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 Olivença

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Capitão de Mar e Guerra
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MensagemAssunto: Olivença   Qui 11 Jan - 12:35:45

Caros amigos,

Chegou à minha atenção uma situação que me deixou perturbado. O Município do Cadaval vai, este sábado 13 de Janeiro, assinar um acordo de geminação com o Ayuntamento de Olivenza.
Não reconhecendo o governo português a soberania espanhola sobre Olivença, como pode uma Câmara portuguesa assinar um acordo com a entidade que substancia a ocupação ilegal do mesmo?
Este acto que constitui um atropelo à Constituição e ao direito internacional deve ser combatido por todos. Para esse efeito apelo à participação e divulgação da petição que entretanto lancei para este efeito em http://olivencaportugal.no.sapo.pt.

Obrigado pela atenção!
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Diogo Ventura
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 13 Maio - 0:16:58

Dr. Carlos Luna em Badajoz.
Citação:
«Estive em Badajoz, no lançamento do "Guerra de las Naranjas", de um francês, tradução do Limpo. Notei o ar de espanto da oliventinaria do costume quando me viram. Tudo sem novidade. Fiquei com a morada da neta do francês que escreveu o livro. O desespero da oliventinaria era cómico, pois eles NÃO FALAM FRANCÊS. Notou-se que estavam incomodados por eu prometer enviar à senhora uns documentos, pois percebi que lhe tinham feito uma LAVAGEM AO CÉREBRO. A senhora fala (mal) castelhano.
O Limpo reafirmou que Godoy tinha feito um grande trabalho, por ter concluído a construção da Espanha, "DEVOLVENDO-LHE" Olivença. Por outro lado, referiu que Portugal ainda reclamava Olivença, isto é, que não eram só "grupos" que o faziam (ele não disse isto, mas subentendia-se)»
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 13 Maio - 0:28:11

RAZÕES PORTUGUESAS
A QUESTÃO DE OLIVENÇA: UMA VISÃO PORTUGUESA
por CARLOS EDUARDO DA CRUZ LUNA
Publicado na Revista "O Pelourinho",Badajoz, Abril 1999

Confesso que me sinto um pouco apreensivo ao começar a escrever esta visão portuguesa sobre a tão discutida "Questão de Olivença". Isto porque os preconceitos e, vamos lá, os disparates e medo que rodeiam esta problemática a tornam de difícil análise sem suscitar risos de troça, entusiasmos, ou gestos de raiva.
Talvez um artigo como este, desassombrado e directo, seja o melhor caminho para se discutir esta questão com mais respeito e menos agressividade, o que não quer dizer que se acabem com os argumentos, nem com a paixão posta neles. Antes pelo contrário !!!
Vou mesmo citar alguns dos argumentos e opiniões mais despeitados. Peço que me leiam como um Português Médio, conhecedor da Questão Oliventina segundo os Argumentos Portugueses, irritado com algumas das afirmações espanholas mais ouvidas e que mais considera erradas. A frontalidade, nestes casos, é, às vezes, uma boa forma de cura!
Falar de Olivença é falar de algo que dói. O Português, em geral, teme a Espanha, e desconfia das intenções desta em relação a Portugal. Olivença é a expressão mais sentida desses receios.
Os disparates não tardam. Muita gente crê que Olivença foi trocada por Campo Maior. Isso é uma falsidade histórica, alimentada pela Ditadura. Olivença e outras localidades passaram para Portugal em 1297, pelo Tratado de Alcañices. Outros povoados passaram então para Castela-Leão.
Depois, há quem afirme que Olivença é tipicamente espanhola e os seus habitantes puros espanhóis. Evidentemente que, face às autoridades espanholas, isso assim será. Contudo, consultar uma Lista Telefónica e ler a enorme quantidade de apelido portugueses em Olivença, ou ir à Localidade e encontrar quase só Monumentos Portugueses, construídos entre os Séculos XIII e XVIII, não contribuem para convencer um Português. Pelo contrário, convence-se que algo, nessa história, não bate certo.
Impressiona o esforço de alguns para inventar uma Olivença na História de Espanha. Ora, ela não existiu, a não ser em conflitos, na História da Maior Nação Ibérica. Toda a História de Olivença faz parte da História de Portugal, nas suas glórias e fraquezas. Olivença e o oliventino são, em Espanha, segundo uma visão portuguesa, uma presa de guerra. Claroque um oliventino não é discriminado. Mas sabe-se que já o foi e, de qualquer forma, o que é, actualmente, não o pode transformar num descendente de antigos espanhóis, porque ele é, e sempre, um descendente de Portugueses.
Diz-se que o Português falado em Olivença é um "chaporreo", um mau português. Só que, como essa forma de falar é comum a meio milhão de Portugueses do Alentejo, está-se a chamar errada à maneira de falar de muita gente. Em Portugal, não se fala só Português de Lisboa!
Ouve-se que em Espanha se vive melhor, e que o oliventino não quer ir de cavalo para burro. Esse rgumento, para além de ser uma forma interesseira de patriotismo, não tem em linha de conta que as situações económicas de Portugal e Espanha têm variado ao longo dos séculos, e que ninguém sabe, dentro de vinte ou trinta anos, como estará esse equilíbrio. E não digam a um Português que a Espanha, sendo maior, tem mais desenvolvimento! A Suíça, a Holanda, a Bélgica, a Áustria, são países menores que Portugal mas mais avançados do que a Espanha. Também esta, um pouco maior que o Japão, está bem atrás deste!
Entre outros argumentos, diz-se que, em 1815, as poucas linhas dedicadas pelas grandes potências à questão de Olivença não obrigam claramente a Espanha a devolver o Território. Só que as poucas linhas dão, inicialmente, razão a um outro documento, onde se conclui ser ilegal a ocupação espanhola. Só a leitura completa dos documentos permite compreender o alcance das tais poucas linhas. E, não esqueçamos, a Espanha assinou as resoluções de então, ainda que só em 1817 por causa de questões italianas.
Talvez o que mais indignação cause em muitos portugueses sejam os argumentos simplistas, quase primitivos, e a dualidadede critérios, usados por alguns estudiosos e políticos espanhóis. Vejamos alguns.
Ouve-se dizer que Olivença é espanhola porque fica na margem esquerda do Guadiana. Ora, também o ficam as localidades portuguesas de Mourão, Moura, Serpa, e Barrancos, e isso não constitui óbice a que sejam reconhecidamente portuguesas. Por outro lado, sendo este argumento simplista, é tentador fazer um pouco de humor, e lembrar que ficam na margem DIREITA do rio em questão (e, portanto, pela lógica apresentada de que a Portugal cabe só a margem DIREITA do Guadiana) muitas localidades espanholas. Mérida, por exemplo. Levar este raciocínio às últimas consequências poderá levar a conclusões absolutamente hilariantes.
Também se diz que Olivença era um enclave português em terra espanhola, esquecendo-se que há outros territórios em igual situação. Barrancos, vila Portuguesa, ou Cedillo ou Baroncelli, vilas espanholas. Além disso, como um enclave muitas vezes subentende um enclave correspondente do lado contrário, resta provar se Olivença era um enclave Português ou se, em alternativa, eram Alconchel e Cheles um enclave espanhol entre as localidades portuguesas de Olivença e Barrancos. Será que as fronteiras entre Portugal e Espanha deveriam ser traçadas em linha recta? Ou, se os enclaves devem ser eliminados, o que vai suceder à catalã Llívia, encravada no Rossilhão francês? Como é possível, com seriedade, aceitar argumentos destes?
Discutir problemas com alguma racionalidade é uma coisa. Outra coisaé troçar da inteligência de cada um.
Alguns exemplos de dualidade de critérios? Também os há. Diz-se, por exemplo, que o Tempo resolveu o problema, desde 1801 até hoje (1999). Como pode um Português levar isto a sério, sabendo que a Espanha reclama Gibraltar, ocupada desde 1704? Estamos claramente diante de uma dualidade de critérios... acrecendo ainda que, considerando o Tempo como legimitador de ocupações, correremos o risco de assistir a anexações por todo esse mundo fora, bastando apenas que a anexação se prolongue no tempo para a tornar legal. Que campo favorável fica assim aberto a todos os imperialismos deste planeta!!!
O plebiscito em Olivença é muitas vezes proposto para resolver a questão. Aparentemente democrático, não o é porque se verificaram cerca de 170 anos de colonialismo. Até à décda de 1930, Portugal propôs plebiscitos em Olivença. O Estado Espanhol nem sequer resposta dava. Entretanto, uma educação exclusivamente espanhola moldava as mentalidades. Na época franquista, ser pró-português era inviável. Em mais de cem anos, castrou-se cultural, historica, e linguisticamente um povo, ao ponto de membros deste povo se envergonharem de si mesmos e da língua ancestral. Actualmente, depois da castelhanização desenfreada de muitos e muitos anos, já se considera aceitável o plesbicito. É evidente que, sem um período de informação/formação de algumas dezenas de anos, e sem estarem claramente garantidos os níveis de vida e Assistência Social adquiridos entretanto pelas populações, um plesbicito não pode ser considerado válido.
Mas ainda há mais! Ouçamos Abel Matutes (Ministro espanhol dos Assuntos Exteriores), a propósito de Gibraltar, em 26 de Setembro de 1997, não esquecendo que naquela colónia britânica 99% da população votou por continuar a ser governada por Londres: "Gibraltar é uma situação colonial por resolver (...); supõe um atentado contra a integridade territorial espanhola e não lhe é aplicável o Direito à Autodeterminação (...). O Território de Gibraltar era parte integrante de Espanha(...). (Prometo aos gibraltinos...)...uma oferta muito generosa que, depois da integração de Gibraltar em Espanha, permitiria aos actuais habitantes desta colónia conservar nos aspectos fundamentais a sua actual situação económica e jurídica."
(Note-se ainda que, se a anexação de Gibraltar foi, e infelizmente, mais ou menos legal, Olivença é vista como estando ILEGALMENTE ocupada desde 1807, ou 1815-1817. Todas as administrações em Olivença desde, pelo menos, 1817, são consideradas pelo Estado Português como ilegais!)
As palavras de Abel Matutes deixam muitos portugueses estupefactos, pois está-se perante o que consideram uma escandalosa, quase hipócrita, dualidade de critérios. Penso que não será preciso explicar detalhadamente porquê...
Há responsáveis que dizem que Olivença não tinha importância nos tempos portugueses. Isto é uma falsidade histórica, pois Olivença era a décima terceira cidade portuguesa no século XVI. Basta ver o Património Monumental Português em Olivença para se compreender que tal afirmação não pode ser verdadeira. E, como diz a História de Extremadura da Bibl. Pop. Extr. de 1993, "Em 1801, o território extremenho ver-se-ia repentinamente aumentado com a IMPORTANTE cidade de Olivença - ENTÃO TÃO GRANDE E POVOADA COMO BADAJOZ - conquistada a Portugal (...)". (trad. do espanhol)
Ouve-se também o argumento de que Olivença já tinha sido espanhola antes de ser portuguesa em definitivo em 1297. Ora, esta povoação e o seu termo (que incluía mais ou menos Táliga) tinham então pouca importância, como aliás outras povoações castelhanas e portuguesas, em virtude da indefinição de fronteiras. Só depois de 1297 as povoações então tornads de vez portuguesas e castelhanas foram de facto verdadeiramente povoadas e organizadas.
Este argumento dá a entender que a anexação espanhola de 1801 foi uma "recuperação de território". Ora, e dentro da LEGALIDADE, a Olivença de então era totalmente diferente da de 1297, quando seria uma aldeia, talvez fortificada em tempos, com quiçá duzentos habitantes. Após quinhentos anos de vivência LEGAL portuguesa, falar em recuperação é um contra-senso. Aliás, os apelidos oliventinos, mesmo nos nossos dias, são esmagadoramente portugueses... mesmo após a espanholização administrativa geral que sofreram.
Aprofundemos um pouco este aspecto. Imaginemos que Portugal ocupava Valéncia de Alcántara, que foi sua antes de 1297, e que, apesar de por um qualquer tratado ter de a devolver a Espanha, mantinha a localidade sob o seu domínio dizendo que tinha sido portuguesa até 1297! Como toda a vida organizada de Valéncia, bem como o seu povoamento, foram leoneses/castelhanos/espanhóis, mesmo porque em 1297 houve troca de populações, este argumento pecaria por ridículo ! LEGALMENTE espanhola desde 1297, Valéncia de Alcántara não podia ser alvo de uma tal argumentação, por ser absurda!
Também se diz que Olivença foi fundada, não por Templários Portugueses, mas sim por Templários Leoneses (o mesmo se aplicando a Táliga). Aqui, de facto, há mais dúvidas que certezas. Um excelente livro ("Oliveza y el Tratado de Alcañices", de Manuel Martínez Martínez, Ayuntamiento de Olivenza, 1997) equaciona as origens possíveis dos Templários que fundaram Olivença e Táliga, e, em minha opinião, conclui que, mais do que portugueses ou Leoneses, eram mais simplesmente Templários, fazendo um pouco o seu próprio e quase exclusivo jogo. Contudo, após alguns problemas em Castela-Leão, os Templários começaram a ser vistos como servindo os interesses dos Reis de Portugal. Afastados da Região Oliventina, terão influenciado o Rei Português (D. Dinis) a incluir o território dentro das fronteiras lusas, já que tinham sido eles os seus primitivos "reconquistadores" aos muçulmanos. Uma vingança, de certo modo.
Este autor argumenta com todo o cuidado, e o seu trabalho parece ser o mais completo e honesto publicado até ao momento.
Já não constitui um argumento muito válido considerar que a ocupação terá sido primitivamente leonesa pela posição geográfica e pela proximidade de Badajoz. Na corrida luso-"espanhola" de reconquista ao longo do Guadiana, tentaram os reis portugueses, contra até acordos já assinados, cortar o caminho aos seus vizinhos, ocupando as duas margens do Guadiana. Até Ayamonte foi ocupada pelo Rei Português Sancho II ! Nos territórios a Leste do Guadiana, vários povoados, hoje andaluzes ou extremenhos, tiveram origem portuguesa (casos de Aroche e Aracena). Com honestidade, poderá dizer-se que a situação na fronteira foi confusa no século XIII, até à assinatura do Tratado de Alcañices em 1297. As fronteiras então definidas foram mantidas até durante a União Ibérica de 1580-1640, com excepção de San Felices de los Gallegos, que leonesa-castelhana ficou, deixando Portugal de a reclamar, de vez, no século XV.
Ao longo do tempo, sempre políticos e organizações portugueses, para além do próprio Estado, têm reclamado Olivença e tentado resolver o problema. No geral, concordam todos num ponto: a ocupação espanhola é ilegal, pelo que há que estudar maneira deacabar com ela.
Não resisto a citar um argumento já ouvido mais de uma vez: Portugal não tem reclamado Olivença com força suficiente. Ora, isto pode significar que o Direito só é válido se puder ser imposto. Não há obrigações éticas, e, portanto, noções de honra ou de deveres de cumprimento de obrigações. Isto significa, em última análise, que se não é obrigado a cumprir o que se assina como correcto se a isso não se for obrigado pela força. O que leva qualquer pessoa a perguntar, algo estupefacto, se o que Portugal deveria ter feito era invadir a Espanha, em vez de esperar que esta cumprisse o que se considerava ser sua obrigação. Melhor ainda, não é honrado cumprir deveres, mas é honrado perpetuar uma ilegalidade! Será que os autores deste argumento têm consciência da lógica absurda em que caiem?
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 13 Maio - 0:28:48

