir que seja feita uma contra-argumentação, conforme a gravidade da situação, pública ou para o e-mail da Administração. Sendo que caberá a esta e quanto muito se solicitado ao resto do fórum a reavaliação de cada caso.

Ou seja, é política do mesmo espaço a da não tolerância de clones excepto quando for do interesse ou do desconhecimento do Fórum Política-Monárquica.

Sem outro assunto de momento e agradecento o vosso interesse.

IzNoGuud
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José Tomaz Mello Breyner
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Qua 14 Fev - 16:48:22

Senhor IzNo

Nem merece resposta esta sua intervenção, o Vasco existe, não é nenhum clone, não faltou ao respeito a ninguém, limitou-se a participar com toda a correcção no seu forum. Penso que não o voltará a fazer, e eu já lhe pedi desculpa de lhe ter recomendado o seu forum. Acho que o senhor está com a mania da perseguição, e mostra a sua clara vocação de ditadorzeco de 3ª categoria.

E agora faça o favor de não se voltar a dirigir à minha pessoa. O Senhoe enjoa-me
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Valdez
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MensagemAssunto: RE   Qua 14 Fev - 20:04:46

Caro Iz

Realmente aquele forum está na lama.

E o clone está lá e está muito bem....
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António Matos
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MensagemAssunto: Re: Pode uma derrota transformar-se numa Vitória?   Qua 4 Abr - 20:18:26

Caro Zé Tomaz

Já conhece esta? Vem dos Arautos del Rei e da Acção Família

CARTA ABERTA DE ACÇÃO FAMÍLIA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, SOBRE A NOVA LEI DO ABORTO

A associação católica Acção Família -- uma das entidades que tem tido papel destacado na luta contra o aborto -- dirigiu ao Presidente da República uma carta aberta, lembrando que nem o referendo teve validade, nem a aplicação de uma lei radicalmente contrária ao Direito Natural exprime a vontade dos portugueses. Pelo contrário, exprime a vontade de uma minoria e constitui também uma afronta ao espírito do regime democrático que não pode viver do silenciamento e esmagamento de uma parte da sociedade.

Coimbra, 28 de Março de 2007


Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva,

Acaba a Assembleia da República de aprovar uma nova lei do aborto, que foi encaminhada a Vossa Excelência para promulgação ou veto.

A maioria dos portugueses, Senhor Presidente, encontra-se, não sem surpresa e até inconformidade, perante uma das leis mais permissivas da Europa no que diz respeito à prática condenável do aborto, lei esta elaborada por aqueles que, de acordo com as regras da democracia, são, ou deveriam ser, representantes desses mesmos portugueses.

A redacção e aprovação desta lei afrontam o sentir comum do nosso povo. Mais ainda, ao contrário do que, sem pejo, afirmam os que a prepararam, não concretiza tal lei de modo algum a vontade manifestada no recente referendo.

Afirmamos, sem receio, que o nosso País assistiu, durante todo o processo referendário, a uma enorme manipulação dos mecanismos da democracia, a fim de se criar na opinião pública a ideia, ou pelo menos a sugestiva impressão, de que a maioria dos nossos compatriotas deu o seu apoio à lei libertária, sectária e radical que agora foi aprovada.

Não é este o momento de enumerar todos os aspectos dessa enorme montagem política. Bastará enunciar alguns aspectos que, de si, tiram legitimidade à consulta em causa.

Cabe infelizmente reconhecer que durante a campanha que antecedeu o referendo de 11 de Fevereiro, muitos dos adeptos do SIM e – mais grave ainda – diversos ocupantes de cargos oficiais de altíssima responsabilidade, se entregaram à técnica do subterfúgio, da manipulação e até da inverdade. Foram alardeados problemas inexistentes, prometidas solenemente aos eleitores coisas que agora se "esquecem" e negadas muitas outras que agora se tornam lei. Mais ainda, foi dito e repetido à saciedade que o aborto era um mal, uma chaga social a ser combatida. Algo bem diverso da liberalização consagrada na presente lei, que faz do aborto uma prática livre, um negócio propagandeado, um direito ao qual não se devem levantar impedimentos e um serviço pago pelos impostos de todos nós.