Voltando às tentativas de recuperação por psrte de Portgal... o que choca é vê-las classificar como demagógicas, isoladas, loucas, esquerdistas, fascistas... esquecendo SEMPRE que o próprio ESTADO PORTUGUÊS MANTÉM ESSA REIVINDICAÇÃO ! Aliás, usa-se uma técnica de estigma pela classificação política em polos diferentes. Assim, e só para nos ficarmos pelos tempos mais recentes, as autoridades espanholas franquistas classificavam como equerdistas as posições dos grupos portugueses que reclamavam Olivença, nomeadamente o Grupo dos Amigos de Olivença; e, de facto, em alguns movimentos, estavam opositores ao Salazarismo. Noutros, estavam alguns salazaristas. Muito honestamente, pode-se dizer que tai movimentações tinham pessoas de vários quadrantes.
Em 1975, os portugueses que reclamavam Olivença eram de extrema-esquerda, dizia-se em Espanha. Já em 1976 e 1977, eram classificados de salazaristas e saudosistas. Grandes contradições, na verdade!
Concretamente, o preconceito e o desprezo eram anota dominante. Por preconceito, chegou-se a classificar o Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença em 1977 como Salazarista, num livro publicado na década de 1990, a partir duma informação de uma revista de 1975 ou 1976. O ridículo disto é que se tratava do Professor Hernâni Cidade, um dos maiores e mais populares opositores a Salazar, que, pelo seu prestígio internacional, e nacional português também, o ditador sempre teve de libertar logo após tê-lo mandado prender (deter). Assim, neste tipo de argumentação, chega-se ao grotesco, à difamação.
A Guerra Civil de Espanha tem sido também usada para denegrir Portugal na Questão de Olivença. É evidente que o papel de Salazar no conflito, ao entregar aos franquistas os refugiados espanhóis que sabia irem quase todos serem fusilados, e o apoio que deu ao ditador espanhol, são uma vergonha para Portugal e para os Portugueses. Não tenho pejo em afirmar que assumo como reprovável uma tal actuação, e que certamente os modernos democratas portugueses (porque os de então pouco puderam fazer) estão comigo, bem como o Povo Português em geral. E, todavia, as autoridades portuguesas, no meio da barbárie, tinham instruções para protegerem aqueles que provassenm ser oliventinos, através da correcta pronúncia de algumas palavras em Português. Com excepções pontuais, isso foi feito. Claro, o regresso de muitos oliventinos a casa foi cruel, já que as autoridades franquistas, receosas que alguns "comunistas" tivessem escapado graças à tolerância portuguesa, os perseguiram sem piedade

. E o ditador Salazar nada fez contra isso, já que ele próprio era ferozmente anti-comunista, e a Polícia Política Portuguesa também não conhecia a palavra piedade. Todavia, e criticando sempre e sem perdão o ditador português, há que dizer muito claramente que quem desencadeou a Guerra Civil, quem praticou massacres, quem matou e perseguiu, foram as autoridades espanholas, que, neste caso, foram mais carrascos que autoridades... como o povo espanhol deve saber muito melhor do que eu! E digo tudo isto porque, na crítica que se faz a Portugal relativa à Guerra e a Olivença, por vezes, julgar-se~ia que Salazar teve mais culpas que Franco! Ora, sem esconder responsabilidades, o que é de assinalar é que tanto Portugal como Espanha estiveram sob o Domínio de ferozes Ditaduras, que não podem ser esquecidas nem, muito menos, repetidas. O caso espanhol foi mais grave, pois o totalitarismo nasceu após uma Guerra, situação em que o humanitarismo, muito mais do que em outras situações,

é esquecido.
Talvez o argumento mais traiçoeiro utilizado seja o de que Portugal não deve reclamar Olivença porque agora, na União Europeia, "já não há fronteiras"!
Antes de ser traiçoeiro, é falso: não há fronteiras enquanto BARREIRAS, mas elas existem administrativamente. Um Espanhol paga impostos a Madrid, um Português a Lisboa. Vive-se dentro dos limites de um País, de um Distrito, de um Concelho.
Mas... e voltando ao argumento de que agora "já não há fronteiras", ... se, de facto, as fronteiras já não têm o antigo significado e o peso nacionalista de outros tempos... por que diabo se insiste em colocá-la no Guadiana, diante de Olivença? Por que não colocá-la nas ribeiras de Olivença, Táliga, e Alcarrache? Aliás, a integração na União Europeia é até uma garantia para as populações de que o seu nível de vida, direitos, leis, não serão afectados. Nem sequer haverá problemas com trocas de nacionalidades, ou outras burocracias! Tudo mais fácil! A fronteira não tem importância? Tudo bem! Vamos colocá-la onde legalmente Portugal acha que ela se situa! A dizer-se não a isto, qualquer português pode pensar que, para a Espanha, só lhe interessa desprezar a fronteira quando isso lhe é favorável...
Creio já me ter alongado muito, mas espero ter dado uma idéia dos argumentos que mais causam alguma indignação em Portugal a propósito da Questão de Olivença.
O que magoa, mais do que tudo, é talvez o preconceito. Olivença é um assunto "tabu". Informação minimamente objectiva, é quase inexistente. Em compensação (?), demagogia, frases grandiosas, propaganda, indignação, Xenofobia, Chauvinismo, não faltam.
Não será tempo de se poder discutir este assunto, mesmo apaixonadamente, sem se cair em histerias nem atitudes ofensivas? Não se poderá dialogar, mesmo discordando?
Carlos Eduardo da Cruz Luna / Estremoz, 3 de Fevereiro de 1999
.
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 13 Maio - 14:51:18

Olá a Todos ,como a questão de Olivença é "tabú" aqui no forum e no sitio aqui, mais um post meu.
Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org




Divulgação 05-2007





No âmbito das iniciativas culturais de O Jornal de Coruche, com apoio da
Câmara Municipal, terá lugar no próximo dia 18 de Maio, às 21:00 horas, no
Auditório do Museu Municipal de Coruche, uma Conferência sobre a Questão de
Olivença, com a participação dos dirigentes do GAO, António Marques e
Carlos Consiglieri.

O GAO convida todos os seus apoiantes e todos os que se interessam pela
Questão de Olivença, a participar no encontro:


Contamos com a sua presença!


Lx., 13-05-2007
.


SI/Grupo dos Amigos de Olivença
_______________ _
Rua Portas S. Antão, 58 (Casa do Alentejo), 1150-268 Lisboa
www.olivenca.org <http://www.olivenca.org> - olivenca@olivenca.org
<mailto:olivenca@olivenca.org>
Tlm. 96 743 17 69 - Fax. 21 259 05 77
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Sab 19 Maio - 2:11:09

CARTA NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE 16 de Maio de 2007
Uma carta de 16 de Maio de 2007 reza assim:
TIMOR-LESTE É LIVRE
A 20 de Maio de 2002, Timor-Leste tornou-se oficialmente um Estado independente. Mesmo a actual crise que nele se vive não pode pôr m causa o facto de o seu povo, para o bem e para o mal, poder decidir livremente sobre o seu próprio destino.
Carlos Luna
ESTREMOZ

Tenho de elogiar este poder de síntese, já que o texto original era o que se segue:
«VINTE DE MAIO ("NÃO APAGUEM A MEMÓRIA!")
Aproxima-se mais um 20 de Maio, data que parece ser o símbolo máximo das contradições na História de Portugal. Recordemos que foi a 20 de Maio de 2002 que Timor-Leste se tornou oficialmente um Estado Independente. Mesmo a actual crise que nele se vive não pode por em causa o facto de o seu povo, para o bem e para o mal, poder decidir livremente sobre o seu próprio destino. Recordemos também que foi a 20 de Maio, mas de 1801, que Olivença foi ocupada pelo exército espanhol, sob o signo duma aliança franco-hispana. Ocupação contestada depois, envolvida num embróglio de ilegalidades, quando regressou a paz à Europa após a tempestada napoleónica, e que, como recordava recentemente um jornal britânico, constitui um dos últimos litígios fronteiriços pendentes na actual Europa Comunitária.
Num caso e noutro... "não apaguem a memória"!
Estemoz, 15 de Maio de 2007
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 20 Maio - 11:23:22

Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org

Divulgação-06-07

206 anos de ocupação de Olivença
Em 20 de Maio de 1801 - vão passados 206 anos! - Olivença foi tomada pelo
exército espanhol. A NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA encontra-se,
desde então, sequestrada pelo país vizinho.
Sustentando publicamente a posição político-diplomática e o direito
constituído do nosso país (Olivença é, de jure, território de Portugal, não
obstante encontrar-se, de facto, sob administração espanhola), o Grupo dos
Amigos de Olivença vem pugnando, há largas dezenas de anos, pela discussão
e resolução da Questão de Olivença, com a natural retrocessão do território
a Portugal.
Percebendo a delicadeza que a Questão de Olivença apresenta no
relacionamento peninsular, esta Associação entende que só a assunção
frontal, pública e desinibida do diferendo pelo Estado português,
colocando-o na agenda diplomática luso-espanhola, permitirá ultrapassá-lo e
resolvê-lo com Justiça.
Pedindo às Autoridades nacionais que tomem as medidas necessárias para a
manutenção da Cultura Portuguesa em Olivença, esta Associação exorta os
portugueses, detentores da Soberania Nacional, a sustentarem e defenderam
uma Olivença portuguesa, repudiando dois séculos de alheamento e dando
satisfação à História, à Cultura, ao Direito e à Moral.
Lisboa, 20-05-2007.
A Direcção.

_________________________
SI/Grupo dos Amigos de Olivença
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www.olivenca.org <http://www.olivenca.org> - olivenca@olivenca.org
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 20 Maio - 15:54:35

Diogo Ventura escreveu:
Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org

Divulgação-06-07

206 anos de ocupação de Olivença
Em 20 de Maio de 1801 - vão passados 206 anos! - Olivença foi tomada pelo
exército espanhol. A NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA encontra-se,
desde então, sequestrada pelo país vizinho.
Sustentando publicamente a posição político-diplomática e o direito
constituído do nosso país (Olivença é, de jure, território de Portugal, não
obstante encontrar-se, de facto, sob administração espanhola), o Grupo dos
Amigos de Olivença vem pugnando, há largas dezenas de anos, pela discussão
e resolução da Questão de Olivença, com a natural retrocessão do território
a Portugal.
Percebendo a delicadeza que a Questão de Olivença apresenta no
relacionamento peninsular, esta Associação entende que só a assunção
frontal, pública e desinibida do diferendo pelo Estado português,
colocando-o na agenda diplomática luso-espanhola, permitirá ultrapassá-lo e
resolvê-lo com Justiça.
Pedindo às Autoridades nacionais que tomem as medidas necessárias para a
manutenção da Cultura Portuguesa em Olivença, esta Associação exorta os
portugueses, detentores da Soberania Nacional, a sustentarem e defenderam
uma Olivença portuguesa, repudiando dois séculos de alheamento e dando
satisfação à História, à Cultura, ao Direito e à Moral.
Lisboa, 20-05-2007.
A Direcção.

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Olivença já está à muito tempo na mão dos degenerados espanhóis. Tem de voltar a mãos poruguesas de onde nunca devia ter saído.
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Sab 26 Maio - 20:04:38

EXPRESSO, 26-MAIO-2007
CARTAS


OS 206 ANOS DE OCUPAÇÃO DE OLIVENÇA

Em 20 de Maio de 1801 - vão passados 206 anos! - Olivença foi tomada pelo
exército espanhol.(...)Sustentando publicamente a posição político-diplomática e o direito constituído do nosso país (Olivença é, «de jure», território de Portugal, não
obstante encontrar-se, de facto, sob administração espanhola), o Grupo dos
Amigos de Olivença vem pugnando, há largas dezenas de anos, pela discussão
e resolução da Questão de Olivença, com a natural retrocessão do território
a Portugal.(...)Só a assunção
frontal, pública e desinibida do diferendo pelo Estado português,
colocando-o na agenda diplomática luso-espanhola, permitirá ultrapassá-lo e
resolvê-lo com Justiça.(...)
GRUPO DOS AMIGOS DE OLIVENÇA, Lisboa

www.olivenca.org
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Ter 5 Jun - 10:31:10

Maria de Fátima Matias (Univ. Aveiro) A agonia do português em Olivença

(texto de 2001)
Maria de Fátima Matias(Univ.Aveiro): A agonia do
português em Olivença
A AGONIA DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA
ISSN:
0212-999X
Revista de Filología Românica
Vol. 8(2001)159-170
A agonia do
português em Olivença
Maria de Fátima REZENDE MATIAS
ABSTRACT
Ihis work
analyses the state of portuguese language in 01ivença, a town by
te
portuguese/spanish border, under spanish administration since 1801. Having
previously
studied, in 1970, the bilingualism and language contact, I have
already noticed
then a considerable degree of linguistie interference between
spanish and portuguese
and also a crucial symptom of language decline: lack
of transmission of te
language Lo te children.
The present research
carried in loco in 2000 considering as well te language
attitudes —extremely
unfavourabte towards the portuguese- has clearly shown a scenario
of language
loss. Spoken only among te elderly, witbout any written form to
make it more
valuable, full of spanish interference, the portuguese language
is
dying.
Keywords: bilingualism, language contact, language loss,
language shift, language
attitudes, linguistic interference.
1. OBJECTIVOS
E METODOLOGIA
Este trabalbo tem como principal objectivo analisar a situação
actual da
língua portuguesa cm Olivença. Na década de setenta, num trabalbo
de carácter
sociolinguístico sobre linguagens fronteiriças(1) ,procedi ao
estudo do
português de Olivença, tendo verificado que, em consequência do
contacto
de línguas aí existente, o idioma luso apresentava já multas
interferências
do espanhol, detectando-se forts indícios de risco de
sobrevivência.
Assumindo como provável o desaparecimento do portugués nesta
região,
trinta anos depois (2), levei a cabo pesquisas de campo, através da
observação-
participante e recorrendo a entrevistas directas e por
telefone.
Fez-se também a auscultação das atitudes do falante para com as
duas línguas
em confronto —o português e o castelhano— por se entender que
os
juízos de valor dos utentes influenciam o seu comportamento
linguístico,
determinando em boa parte o futuro das línguas (3)
2. A TERRA
E AS GENTES: NO PASSADO
E NA ACTUALIDADE
Olivença fica situada na margem
esquerda do rio Guadiana, a vinte
quilómetros de Elvas e a vinte e quatro de
Badajoz, ocupando, como o restante
Alentejo e a Estremadura Espanhola, a
parte meridional da Meseta
Ibérica, constituída essencialmente por terrenos
arcaicos e primários(4).
Inserida numa região escassamente povoada, com
condiçóes cbmatéricas
pouco favoráveis —verões muito quentes, invernos
rigorosos, grandes
amplitudes térmicas e fraca pluviosidade(5)-as actividades
predominantes
da povoação têm sido, ao longo dos séculos, a agricultura e a
criação de
gado(6).
Tal como nos conceihos vizinhos de toda a zona
fronteiriça, de fisionomia
paisagística semeihante —peneplanície com
povoamento de tipo
aglomerado— a agricultura é itinerante, extensiva, de
regime latifundiário,
feita maioritariamente por assalariados rurais(7). Esta
condiçãoo do camponês
oliventino cedo o levou a procurar trabaiho, onde e
quando o havia, nas propriedades
da região, herdades ou "fincas", como de
resto aconteceu com os
seus congéneres de Campo Maior, Elvas, Alandroal,
Alburquerque, Almendralejo
ou Jerez de los Caballeros.
Na verdade, pode
dizer-se que os habitantes desta faixa fronteiriça,
impregnados do meio
telúrico que os rodela, partilham, desde tempos remotos,
formas de ser e de
estar no mundo, evidenciando claramente as
afinidades de umna área, onde as
semelbanças se afirmam mais fortes que as
diferenças.
Nas fainas do campo,
os sistemas tradicionais, como a debuiha com cobra
de éguas ou "cobra de
caballería", o trilho, o arado de garganta, o predominio
dos muares e o
recurso aos "sombrachos", para abrigo dos calores
estivais, são comuns a toda
a região(Cool. Mas outras coincidências se notam:
no vestuário, sobretudo do
homem, assumindo pitorescas feições no traje do
pastor (safóes e pelico
feitos de pele de ovelha); na a1imentação, bastando
recordar a ólha, o
caspacho ou gaspacho e as perrunilhas; em matéria de
folgedos, encabeceados
pelas touradas e feiras e uma ou outra romaria, com
seus balhos, onde náo
faltam pandeiretas e castanholas; em certas formas de
olaria, de que as
talhas alentejanas, de dimensões gigantescas, usadas principalmente
para
vinho, são testemunho, constituindo, com as similares "tinajas"
do interior e
sul de Espanha, uma herança mediterránica(9).
Mencionarei ainda os materiais
de construçáo —a taipa, o adobe e o tijolo—
os mais utilizados na
arquitectura popular e até em construçóes públicas
(as muralhas de Badajoz e
Cáceres, assim como a igreja de Nossa
Senhora da Enxara, entre Ouguela e
Campo Maior, são de taipa). Com
efeito, nos recortes artísticos do tijolo, na
chamada civilização do barro, espelha-
se a influência muçulmana (10), que
também neste ponto irmana duas
regiões, separadas por fronteiras políticas,
mas unidas por traços indeléveis
de uma cultura árabe que lhes foi
comum.
Outras vicissitudes histórico-culturais contribuíram para sedimentar
o
ancestral convívio entre as populações fronteiriças. Embora em 1297,
pelo
tratado de Alcañices, Olivença, Campo Malor e Ouguela tenham sido
integradas
no Reino de Portugal, em boa verdade, do ponto de vista
eclesiástico,
continuaram ligadas ao bispado de Badajoz, aparecendo
consignadas
como sua pertença, em documentos episcopais de 1352 e de 1353,
sendo
definitivamente retiradas da sua jurisdição apenas em 1444(11).
Por
outro lado, convém igualmente recordar o papel desempenhado
pelo Senhorio de
Albuquerque, um dos mais vastos potentados peninsulares
da Idade Média, cujos
senhores, como grandes magnates feudais, dispunham
de plenos poderes nos seus
extensos domínios, que se dilatavam
peía Estremadura portuguesa, terras de
Zamora e Salamanca, e, principalmente,
peía Estremadura espannhola (região de
Medellín, Alburquerque,
Alconchel e Barcarrota). As relagñes deste Senhorio
com a Coroa portuguesa,
ao longo do século XIII e principios do século XIV,
foram tão estreitas
que a dedicação do segundo D. Joáo Afonso, ao rei D.
Dinis, o levou
a legar-Ihe, em testamento, o castelo de Albuquerque (12).
Nesta perspectiva,
tendo em conta o ambiente amistoso, que por largos anos
vigorou entre Portugal
e o referido Senhorio, não custa admitir que os
limites dos reinos peninsulares,
nesta região, tivessem durante esse periodo
carácter bastante
frouxo, facilitando o intercâmbio entre as gentes da
raia.
Esta situação deve ter-se modificado bastante, após a subida de
Afonso
IV ao trono, com as lutas entre este soberano português e Afonso
Sanches,
o bastardo preferido de D. Dinis, e mais tarde, cerca de 1330,
quando o terceiro
D. Joáo Afonso de Albuquerque se põe ao serviço do rei de
Castela (13).
Por esta altura, surgem-nos, como guardas avançadas da
fronteira portuguesa,
Ouguela, Campo Maior, Elvas e Olivença, e é sobretudo a
partir de
então que os episódios bélicos se sucedem, tornando-se esta zona o
palco
eleito dos conflitos peninsulares.
Olivença, no ambiente de tensão,
que durante séculos vigorou entre os
dois reinos, estava pois de costas
voltadas para Espanha. Fortes laços comerciais,
afectivos e de lazer
ligavam-na a Elvas, Juromenha, Vila Viçosa,
Estremoz e Campo Maior. Neste
contexto, facilmente se poderá imaginar o
que terá significado para a
população oliventina a anexaçáo espanhola,
sofrida com a Campanhade
1801.
Embora, em 1815, se tenha restabelecido a paz e, com a assinatura
do
tratado de Viena, Femando VII de Espanha devesse ter devolvido
Olivença,
tal não aconteceu (14). Na verdade, portuguesa de direito,
Olivença está
de facto há duzentos anos sob administração espanhola. E o
tempo não passa
impunemente sobre as pessoas e as coisas. Como é usual em
situações
deste género, teve lugar uma constante e intensa colonização
cultural. Assim,
logo no primeiro quartel do século XIX, inicia-se a
escolarização em
castelhano, desencadeando-se, simultaneamente, o processo de
fragilizaçáo
da língua portuguesa, que se vê banida dos sectores com
prestígio: a Admínístração
Pública, a Educação, a Igreja, os "mass media"(15)
.
Com o mesmo objectivo, espanhóis de diversas procedências
foram
colocados em Olivença como professores, polícias, funcionários públicos
e,
em simultâneo, habilmente se espalharam os oliventinos por várias
regióes
de Espanha, concretizando, deste modo, uma acção de neutralização de
diferenças.
Intelectualmente moldados por uma educação exclusivamente
castelhana,
que negligenciou o seu passado lusitano, diariamente invadidos
peía força niveladora
dos media, atraídos pelas vantagens económicas que a
cultura espanhola
lhes foi proporcionando, os oliventinos, com a omissão de
Portugal (16)
renderam-se pouco a pouco à teia da castelhanização. Hoje,
maioritariamente,
sentem-se espanhóis e falam predominantemente
castelhano.
3. A SITUAÇÃO LINGUÍSTICA DE OLIVENÇA
Duzentos anos de
espanholização mudaram radicalmente a paisagem
linguistica de Olivença. Tal
como os elos que a ligavam a Portugal foram
pouco a pouco enfraquecendo
(recorde-se que para ir de OlivenQa a Elvas
se tinha de passar por Badajoz)
(17) também ao substrato linguístico português
se foi gradualmente sobrepondo
o castelhano, através de um longo período
de bilinguismo de contornos pouco
claros, já que sobre ele escasseiam
as informações.
Em breve apontamento
do final do século XIX, Leite de Vasconcelos (18)refere-se a Olivença como
povoação bilingue, mencionando já alguns
traços de interferência linguística
espanhola no português, fruto do contacto
de línguas. Para além do "yeísmo",
fenómeno que consiste na « pronunciación
de la ll como y»(19) e que, não
sendo exclusivo do castelhano, abrange
boa parte do espanhol peninsular,
apresenta alguns espanholismos
lexicais, mas, curiosamente, afirma que
«Quando numa família, em que o
pai ou a mãe têm origem portuguesa, se ensinam
por acaso os filhos a falar
habitualmente o espanhol, as outras famílias de
origem portuguesa censuram
aquela».
Aproximadamente trinta anos depois,
Matos Sequeira e Rocha Júnior,
no livro que dedicaram a Olivenqa, fazem a
propósito da classe alta a seguinte
afirmação: «E a curiosidade de ouvi-los
reside em que, no calor da
discussão, saltam insensivelmente dum para outro
idioma». Aludem, contudo,
às aldeias do concelho como povoações, onde «tanto
a língua como as
usanças castelhanas continuam sendo absolutamente
estrangeiras»(20) Estes
autores fomecem algumas informações sobre o modo como
se propagou a
língua oficial, evidenciando já uma diferenciação diastrática e
diatópica, comum
à maioria dos processos de bilinguismo, em qualquer tempo e
em
qualquer espaço, como refere Louis-Jean Calvet: «Le premier stade de
la
glottophagie (...) était en quelque sorte un stade vertical: la
différenciation
linguistique s’y manifestait essentiellement en termes de
classes sociales, le
recul de la langue dominée commençant par la cour, la
noblesse locale, la
bourgeoisie et, dans une moindre mesure, les domestiques
et quelques
commerçants. (...) Le second stade est plutôt «horizontal» (...)
selon une
échelle géographique: la ville contre la campagne»(21).
Não
foi, porém, esta a situação que encontrei, na década de setenta,
quando
procedi a pesquisas de carácter sociolinguístico na região. As
oposições
cidade bilingue/campo monolingue e estrato alto
bilingue/restantes
camadas monolingues já não se verificavam. O bilinguismo
atingira todos
os sectores da popu1ação, tanto na cidade como no campo. Era
surpreendente,
nas aldeias e nos estratos desfavorecidos da sede do concelho,
a facilidade
atrás mencionada de «saltar» de uma língua para a outra.
Mas
não se assistia apenas ao avanço generalizado do castelhano, estava
também em
curso a regressão do português: as crianças e os jovens
não o falavam,
entendendo-o mesmo com certa dificuldade. Deixando de
ensinar aos seus
fillios o idioma luso, os oliventinos lançavam a semente do
colapso desta
língua na sua terra, pois como se sabe «languages which are
no longer being
learned as a mother tongue by children are said to be moribund»
(22). Esta
atitude, cujos motivos adiante procuro clarificar, constituindo
um
inquietante sintoma de declínio do português, contribuiu decisivamente
para o
monolinguismo de feição castelhana, que dentro de duas ou
três décadas se irá
instalar em Olivença.
A análise da situação linguística actual, feita através
de pesquisa de
campo no ano 2000, corrobora inteiramente o sentido da
mudança, que o
estudo efectuado nos anos setenta deixou entrever. Foi, sem
dúvida, a decisão
de não passar à geração seguinte o idioma de Camões que,
colocando-
-o em risco de sobrevivência, comprometeu irreversivelmente o seu
futuro
na regiáo ( 23). Hoje, confinado às camadas mais velhas da populaçáo,
que, bilingues,
o falam apenas entre si, o português de Olivença está
moribundo,
correndo sério risco de ir engrossar o caudal das línguas, que
todos os
anos morrem(24), nos territórios que as viram florescer.
......../......
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Ter 5 Jun - 10:32:33