O falseamento aberto do debate – reconhecido por inúmeras personalidades no nosso País – retira legitimidade ao resultado do referendo. Porque se é verdade que do total dos que se pronunciaram pelo SIM, um número considerável o terá feito por ser abertamente favorável ao aborto, também é certo que grande número desses eleitores o terá feito porque acreditou de boa-fé nas promessas que lhe faziam crer que o seu voto seria um modo de chegar à diminuição efectiva da prática do aborto.

Além disso, o resultado do referendo, que se tenta agora apresentar como "voto dos portugueses", não foi vinculativo, uma vez que a abstenção superou os 50%. E a análise dos seus resultados demonstra que só 25% dos eleitores manifestou a sua posição pelo SIM, e, como já se disse, não de modo inequívoco.

Mais ainda, vimos a expressão de mais de um milhão e meio de portugueses, que no referendo se opuseram de modo taxativo à liberalização do aborto, ser completamente ignorada pelo Governo e pelos legisladores, negando-se-lhe voz e vez na elaboração da presente lei (a "toque de caixa"!), o que de si constitui também uma afronta ao espírito do regime democrático que não pode viver do silenciamento e esmagamento de uma parte da sociedade.

Senhor Presidente, como todo este quadro está longe do desejo expresso por Vossa Excelência ao convocar o referendo, naquele dia 29 de Novembro do ano passado! Apelou então Vossa Excelência a "um debate sério, informativo e esclarecedor" que transcorresse com "serenidade e elevação". Considerou que constituía razão suficiente para que os cidadãos fossem chamados a pronunciar-se e a decidir, o facto de o aborto constituir um problema que continua a suscitar um vivo debate no seio da sociedade portuguesa, aliado ao facto de ser uma matéria que possui profundas implicações no plano ético.

Ora, Senhor Presidente, estas mesmas razões enunciadas solenemente por Vossa Excelência naquela data, só podem conduzi-lo, a nosso ver, a vetar a presente lei. De facto, está muito longe de se poder afirmar que a manifestação dos portugueses foi inequívoca em prol da liberalização do aborto. Mais ainda, a presente lei ultrapassa até qualquer sentido do voto expresso.

E se o aborto, no dizer de Vossa Excelência, era um tema que suscitava um vivo debate no seio da sociedade portuguesa, uma vez aprovada a presente lei, passará a ser um tema que a dividirá profundamente.

Vossa Excelência manifestou há pouco tempo preocupação pelas fracturas surgidas na sociedade portuguesa a respeito do debate sobre o aborto.

Temos a certeza de que a sociedade portuguesa ficará irremediavelmente fracturada enquanto forem possíveis manipulações dos instrumentos do Estado de Direito democrático, como as ora verificadas; enquanto a elaboração de leis neste País afrontar de tal modo os autênticos anseios do nosso povo; enquanto a inviolabilidade do direito à vida dos seus filhos inocentes for desrespeitada, em afronta ao espírito da nossa Constituição, aos mais básicos pilares morais e éticos de qualquer sociedade civilizada, e, sobretudo, à Lei de Deus!

Por todos estes motivos pedimos-lhe com empenho, Senhor Presidente, enquanto garante das instituições e da ordem constitucional, que vete a presente lei, evitando deste modo a liberalização do aborto e alcançando assim um verdadeiro consenso em torno do valor inviolável da vida humana.

Como leigos católicos que somos, rogamos a Nossa Senhora de Fátima, neste nonagésimo ano das suas aparições, que o assista neste momento histórico, para que não deixe Vossa Excelência, como Supremo Mandatário da Nação, de estar à altura da elevada missão de conduzir o Estado português pelas vias da ordem e da paz.

José Carlos Sepúlveda da Fonseca
Director de Campanha da Acção Família
Acção Família
Rua Filipe Terzi, 55, 3ºDto.
3030-014 COIMBRA
Tel: 239 112 319 // Fax: 239 780 485
Correio electrónico: accaofamilia@netc.pt
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