.............../..................
4. A
AGONIA DO PORTUGUÊS

De acordo com a classificaçáo dos dialectos
galego-portugueses, proposta

por Lindley Cintra(25), o português de Olivença
faz parte dos dialectos

do centro-interior e do sul, que constitui uma
subdivisão do grupo dos

dialectos portugueses centro-meridionais. Paiva Boléo
e Maria Helena

Silva incluem-no no falar «alto-alentejano», à semelhança da
divisão proposta

por Leite de Vasconcelos, que insere a «variedade de
Olivença» no

«sub-dialecto alentejano». Trata-se pois de uma variedade
dialectal alentejana(26).

O trabalho que realizei sobre a linguagem dos
concelbos do Alandroal,

Campo Maior, Elvas e Olivença, evidenciando as
afinidades linguísticas de

toda esta região (entre as quais se destaca a
influência do espanhol estremenho,

presente no apreciável grau de "yeísmo" e
no dominio lexical) confirmou

a inclusão do portguês oliventino na variedade
alentejana (27).

Contudo, em consequência da situação de bilinguismo e
contacto de línguas

vivida no concelbo, o português de Olivença apresentava
já características

peculiares, fruto da interferência linguística do
espanhol. Condicionalismos

vários, de teor sociolinguístico, propiciaram uma
grande

tolerância à influência da língua oficial, constituindo factor
determinante a

escolarização de matiz exclusivamente castelhano. Na verdade,
o desconhecimento

do suporte escrito da língua portuguesa contribuiu para o
sentimento

dc inferioridade, relativamente a este instrumento de
comunicação,

detectado em muitos oliventinos. As atitudes do falante, a este
respeito

muito claras, consideravam o português local um «chaporrêo», uma
forma

corrupta de falar, uma linguagem desajeitada. Linguistica e
socialmente

desprestigiado, porque ausente da Instituição escolar, da
Administração

pública, da Igreja e dos media (25), rapidamente se identificou
com a ruralidade

e o analfabetismo, como se fosse o eco do passado, com toda
a carga

negativa das duras condições de vida, que os relatos dos mais velhos
recordavam.

E à medida que o português ia perdendo prestígio, domínios e
funções, o

castelhano, veiculo de promoção social(29), ganhava terreno. Na
verdade, só a

competência oral e escrita nesta língua permitia grangear bons
empregos. Estabeleceu-

se assim uma íntima correlação entre língua portuguesa
e esfera

popular e rural, por um lado, e língua espanhola e classes económica
e culturalmente

privilegiadas, por outro. Nao se podendo isolar as questões
Iinguísticas

do contexto sociopolítico em que se inserem, é compreensível que
o precário estatuto

social do português em Olivença tenha motivado o seu
declínio.

A auscultaçãoo das atitudes do falante, através do método directo
(30),

junto de tinta e seis inquiridos, dezoito homens e dezoito mulheres,
equitativamente

distribuídos por três camadas etárias (25-39; 40-59; 60 e
mais)

e três níveis de instrução (básico, médio e superior), mostrou por
esmagadora

maioria, que 95% dos oliventinos gosta mais do castelhano que do
português,

que considera antigo, incorrecto, sem utilidade, perante um
castelhano bonito, moderno, importante e útil.

Também relativamente ao
previsível desaparecimento do português de

Olivença se verificou uma quase
unanimidade de opiniões. Com efeito, só

dois inquiridos se mostraram
preocupados com esta perda, que lamentaram.

Para os restantes, a morte desta
língua na sua terra é necessária, para a construção

dum futuro melhor, que só
o bom domínio do castelhano garante. A

rejeição do português atingiu maior
veemência no sexo feminino, o que está

em sintonia com estudos similares que
apresentam as mulheres na liderança

da adesão à língua oficial
(31).

Constituindo as atitudes do falante factor decisivo do futuro das
línguas,

sobretudo quando está em risco a sua sobrevivência(32), um quadro
tão desfavorável poderá, talvez, ajudar a explicar a situação agonizante do
idioma

luso em Olivença.

São, de facto, muitas e complexas as razões, que
conduzem à morte de

um idioma num determinado território (33), tal como
variam, de autor para autor,

os diferentes níveis de risco a ter em conta, na
construção de tabelas

classificativas (34). Assim, Michael Krauss considera
que há línguas fora de

perigo, cm perigo, moribundas e extintas. Stephen
Wurm, por seu turno,

propõe uma tabela com cinco níveis, direccionada
exclusivamente para as

situações de risco. Segundo este autor, as línguas
ameaçadas podem estar:

potencialmente em risco — social e economicamente em
desvantagem, sofrendo

pressão da língua maioritária e começando a perder
falantes infantis;

em risco — com poucas ou nenhumas crianças a falá-las,
sendo os falantes

mais novos adultos jovens; seriamente em perigo — os seus
falantes têm

cinquenta anos ou mais; moribundas — têm apenas um punhado de
falantes,

em regra muito velhos; extintas — sem falantes.

De acordo com
estas tabelas classificativas, o português de Olivença

está seriamente cm
risco, para S. Wunn, e moribundo, para M. Krauss.

Com efeito, na pesquisa
realizada, os seguintes aspectos evidenciam uma sítuação

de agonia
linguística:

— Ausência de falantes monolingues (35);

— Língua confinada à
geração mais velha, com escassa ou nenhuma

competência passiva nas restantes
camadas etárias(36);

— Uso quase exclusivamente doméstico e consequente
monoestilismo(37);

— Frequente mudança para o casteihano, no meio do discurso
em português,

raramente ocorrendo o inverso;

— Ampla interferência
linguística do idioma dominante.

O processo de morte linguística passa peía
gradual perda de fluência

nessa língua, em parte motivada peía presença
invasiva da língua maíoritária. Assim, relativamente à fonética, abundam as
interferências.

Confrontando a pesquisa de 1970 com a actual, verificou-se
um acréscimo

significativo dos seguintes fenómenos(3Cool:

— aspiração e
supressão de -s final de sílaba e de palavra: atráh ‘atrás’,

Liboa ‘Lisboa’,
dôcih ‘doces’, casa ‘casas’; hcreve ‘escreve’;

- supressão de -r final: lavá
‘lavar’, mudjé ‘mulher’, amó ‘amor’;

— yeísmo, com altemáncia entre y e dj:
abeya e abedja ‘abelha’, mayo

e macdjo ‘malho’,fiya e fidja ‘filha’;


realizaçao de /v/ como [b],trago linguístico característico dos falares

do
norte de Portugal e ausente da variedade dialectal alentejana:

barrer
‘varrer’, biage ‘viagem’, cabalo ‘cavalo’; a par de realizações

de /b/
como[v], manifestando a insegurança linguística dos

falantes:fevri ‘febre’,
envição ‘ambição’. vívora ‘víbora’;

- presenga dos fonemas /tch/ e /x/:
antcha ‘larga’, esp. ancha, cotchi’ automóvel’,

esp. coche, xefi ‘chefe’,
esp. jefe, xitano ‘cigano’, esp. gitano;

— síncope de -d- intervocálico: arao
‘arado’, levantao ‘levantado’,

bria ‘brida, rédeas’.



Também no domínio
da morfologia é grande a influência espanhola (39)

-artigos: lo, la, uno,
una, ‘o’, ‘a’, ‘um’, ‘uma’;

-substantivos e adjectivos: com género diferente,
o arvo ‘a árvore’, o

viage ‘a viagem’, a risa ‘o riso’; com diferente
formação de plural,

ancianos ‘anciãos’, animalis ‘animais’, cristianos
‘cristãos’ ,funilis

‘funis’;

— pronomes e adjectivos determinativos: yo e
yeu ‘eu’, esto ‘isto’, esso

‘isso’, todo ‘tudo’, qualquera
‘qualquer’;

-advérbios e locuções adverbiais: adji ‘ali’, temprano ‘cedo’,
tampoco

‘também não’,pronto ‘depressa’.



De igual modo, se espanholizou
a sintaxe(40). Como exemplos apontarei

a antecipação dos pronomes às formas
verbais (os trazem num coche ‘trazem-

nos num automóvel’; le déto pimenta
‘deito-lhe pimenta’; lhos di

‘dei-lhos’), a posposição dos adjectivos
demonstrativos em relação ao

substantivo (o cesto aquele ‘aquele cesto’, a
mesa esta ‘esta mesa’) e a

substituição do imperfeito do conjuntivo pelo
mais-que-perfeito do indicativo

(se fôramos a aventar ‘se fôssemos deitar
fora’, se o ninho cantara ‘se

o menino cantasse’).

Mas foi sobretudo o
léxico, o sector da língua onde melhor se espelha a

realidade
extra-linguística, que sofreu mais profundo dano. Muitas palavras

caíram no
esquecimento, gradualmente substituídas pelas correspondentes

espanholas. E
este processo não atingiu apenas as palavras comuns, as do

intercâmbio diário
(já nem mencionando os nomes das coísas novas, todos

eles, evidentemente,
castelhanos). Mesmo as palavras das coisas antigas, os

nomes das plantas, dos
animais, das alfaias agrícolas, as ladainhas religiosas

se deixaram
espanholizar. Alguns exemplos: chispear ‘chuviscar’,

esp. chispear,fresa
‘morango’, esp.fresa, guelondrina ‘andorinha’, esp. golondrina,

membrilho
‘marmelo’, esp. membrillo, molisna ‘chuva miúda’,

esp. mollizna, orilha
‘margem do rio’, esp. orilla, remolacha ‘beterraba’,

esp. remolacha.

A
língua dominante invadiu as ruas, as casas, os nomes e as pessoas.

Orgulhosa,
altifalante, espaçosa e forte como uma maré cheia, inundou

quase tudo. O que
resta em Olivença do idioma luso é a sombra tímida, envergonhada,

de uma
língua que os oliventinos não puderam ou não quiseram

preservar.

A morte
do português em Olivença constituirá um lamentável empobrecimento

do
património cultural da região, pois como afirma Marianne Mithum: «The loss of
languages is tragic precisely because they are not interchangeable,precisely
because they represent the distillation of the thoughts and communication of a
people over their entire
history»(41).

_________________________________________

NOTAS
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Ter 5 Jun - 10:34:03

................/..............
NOTAS:
(1)Matias,
Maria de Fátima Rezende(1984): Billinguismo e níveis socíolinguísticos numa
região luso-espanhola (concelhos de Alandroal, Campo Maior, Elvas e Olivença),
Separata da Revista Portuguesa de Filologia, vois. XVIII e XIX, Coimbra.

(2
)Lieberson, Stanley (1980): «Procedures for improving sociolinguistic surveys of
language maintenance and language shifts», lnternational Journal of The
Sociology of Language, 25, The Hague/Paris/New York, Mouton, p. [3: «(...) Ihe
ideal solution for studying the dynamics of language behavior calls for surveys
conducted at two or more different times in the same setting».

(3)Baker,
Colin (1995): Attitudes and language, Clevelon/Philadelphia/Adelaide.
Multilingual Matters, p. 16: «(...) attitudes may be better predictors of future
behaviour than observation of corrent behaviour»

(4)Girão, A. Amorim
(1949-1951): Geografla de Portugal, Porto, p. 21 e 47.

(5)Sá, Mário de
Vasconcelos e (1928>: « Condições geográficas». in Damiáo Peres (dir):
História de Portugal, 1, Barceios, Pp. 47-48; Girão, Amorim (1933): Esboço de
uma carta regional de Portugal, Coimbra, Pp. 118-119.

(6) Cabral, F. Caldeira
(1963): «Alentejo: geografia humana e económica: agricultura e criação de gado»,
in Verbo. Enciclopédia luso-brasileira de cultura. 1, Lisboa, 1108-11lO:
Campesino Fernández, A. e Ferrera Martínez, M. (1989): « Olivenza y la
articulación de su espacio comarcal fronterizo», Encuentros. Revista
hispano-portuguesa de Investigadores en Ciencias Humanas y

Sociales, 1,
Olivenza, p. 53.

(7)Ribeiro, Orlando (1961): Geografía e Civílização. Temas
portugueses, Lisboa, p. 92; Idem (1940): «Villages et communautés rurales au
Portugal», in Biblos, XVI, p. 423.

(8)Picão, José da Silva (1947): Através
dos campos. Usos e costumes agrícolo-alentejanos (concelho de Elvas), Lisboa,
PP. 335-343; Dias, Jorge (1963): «Alfaia agrícola», in Joel Serráo
(dir):Dicionário de História de Portugal,I, Lisboa, pp. 93-94; Idem (1963):
«Arado», ibidem, pp. 171-172.

(9)Ribeiro, Orlando (1961): Geografía e
Civilização. Temas portugueses, Lisboa, pp. 70-77.

(10) Idem, ibídem, PP.
29-55.

(11)Sequeira, Gustavo de Matos e Júnior, Rocha (1924): Ohívença,
Lisboa, PP. 104-105.

(12) Rodríguez Amaya, Esteban (1949): «Don Juan Alfonso
de Alburquerque, canciller de D.Pedro el Cruel», in Revista de Estudios
Extremeños, V, Badajoz, pp. 180-192 e 241-245.

(13) Idem, ibidem, pp.
174-175.

(14)Sobre o problema histórico-político de Olivença, vejam-se:
Almeida, Fortunato (1926):História de Portugal, IV, Coimbra, pp. 464-467; Peres,
Damião (1934): «Fim da guerra peninsular:a paz geral» in Damião Peres (dir):
História de Portugal, VI, Barcelos, Pp. 355-360; Veloso,Queirós (1939): Como
perdemos Olivenç, Lisboa.

(15)Weinreich, Uriel(1968): «Unilinguisme et
multilinguisme», in André Martinet (dir): Le langage,Paris, Gallimard, p. 679:
«Quand une langue est exclue de certaines fonctions génératrices de prestige,
tel l’emploi officiel dans les affaires du gouvernement, il en résulte une
dévaluation de cette langue qui n’oppose plus d’obstacles aux interférences et
laisse se perpétuer les innovations

introduites par les
bilingues».

(16)Contam-se, entre as excepções, o duque de Palmela, D. Pedro
de Sousa e Holstein, o Grupo dos Amigos de Olivençae o Comité Olivença
Portuguesa de Estremoz.

(17)Antes da anexação, o trânsito de pessoas e coisas
fazia-se peía ponte da Ajuda, sobre o Guadiana,através de uma barca, cujas
despesas e lucros eram repartidos pelos concelhos de Elvas e Olivença. Cf.
Sequeira, Matos e Júnior, Rocha (1924): Olivença, Lisboa, PP. 263-271.

(1Cool
Vasconcelos, J. Leite (1890-1892): «0 português de O1ivença», in Revista
Lusitana, II, Porto,Pp. 347-349.

(19) Sobre este fenómeno, suas
características, cronologia e extensão, vejam-se: Alonso, Amado(1951): «La "ll"
y sus alteraciones en España y América», in Estudios dedicados a Menéndez Pidal,
II, Madrid, Pp. 41-89; Matias, Maria de Fátima Rezende (1984): Bílínguismo e
níveis sociolinguístícos numa região luso-espanhola. Coimbra, PP.
153-156.

(20) Sequcira, Matos e Júnior, Rocha (1924): Olivença, Lisboa, p.
248.

(21) Calvet, Louis-Jean (1988): Linguistique et colonialisme. Petil
traité de glottophagíe, Paris,Payot, p. 72; Appel, René e Muyskcen, Pieter
(¡997):Language contact and bilingualism, London,Arnold, p. 36: «Urban-rural
differences are important in the analysis of language shift as well.
Generally,rural groups tend to preserve a minority language much longer than
urban groups».

(22) Cryssal, David (2000): Language death, Cambridge,
University Press, p. 20; Edwards,John (1985): Language, society and identity,
Oxford, Blackwell, p. 50: «The most familiar process by which death occurs is
lack of transmission of an original language from parents to children».

(23)
Denison, Norman (1977): «Language death or 1anguage suicide?» in International
Journal of the Sociology of language, 12, p. 21: «(...) the direct cause of
language death is seen to be social and psychological: parents cease
transmitting the language in question to their offspring (...)there comes apoint
when multilingual parents no longer consider it necessary or worthwhile for the
future of their children to communicate with them in a low-prestige language
variety, and

when children are no longer motivated to acquire competence in a
language which is lacking in positive connotations such as youth, modernity,
technical skills, material success, education.The languages at the lower end of
the prestige scale retreat from ever increasing areas of their earlier
functional domains, displaced by higher prestige languages, until there is
nothing left for them appropriately to be used about. In this sense they may be
said tu commit suicide».

(24)A este respeito, veja-se o excelente livro de
Crystal, David (2000): Language death, Cambridge.University Press.

(25)
Cintra, L. Filipe Lindley (1971): «Nova proposta de classificação dos dialectos
galego-portugueses», in Boletim de Filología, XXII, Lisboa, 81-116.

(26)
Boldéo, M. Paiva e Silva, M. Helena (1961): «O "Mapa dos dialectos e falares de
Portugal continental"», sep. do Boletím de Filología, XX, Lisboa.

(27)
Matias, M. Fátima Rezende (1984): Bilinguismo e níveis sociolinguísticos numa
região luso-espanhola, Coimbra.

(2Cool Dressler, Wolfgang e Wodak-Leodolter,
Ruth (1.977): «Language preservation and language death in Brittany», in
Internatíonal Journal of the Sociology of Language, 12, p. 36; Crystal,
David(2000): ob. cit., p. 823: «People find they have fewer opportunities to use
their language, because it has been officially marginalized. It is not found in
official doniains, such as the local offices of Ihe civil service and ihe local
banks. It is not found in the media. It is not found as the language of higher
education».

(29) Donan, Nancy (1982): «Language loss and maintenance in
language contact situations», in R. Lambert e B. Freed (eds.): The loss of
language skílls, Rowley, Mass., Newbury House, p. 47:« language loyalty persists
as long as the economic and social circumstances are conducive lo it,but if some
other language proves to have greater value, a shift to that other language
begins»; Appel,R. e Muysken, P.: ob. cit., p. 32: «(...) in many bilingual
communities (...) they adopt the majority

language (..) because they expect
that speaking that language gives better chances for upward social mobility and
economic success».

(30)Foram colocadas as seguintes questões: 1) De que
língua gosta mais e porquê? 2) 0 que acha do português de Olivença? 3) Confinado
á geração mais velha, deixará de ser falado brevemente.Como encara esta
perda?

(31)Edwards, John (1985): Language, society and identity, Oxford,
Blackwell, p. 72.

(32) Cf. Baker, Colin (1995): Attitudes and language,
Clevedon, Philadelphia e Adelaide, Multilingual Matters e bibliografia aí
citada; Crystal, David (2000): Language death, Cambridge. University Press, p.
81: «Languages decline when positive attitudes are missing».

(33)Edwards,
John: ob cit., p. 52: «The factors in the decline of languages are many and
varied(...)»; Crystal, David: ob. cit., pp. 68-90.

(34) Idem, ibídem, pp.
20-21.

(35) Edwards, John (1985): Language,society and identíty, Oxford,
Blackwell, p. 71: «When a language possesses no more monoglots, the process of
decline has very often begun».

(36)Idem, ibídem, p. 71.

(37)Appel. René e
Muysken, Pieter (1997): Language contact and bílingualism, London, Arnold,Pp.
44-45.

(38)Sobre estes fenómenos e respectiva bibliografia, veja-se Matias,
Maria de Fátima Rezende (1984): Bilínguismo e níveis sociolinguísticos numa
região luso-espanhola, Coimbra, pp. 136-158.

(39) Idem, ibídem, pp. 160-164,
167-170 e 177-181.

(40)Idem, ibidem, pp. 193-206.

(41) Mithun, Marianne
(t998): «The significance of diversity in language endangerment and
preservation» in Lenore Grenoble e Lindsay Whaley (eds): Endangered languages:
current issues and future prospects, Cambridge, University Press.

Revista de
Filologia Românica

Vol. 18(2001) 159-170
Maria de Fátima Matias (Univ. Aveiro) A agonia do português em Olivença
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Qui 7 Jun - 20:05:56

Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org



Divulgação-07-07


Grupo dos Amigos de Olivença
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Divulgação-07-07


O Tratado de Viena na TSF



A passagem de mais um aniversário do Tratado de Viena, que reconheceu
plenamente os direitos de Portugal sobre Olivença e determinou a sua
devolução por parte do ocupante, é tema em apreciação no programa da TSF
«Mais Cedo ou Mais Tarde», a emitir no próximo dia 8 de Junho
(sexta-feira), após as 14:00 horas, com a presença em estúdio do Presidente
da Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença.

Lx., 07-06-07.

CI/GAO


__________________________
SI/Grupo dos Amigos de Olivença
Rua Portas S. Antão, 58 (Casa do Alentejo), 1150-268 Lisboa
www.olivenca.org <http://www.olivenca.org> - olivenca@olivenca.org
<mailto:olivenca@olivenca.org>
Tlm. 96 743 17 69 - Fax. 21 259 05 77
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 10 Jun - 10:54:09

NOTÍCIAS DO ALENTEJO, Jornal "on-line", 06-Junho-2007
A falta de perspectiva estratégica ...

Ex.mo. Senhor Director

A falta de perspectiva estratégica evidenciada por muitos daqueles que ocupam lugares de decisão na administração pública, nomeadamente nos níveis regional e local, acompanhada, habitualmente, de inabilidade e ignorância políticas, implica o desconhecimento do interesse nacional e acarreta a este, frequentemente, prejuízos de monta.
Infelizmente, na ausência de um pensamento político-estratégico elaborado, conhecido e respeitado por tais decisores, multiplicam-se os casos em que se enfraquece, quando não se abandona, a defesa do bem comum dos portugueses.
É já banal o modo como os meios políticos da Extremadura espanhola têm conseguido encantar e cativar alguns autarcas e outros responsáveis políticos do Alentejo raiano, os quais, aliciados com o novo «Eldorado» da «cooperação transfronteiriça» aceitam - com aparente prazer - colaborar na erecção de uma «Grã-Extremadura», cujo «epicentro» se situa em Badajoz, como reclama impante a imprensa espanhola, e na qual talvez almejem ocupar o mesquinho posto de agentes, cantineiros ou capatazes. É sintomática a ora realizada «reunión de alcaldes rayanos» em que, felizes e pressurosos, alguns presidentes de municípios norte-alentejanos acorreram à chamada do Alcalde de Badajoz, don Miguel Celdrán, e prometeram repetir a dose de três em três meses...
Não está em causa, naturalmente, a conveniência e a necessidade de serem desenvolvidas relações económicas e culturais entre regiões e espaços distintos mas vizinhos, nem sequer o incremento de um descomprometido diálogo político entre duas realidades adjacentes, de onde podem resultar ganhos e benefícios para todos.
Mas já haverá de ser visto com reserva um projecto voluntarista que, privilegiando certamente Badajoz e a «Grã-Extremadura», se apresenta, na sua ambiguidade, de ganhos duvidosos para as terras alentejanas.
Tudo isto, claro, ainda no pressuposto de que os referidos decisores não estarão, imaginando don Miguel Celdrán como um novo Godoy, conquistados para a ideia de fazerem do Alentejo uma grande Olivença,

Agradeço a atenção e, se o entender, a publicação destas simples observações,

Almada, 05-06-2007.

António Marques


Quarta, 06 de Junho de 2007 - 08:10

Fonte: - Jornalista :

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MensagemAssunto: Re: Olivença   Ter 12 Jun - 16:02:58

Centro de Estudos S. João de Deus


História dos Irmãos Hospitaleiros em exposição


A Exposição "Os Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus e os Hospitais Militares em Portugal, Séculos XVII-XVIII" vai estar patente em Lisboa, na Sede da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, Rua S. Tomás de Aquino, entre os dias 8 e 12 (altura coincidente com o XXVI Capítulo Provincial) sendo depois inaugurada, no dia 15 pelas 21H30, no Museu-Fortaleza de Peniche, onde permanece até ao dia 8 de Julho.

A Revolução de 1640 é historicamente reconhecida como a Restauração da monarquia lusitana face à espanhola e trouxe, como consequência directa das acções bélicas entre os dois reinos, uma nova problemática quanto à questão do tratamento dos feridos e aos óbitos que surgiram nas campanhas militares e refregas de fronteira.

Foi nesse sentido, que El-Rei de Portugal D. João IV incumbiu os Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus de administrarem os Hospitais Reais Militares durante o período belicista que se instalou na Península Ibérica. Numa primeira fase restringiu-se ao Alentejo, em 1645, a Elvas, a Campo Maior e Olivença, e numa segunda fase, desde 1646, a todas as Praças de fronteira, começando pela Praça de Monção.

Os Reais Hospitais Militares, tal como as fortalezas abaluartadas que proliferam pelo reino constituem um dos mais emblemáticos empreendimentos de aparato, pelo que não podemos dissociar a sua localização geográfica e espacial, urbana, arquitectónica e, sem dúvida a artística e cultural.

Após o fim das Batalhas da Restauração, em 1668, os Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus continuaram como administradores e enfermeiros dos Reais Hospitais Militares até data extrema de 1834. Os Reais Hospitais Militares são vulgarmente conhecidos como Hospitais Militares de S. João de Deus.

Pelo contexto referido Marín Garcia, artista plástico, e Augusto Moutinho Borges, historiador e doutorando em História da Medicina, desenvolveram um projecto artístico-cultural para inventariar e desenhar os Reais Hospitais Militares na fronteira Luso-Espanhola, séculos XVII-XVIII, que foi transposto a papel, método de tinta-da-china e lápis.

Esta Exposição já figurou em diversas localidades peninsulares entre 2006 e 2007, com um total de 25 500 visitantes.



Centro de Estudos S. João de Deus

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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 8 Jul - 15:11:35

Jornal gratuito "DESTAK", 02-Julho-2007
Opinião: II Cimeira
Europa-África

Ex.mo Senhor Director

II Cimeira
Europa-África

No período em que vai ocupar a Presidência da União
Europeia, Portugal
pretende concretizar a II Cimeira
Europa-África.


--------------------------------------------------------------------------------
Se
conseguir tal objectivo, contributo poderoso para o diálogo
Norte-Sul,
Portugal deverá tirar partido do seu posicionamento diplomático
para
propiciar a busca de soluções para os vários conflitos de soberania que,

muito, se instalaram na área do Mediterrâneo ocidental e continuam sem
fim
à vista.

Deixando para outro momento o fundamentalismo islâmico e
a sua dinâmica
desestabilizadora, é de lembrar agora as disputas entre
Espanha e Marrocos,
por causa de Ceuta e Melilla, entre o Reino Unido e
Espanha, à volta de
Gibraltar, a luta da Frente Polisário contra Marrocos
pela independência do
Sara Ocidental, e, finalmente, a questão de Olivença,
entre Portugal e
Espanha.

Efectivamente, além de ser o Mediterrâneo
ocidental a área estratégica a
que também pertence, Portugal é parte num
litígio de soberania com
gravidade e relevo similares aos demais referidos, e
que com eles se
correlaciona, a sempre presente questão da ocupação ilegítima
de Olivença
pelo país vizinho.

Ocorrendo a possibilidade - e a
urgência! - de na referida Cimeira
Europa-África serem tomadas medidas que
melhorem o clima
político-diplomático em toda a região ibero-magrebina, a
diplomacia
portuguesa tem aqui uma oportunidade de ouro para, sabendo
aproveitar a
ocasião e o pretexto, fazer valer os direitos de Portugal a
propósito de
Olivença. Houvesse audácia!

Com os meus
cumprimentos,

António Marques
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 8 Jul - 23:40:04

Semanário "SOL", 7 de Julho de 2007
PÁGINA DE MARCELO REBELO DE
SOUSA
(Como se sabe, sendo o mais conhecido, e reconhecido, comentador
político português, com análises semanais na Televisão, e escrevendo num dos
dois maiores semanários portugueses, esta opinião é importamtíssima
!!!!)
Título em letras BEM MAIÚSCULAS:
Sáb. 30 PROFESSORES, CAMPO MAIOR
E OLIVENÇA

OLIVENÇA Para os curiosos acerca de Olivença. Dois estudosa
não perder: Maria de Fátima Resende Matias, "A AGONIA DO PORTUGUÊS EM OLIVENÇA"
(Revista de Filologia Românica, vol. 18, 201), e Manuel Jesus Sánchez Fernàndez,
"PORTUGUÊS DE ESPANHA. EXEMPLO: O DE OLIVENÇA" (manuel@storelandia.com e msanc246@pie.xtec.es). Ao que parece, um
Português cantado, mas em vias de acelerada
extinção.
________________________________________________________________________________________
(Nota:
um erro! o "mail" correcto é:Manuel Jesús Sánchez Fernández <manuelsanchezf2005@yahoo.es>
)
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Qui 12 Jul - 10:40:01

Sr. Prof Dr. Nuno Cardoso da Silva.
Considerando que é pessoa idónea e Patriótica na qualidade intelectual que tem ,gostaria de saber a sua posição sobre este dificil problema que é a Nossa Olivença e Terras de Juromenha,que á cerca de 205 anos é Colonizada pelo Reino de Espanha .
Muito Obrigado

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Nuno Cardoso da Silva
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Qui 12 Jul - 11:47:40

Diogo Ventura escreveu:
Sr. Prof Dr. Nuno Cardoso da Silva.
Considerando que é pessoa idónea e Patriótica na qualidade intelectual que tem ,gostaria de saber a sua posição sobre este dificil problema que é a Nossa Olivença e Terras de Juromenha,que á cerca de 205 anos é Colonizada pelo Reino de Espanha .
Muito Obrigado

www.olivenca.org

Há aqui vários problemas. O mais complicado é o de saber o que pensa a população de Olivença. Quer ser espanhola ou portuguesa? Poder-se-ia encontrar uma solução, regressando Olivença à administração portuguesa permitindo-se aos seus habitantes que quiserem o preservar os seus direitos e regalias de espanhois - a União Europeia tornaria isto bastante facil - inclusive os que dizem respeito à segurança social e os direitos de voto nas eleições espanholas. Mas acho que nada se poderia fazer à revelia da população. Os direitos não exercidos prescrevem e nós há muito que não exercemos os nossos direitos soberanos sobre aquele território. Outra solução seria uma partilha de soberania, uma gestão conjunta de Portugal e Espanha, com a presidência da autarquia alternando entre um português e um espanhol e as duas bandeiras flutuando sobre o território. Em qualquer caso acho que teremos de encontrar um compromisso e nunca pensar que poderemos pura e simplesmente recuperar o controlo pleno de Olivença.
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longair
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MensagemAssunto: Hum Olivença   Qui 12 Jul - 15:19:40

Boas a todos, caro N.C. da S. concordo em pleno pois o que disse é o mais acertado, logico e inteligente além do que seria optimo para a economia lusa Smile
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Sex 13 Jul - 18:36:26

Caro Prorf. dr. Nuno Cardoso da Silva.

A questão é mais complexa do ponto de vista Histórico ,Na Constituição da Républica dos dias de hoje ,è Reconhecido que Olivença e Terras de Juromenha está incluído como parte integrante do Território de Portugal (daí nunca ter sido colocado 100 marcos de fronteira, pura e simplesmente não há fronteira).
Ainda está na Constituição da Républica Portuguesa ,hoje ,que qualquer cidadão de Olivença que queira BI de Portugal é facultado pelo governo da Républica.
Este dádo histórico é inegualavel ,O Reino de Espanha Assinou e aceitou o Artº105 do Tratado de Viena de 1815 ,em devolver a Praça de Olivença e Terras Adjacentes (Terras deJuromenha) á Pátria Mãe Portugal.
Quanto há ideia "espatafurdia" de que os Habitantes espanhois (oliventinos) de não quererem ser Portugueses ,sabemos que é de todo direito ,mas não podemos esquecer de 205 anos de colonialismo espanhol,que os Oliventinos foram escurraçados das suas Terras e houve Usurpação Aculturação e Violação dos Direitos Humanos .
Deixo este excelente Texto de António Marques
Que reflecte o Patriotismo Sentido Dos Portugueses
www.olivenca.org


"MAIS ALENTEJO", 13-Julho-2007 (NOTA: A REVISTA DE MAIOR ALCANCE NO ALENTEJO !)

VENTOS DE ESPANHA

A falta de perspectiva estratégica evidenciada por
muitos daqueles que ocupam lugares de decisão na administração pública,
nomeadamente nos níveis regional e local, acompanhada, habitualmente, de
inabilidade e ignorância políticas, implica o desconhecimento do interesse
nacional e acarreta a este, frequentemente, prejuízos de monta.


Infelizmente, na ausência de um pensamento político-estratégico elaborado,
conhecido e respeitado por tais decisores, multiplicam-se os casos em que se
enfraquece, quando não se abandona, a defesa do bem comum dos portugueses.


É já banal o modo como os meios políticos da Extremadura espanhola têm
conseguido encantar e cativar alguns autarcas e outros responsáveis políticos do
Alentejo raiano, os quais, aliciados com o novo «Eldorado» da «cooperação
transfronteiriça» aceitam - com aparente prazer - colaborar na erecção de uma
«Grã-Extremadura», cujo «epicentro» se situa em Badajoz, como reclama impante a
imprensa espanhola, e na qual talvez almejem ocupar o mesquinho posto de
agentes, cantineiros ou capatazes.

É sintomática a orarealizada «reunión
de alcaldes rayanos» em que, felizes e pressurosos, alguns presidentes de
municípios norte-alentejanos acorreram à chamada do Alcalde de Badajoz, don
Miguel Celdrán, e prometeram repetir a dose de três em três meses...

Não
está em causa, naturalmente, a conveniência e a necessidade de serem
desenvolvidas relações económicas e culturais entre regiões e espaços distintos
mas vizinhos, nem sequer o incremento de um descomprometido diálogo político
entre duas realidades adjacentes, de onde podem resultar ganhos e benefícios
para todos.

Mas já haverá de ser visto com reserva um projecto
voluntarista que, privilegiando certamente Badajoz e a «Grã-Extremadura», se
apresenta, na sua ambiguidade, de ganhos duvidosos para as terras alentejanas.


Tudo isto, claro, ainda no pressuposto de que os referidos decisores não
estarão, imaginando don Miguel Celdrán como um novo Godoy, conquistados para a
ideia de fazerem do Alentejo uma grande Olivença.

Almada, António Marques



«Quem Ofende Sua Alteza e Familia Real .Falta ao Respeito a Portugal»

« Viva o Rei de Todos Portugueses»
"MAIS ALENTEJO", 13-Julho-2007 (NOTA: A REVISTA DE MAIOR ALCANCE NO ALENTEJO !)

VENTOS DE ESPANHA

A falta de perspectiva estratégica evidenciada por
muitos daqueles que ocupam lugares de decisão na administração pública,
nomeadamente nos níveis regional e local, acompanhada, habitualmente, de
inabilidade e ignorância políticas, implica o desconhecimento do interesse
nacional e acarreta a este, frequentemente, prejuízos de monta.


Infelizmente, na ausência de um pensamento político-estratégico elaborado,
conhecido e respeitado por tais decisores, multiplicam-se os casos em que se
enfraquece, quando não se abandona, a defesa do bem comum dos portugueses.


É já banal o modo como os meios políticos da Extremadura espanhola têm
conseguido encantar e cativar alguns autarcas e outros responsáveis políticos do
Alentejo raiano, os quais, aliciados com o novo «Eldorado» da «cooperação
transfronteiriça» aceitam - com aparente prazer - colaborar na erecção de uma
«Grã-Extremadura», cujo «epicentro» se situa em Badajoz, como reclama impante a
imprensa espanhola, e na qual talvez almejem ocupar o mesquinho posto de
agentes, cantineiros ou capatazes.

É sintomática a orarealizada «reunión
de alcaldes rayanos» em que, felizes e pressurosos, alguns presidentes de
municípios norte-alentejanos acorreram à chamada do Alcalde de Badajoz, don
Miguel Celdrán, e prometeram repetir a dose de três em três meses...

Não
está em causa, naturalmente, a conveniência e a necessidade de serem
desenvolvidas relações económicas e culturais entre regiões e espaços distintos
mas vizinhos, nem sequer o incremento de um descomprometido diálogo político
entre duas realidades adjacentes, de onde podem resultar ganhos e benefícios
para todos.

Mas já haverá de ser visto com reserva um projecto
voluntarista que, privilegiando certamente Badajoz e a «Grã-Extremadura», se
apresenta, na sua ambiguidade, de ganhos duvidosos para as terras alentejanas.


Tudo isto, claro, ainda no pressuposto de que os referidos decisores não
estarão, imaginando don Miguel Celdrán como um novo Godoy, conquistados para a
ideia de fazerem do Alentejo uma grande Olivença.

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MensagemAssunto: Re: Olivença   Sab 14 Jul - 22:04:24

INTERVENÇÃO/TEXTO PARA O COLÓQUIO DA LUSOFONIA
BRAGANÇA, OUTUBRO DE 2007

APELO A ESPANHÓIS E PORTUGUESES PARA SALVAÇÃO DE UMA LÍNGUA
A SITUAÇÃO
DA LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA(Texto em tres partes, gentilmente cedido por Prof Dr. Carlos Luna)

1)CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS/SITUAÇÃO DO
ALENTEJANO

Já não se considera, hoje em dia, que seja "natural" a
desaparição de uma língua. Muito menos se aceita que haja línguas "superiores" e
"inferiores".
Sabemos que uma língua viva sofre evolução. Isso é
diferente de defender que uma linguagem deva desaparecer, ainda que tal possa
ocorrer.
Uma língua não é só um conjunto de sons, articulados de forma
convencional, de modo a designar algumas necessidades básicas de comunicação.
Uma língua, sabemo-lo hoje, é um Universo Cultural no qual, entre outras coisas,
se encerram os pensamentos, as emoções, as percepções do Mundo. A língua
reflecte a História, e influencia-a por sua vez.
Línguas houve que não
sobreviveram. Outras que foram salvas à beira da extinção. Lembramo-nos todos do
caso do Mirandês.
Mesmo as línguas menos utilizadas mostram muito do
Universo em que evoluíram. Refletem a História de um grupo humano.
O
Português, porque é uma língua viva, não parece ter os problemas de
sobrevivência de uma língua minoritária. Afinal, não tardará muito que tenha
trezentos milhões e utilizadores. A sua divresidade enriquece-a
permanentemente.
Mas... porque não é uniforme, nem está parada no tempo,
a Língua Portuguesa sofre agressões. E algumas das suas, digamos, formas, podem
estar ameaçadas. Ninguém duvida, por exemplo, que a "forma" alentejana de falar
o Português esteja em relativo declínio. Mesmo porque ( e aqui entram aspectos
políticos ), ao privilegiarem-se unitarismos linguísticos ditos "cultos" e
centralismos castradores e preconceituosos, não houve grandes cuidados em
preservar esse património cultural que era ( e ainda é ) o "alentejano".

Apesar de tudo, o "alentejano" é um dialecto, ou subdialecto, do Português. Os
falantes do Português Padrão, os falantes actuais da língua lusa no Alentejo, se
verdadeiramente cultos, procurarão preservá-lo, registá-lo por escrito,
explicá-lo. E, porque o "alentejano" tem raízes conhecidas, ele será, pelo
menos, compreendido... embora corra o risco de ser pouco "sentido".

Àqueles que consideram o "alentejano" uma forma inferior, por só verem o
prestígio social numa forma de se expressar e não a sua lógica interna, a sua
riqueza cultural, ou o seu valor histórico, nada há a dizer, pois essas pessoas
não poderão ser consideradas como verdadeiramente cultas.
Para quem a
língua é mais do que isso, para aqueles que têm do fenómeno linguístico uma
visão mais humanista, muito há a dizer.
O "alentejano" tem séculos de
existência". Numa época em que se procura tornar impensadamente igual tudo o que
rodeia o Homem, esquecendo-se que uma das coisas que mais o satisfaz é a
diversidade, há que lutar para que não morra. Essa é uma tarefa de todos os
alentejanos, e de todos os amigos da cultura, portugueses ou não.
A luta é
difícil, mas há meios, é possível aceder a informação, e nada, senão muitas
vezes os preconceitos dos próprios alentejanos, impede que se faça um esforço
nesse sentido.

2) UMA REGIÃO ONDE O "ALENTEJANO" ESTÁ EM
RISCO

Mas... a Língua Portuguesa, e, neste caso concreto, a sua forma
alentejana, corre riscos, e sérios, de extinção, num espaço geográfico onde era
"rei e senhor". Numa região que fica junto da sua matriz natural. As opiniões
políticas não são consensuais sobre ela, mas procuremos evitar essa polémica,
embora não o possamos desdenhar completamente, com o risco de elaborarmos um
diagnóstico incorrecto e de prováveis soluções "curativas" não poderem, por
isso, ser eficazes.
Refiro-me à Região de Olivença, hoje constituída por
dois Concelhos: Olivença e Táliga. No total, pouco mais de 12 000 habitantes em
463 Km.2. Aqui, infelizmente, conforme foi denunciado por dois estudos
linguísticos bem significativos (Maria de Fátima Resende Matias, "A AGONIA DO
PORTUGUÊS EM OLIVENÇA", 2001 ,Revista de Filologia Românica, vol. 18, 201, e
Manuel Jesus Sánchez Fernàndez, "PORTUGUÊS DE ESPANHA. EXEMPLO: O DE OLIVENÇA",
2004 ), o Português está em risco. Está "em agonia", diz um dos estudos.

Não é uma história bonita, esta. E está incompleta. Todavia, a História da
sobrevivência da Língua Portuguesa em Olivença terá que ser feita um dia. Mais
do que sobrevivência, é uma História de Resistência, dados a pressão e os
condicionalismos vários, ainda muito mal estudados.
Mas tem que ser
contada, uma e outra vez, enquanto é tempo. O drama começou em 1801...

Tem-se aqui de se referir toda uma política. Não se pretende levantar uma
polémica, mas não é possível compreender o que se passou, e a situação actual,
ocultando-se factos decisivos.
Assim, já em 26 de Janeiro de 1805,
suspendeu-se, naturalmente, o uso da moeda portuguesa em Olivença. As
autoridades espanholas comunicaram então a vários ofícios, nomeadamente aos
aguadeiros, que era obrigatório usar medidas espanholas (referiam-se a
comprimento, peso, volume, etc.).
Claro que a Língua não tardaria a
sofrer as consequências. A 20 de Fevereiro de 1805, foi decidido suprimir toda e
qualquer escola portuguesa, bem como o ensino do Português. A 14 de Agosto de
1805, as actas da Câmara Municipal passaram a ser escritas obrigatoriamente em
Castelhano, o que fez uma vítima: Vicente Vieira Valério. Este, negando-se a
escrever na Língua de Cervantes, teve de ceder o lugar a outro. E acabou por
morrer à mingua de recursos, personificando um drama cujo desenvolvimento se
processaria, geração após geração.
Há notícias de oposição dos oliventinos
a estas medidas. As Escolas privadas continuaram a ministrar ensino em
Português, até que são fechadas a 19 de Maio de 1813, com o propósito (oficial)
"de evitar qualquer sentimento patriótico lusitano" (A.M.O. leg/Carp 7/2-18,
19-05-1813, n.º 1324; revelado por Miguel Ángel Vallecillo Teodoro, "Olivenza en
su História", Olivença, 1999 ).
Mas, porque eram muitos os oliventinos que
queriam que os seus filhos fossem educados na língua materna, continuaram a
existir professores particulares para o fazer. O "Ayuntamiento" não hesitou, e
proibiram-se "as aulas particulares, sob pena de multa de 20 Ducados", em 1820
(A.M.O. leg/Carp 8/1-171, 7-10-1820, n.º 1704; revelado, também, por Miguel
Ángel Vallecillo Teodoro, "Olivenza en su História", Olivença, 1999 ).
A
população oliventina mantinha as velhas tradições, a vários níveis, procurando
agir como se nada tivesse mudado. Mas tal foi sendo cada vez mais difícil, e
muita gente foi emigrando, principalmente para as povoações portuguesas mais
próximas.
Em 1840, trinta e nove anos após a ocupação espanhola (
recorde-se: efectuada em 1801 ), o Português foi proibido em Olivença,
inclusivamente nas Igrejas. O combate contra a Língua de Camões já vinha de
trás, todavia.
Algumas elites forma aceitando o castelhano. O Português
foi-se mantendo, teimosamente, principalmente a nível popular. Numa deliciosa
toada alentejana, que logo as autoridades, vigilantes, classificaram como
"chaporreo", palavra de difícil tradução (talvez "patois"; talvez "deturpação"),
que criou complexos de inferioridade nos utilizadores, levando-os, cada vez
mais, a usar a Língua Tradicional apenas a nível caseiro, dentro do aconchego do
lar, em público, quase só por distracção, ou com amigos próximos.

3)
ÂNGELO BREA HERNANDEZ E AS SUAS CONCLUSÕES

Cabe aqui citar algumas
considerações do autor contemporâneo Ângelo José Brea Hernandez, o que já fiz,
sem hesitar, noutros trabalhos. A maneira como ele descreve o fenómeno de
destruição de uma língua, tornada minoritária ,são de extrema
actualidade.
Segundo o citado, é costume, no colonialismo “tradicional”,
considerar a Cultura Dominante como muito superior às culturas dominadas. Tal
situação verifica-se sempre em qualquer situação colonial, já que uma cultura
tenta destruir a outra. Sem nos limitarmos apenas ao exemplo do Colonialismo
Clássico, podemos analisar este aspecto através de outras situações. Assim, é
sabido que a Cultura Urbana tenta dominar a Cultura Rural; que a cultura da
Grande Cidade procura dominar a das pequenas cidades; que a Cultura das Regiões
Centrais tente dominar as Culturas das Regiões Periféricas. Todavia, nestes
casos quase não existe um conflito num sentido clássico ou violento do termo.
Já, por exemplo, no colonialismo europeu em África, as diferenças são
significativas, e o conflito assume formas bem violentas...
Todavia,
entre culturas próximas, a cultura dominante tem evidente facilidade em
assimilar a da sua região dominada. À partida, já muita coisa é igual!

Não obstante, e por estranho que pareça, isso nunca é completamente possível.
Isto porque se de facto a região, mesmo pequena, tem uma cultura própria ainda
que parecida, há muitos factores que o impossibilitam ou dificultam em externo,
como a própria dinâmica interna da língua, a psicologia, o carácter, os nomes e
apelidos, a arquitectura, e muitas outras coisas, de maior ou menor revelância.
Por isso, por toda a Europa, por exemplo, em muitos Países, algumas culturas
locais conseguiram resistir e conquistar o direito à diferença.
Nacionalidades/Culturas que se julgam mortas renasceram. Desde talvez os Séculos
XVI e XVII, o colonialismo, ou colonização, e a aculturação forçada, perderam
quase toda a sua eficácia na maior parte da Europa. As pequenas regiões, mesmo
falando línguas dos seus dominadores, não aceitam a sua destruição.

Também não há razões fundamentais, hoje em dia, para se considerar que as
culturas maiores em área ou população têm mais direitos do que as menores. E
parte-se do princípio que, entre povos e estados modernos, Estados de Direito,
os problemas culturais, ou fronteiras, ou outros, já não são tão dramaticamente
conflitivos como noutros tempos. Por outro lado, deixar problemas por resolver,
ignorando-os, provou não ter sido uma atitude correcta, como o provaram os
conflitos aparentemente ilógicos e cruéis na antiga Jugoslávia...
Também
muitos argumentos de carácter económico mostraram não ser definitivos... porque
nada é definitivo! Hoje, uma economia está mais forte... mas, no passado, não
era isso que se verificava! E... quem pode dizer como vai ser o
futuro?
Afinal, NÃO HÁ CULTURAS SUPERIORES OU INFERIORES. HÁ CULTURAS
DIFERENTES, TODAS RESPEITÁVEIS. NÃO HÁ OUTRO CAMINHO VISIVEL PARA O FUTURO QUE
NÃO SE BASEIE NESTE PRINCIPIO. Na verdade, a causa de muitos conflitos actuais
está no NÃO CUMPRIMENTO OU ACEITAÇÃO deste princípio, quer no passado, quer no
presente. Desta forma, alguns dos argumentos tradicionais para justificar
algumas aculturações estão sujeitos a uma curiosa evolução, perdendo valor,
enquanto outro tipo de argumentos ganham peso.

4) VOLTANDO A
OLIVENÇA

O hábito e o amor-próprio levavam o oliventino a, quase
constantemente, "saltar" do castelhano para o português. De tal forma que,
depois de duzentos anos de pressão, ele é entendido e falado por cerca de, pelo
menos 35% da população, segundo cálculos da União Europeia (Programa
Mosaïc).
Como sucede, contudo, neste casos, em qualquer ponto do Globo, o
Português foi perdendo prestígio. Não sendo utilizado nunca em documentos
oficiais, na toponímia (salvo se traduzido e deturpado), ou em qualquer outra
situação que reflectisse a dignidade de um idioma, manteve-se, discretamente,
por vezes envergonhadamente. A Televisão e a Rádio vieram aumentar a pressão
sobre o seu uso e compreensão.
A Ditadura Franquista acentuou a
castelhanização. Agora oficialmente, o Português era uma Língua de quem não
tinha... educação! Uma Língua de Brutos, ou, como também se dizia, uma Língua
Bárbara!
Não obstante, ela sobreviveu. Mesmo nas ruas, surgia e
ressurgia, a cada passo... raramente na presença da autoridades. Mesmo algumas
elites continuavam a conhecê-la, embora numa fracção minoritária.
Nas
décadas de 1940, 1950, e 1960, era raríssimo, mesmo impossível em alguns casos,
encontrar professores, polícias, funcionários em geral, que fossem filhos da
terra oliventina, na própria Olivença. Colonizadores inconscientes, peões numa
política geral de destruição das diferenças por toda a Espanha.
Se há
ironias na História, esta pode ser uma delas. Alguns desses cidadãos
"importados", com muito menos complexos que os naturais porque não tinham,
quaisquer conflitos de identidade, ou os seus filhos, puseram-se a estudar os
aspectos "curiosos", "específicos", da cultura oliventina! "Oliventinizados",
por vezes até, ainda que ligeiramente, em termos linguísticos, acabaram por
produzir trabalhos de valor sobre a cultura da sua Nova terra, que podem chamar
para sempre, e sem contestações, de Terra Mãe, por adopção, por paixão, ou já
por nascimento.

...../.........


Última edição por em Sab 14 Jul - 22:15:38, editado 2 vez(es)
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Diogo Ventura
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Sab 14 Jul - 22:07:29

..../....
5) NOVOS TEMPOS/ALGUMAS PROPOSTAS DE SOLUÇÃO




A Democracia deveria ter aberto novas perspectivas, mas os fantasmas não
desapareceram de todo. Alguns cursos de Português foram surgindo, com maior ou
menor sucesso. Por vezes ao sabor de questões políticas, como durante a Década
de 1990 por causa dos avanços e recuos no atribulado processo que levou à
construção de uma nova Ponte da Ajuda o Guadiana, entre Elvas e Olivença
(inaugurada em 11 de Novembro de 2000).

Em 1999/2000, continuando em
2000/2001, a Embaixada de Portugal em Madrid, e o Instituto Camões, passam a
apoiar o apoiar o ensino do português no Ensino Primário em todas as Escolas de
Olivença. Incluindo as Aldeias. Apenas Táliga, antiga aldeia de Olivença
transformada no Século XIX em município independente, está ainda de fora deste
projecto, para o qual foram destacados, primeiro três, depois quatro professores
portugueses. Aproveite-se para dizer ser urgente acudir a Táliga, onde só 10% da
população ainda tem algo a ver com a Língua de Camões. Urgentíssimo!

Tinha
sido dado um primeiro e importante passo. Mas não se tem revelado suficiente. O
Estado Português deverá tentar influenciar a tomada de outras medidas, dada até
a sua posição sobre o Direito de Soberania sobre Olivença: o ensino da História
(que não é feito em parte nenhuma em Olivença), por exemplo: a utilização
prática da Língua, em documentos oficiais, toponímia, etc.; a continuação do
Estudo do Português até níveis de ensino mais avançados; e tantas coisas mais
que se poderiam referir!

Pouco interessa aqui dar demasiada relevância ao
problema que subsiste entre os dois maiores Estados Ibéricos. O que não se pode
negar é e ele existe e influencia esta problemática, ainda que pouco importe
aprofundar aqui quem tem razão. Não se pode, também, é "fingir" que está tudo
perfeitamente definido ! muito menos em nome do politicamente correcto....


Acima de tudo, é preciso dar ao Português dignidade... e utilidade.
Descolonizar/Recuperar Cultural e Linguisticamente, pelo menos em termos
psicológicos. Revalorizar o Português que sobrevive, o qual, por ser uma
variante da fala lusa regional do Alentejo, é vítima de comentários pouco
abonatórios. Deve-se "fazer a ponte" entre as velhas gerações e os jovens
alunos. Ensinando-lhes, por exemplo, a partir de exemplos da velha poesia
popular e erudita oliventina, no idioma de Camões, e que é ainda, graças a
recolhas etnográficas e a alguns poetas populares vivos, suficientemente
conhecida para tal. Porque, sem perceberem que estão a dar continuidade à
cultura dos seus avós, os jovens oliventinos dificilmente compreenderão que
aprender a língua lusa é muito diferente de aprender uma língua estrangeira
(Inglês, Francês, Alemão). É preciso dizer claramente que o Português é
imprescindível para que as novas gerações compreendam o que as gerações
anteriores quiseram transmitir.



6) EXEMPLOS DE FALA OLIVENTINA/UMA VOZ
CONSCIENTE



Não resisto a dar aqui alguns exemplos da tradição popular
oliventina, dominada pela terminologia alentejana:



Na Vila de
Olivença Ó minha mãe, minha mãe,

não se pode
namorar! "companhêra" de "mê" pai,

As velhas saem ao
Sol eu "tamêm" sou "companhêra"

e põem-se a
criticar! daquele cravo que ali vai!



Eu tenho uma
silva em casa Olha bem para o "mê" "pêto"

que me chega à
"cantarêra" onde está o coração

busque "mê" pai quem o
sirva vê lá se disto há "dirêto"

que eu "nã" tenho quem me
"quêra"! diz-me agora: sim ou não !



"Azêtona"
pequenina Saudades, tenho saudades,

também vai ao
lagar; saudade das "fêticêras".

eu também sou
pequenina Lembrança das amizades

mas sou firme no
amar. da terra das "olivêras".



Se eu tivesse não
pedia Adeus, Largo do Calvário

coisa nenhuma a
"nênguém" por cima, por baixo não.

mas, como "nã" tenho,
peço Por cima vão os meus olhos

uma filha a quem a
tem por baixo, meu coração.



Textos destes poderiam
multiplicar-se. Ainda, entre os idosos, há quem conheça estas quadras. Mas entre
os jovens, poucos as conhecem. Como é possível que não se ensine Português aos
oliventinos... começando por quadras como estas ? Começando por ouvir idosos
declamarem-nas ?

Exemplos de que não tem sido essa a perspectiva do
Ensino do Português ora leccionado encontram-se, por exemplo, no facto de,
durante algum tempo, ter-se considerado que continuar o Ensino do Português no
Secundário, como sucede em Badajoz e noutros locais, poderia ser perigoso em
Olivença. Ridículo! Depois, tal foi levado a cabo, dizem que quase mais por
insistência do Professor João Robles Ramalho, que de outra coisa. E, como o dito
professor morreu, de repente, há uns meses... espera-se que tal não seja usado
como desculpa para não se voltar a ensinar a língua a nível mais avançado. Haja
esperança....

Mas a situação actual não é famosa. Há estudos que falam em
"declínio do Português em Olivença", no seu uso coloquial. Como dizia um jovem
oliventino (Junho de 2007), a este respeito, «isto é uma verdadeira tragédia;
depois de pouco mais de 200 anos, o português vai desaparecer em Olivença; a
alma dos povos é a lingua; a lingua é a memória, é tudo; em Olivença vam ficar
sómente as pedras, as fachadas, do que foi o seu passado português; Nao há nada
mais triste que conhecer que o fim vai chegar e ninguém fiz[fez] nada para
evitá-lo; ninguém compreende que a morte do último luso-falante vai ser a morte
da alma portuguesa, o fim de gerações falando português nas ruas, nas moradias,
no campo oliventino, ao longo de mais de sete seculos?». E continua: «O artigo
da senhora Fátima Matias explica perfeitamente as razoes e o contexto da agonia
do português em Olivença; mas... agora ja nao há ditadura; Deveriamos ficar
orgulhosos de ter esta riqueza linguística e procurar a defesa





e o


ensino do português oliventino; (...) e, um pouco também, o Estado português
é também responsavel; com independência de questões de índole soberanista,
deveria implicar-se na promoção do português em Olivença e nao sómente não
reconhecer [a soberania espanhola] e não fazer nada.»

Pode-se aplaudir o
que se faz hoje, mas é imprescindível algo mais: faça-se um estudo do
Português-Alentejano falado em Olivença, e ligue-se o mesmo ao Português-Padrão
ensinado nas Escolas, de modo a fazer a ligação entre as gerações e produzir uma
normal continuidade que deveria naturalmente ter ocorrido. Assim se corrigirá a
distorção introduzida pela pressão do Castelhano. Este estudo pode ser feito por
quem se mostre capaz de o fazer: portugueses, mas também alguns especialistas e
linguistas extremenhos. A nenhum Estado (Portugal ou Espanha) se poderá perdoar
deixar morrer uma cultura !



7) UMA LUTADORA EM NOME DA CULTURA E DA
TRADIÇÃO



Há alguém, em Olivença, que é um exemplo. Trata-se de uma
Senhora, que não admite que ponham em causa o seu amor a uma Olivença espanhola.
Todavia, e para honra e Espanha, esta incansável senhora, Rita Asensio
Rodríguez, tem dedicado a sua vida a escrever livros e mais livros, onde
descreve os velhos costumes oliventinos, e, o que mais nos interessa aqui, a sua
maneira de falar. Muitas vezes ela opina que se trata de formas únicas no mundo,
pois desconhece o "alentejano". Todavia, ela faz recolha após recolha, e é ela
que mais sabe, hoje em dia, sobre a fala popular oliventina. O seu último
trabalho ("Apuntes para una História Popular de Olivenza", 2007), para além de
descrever inúmeras tradições populares, algumas já desaparecidas, tem no fim uma
espécie de "pequeno dicionário" de oliventino-espanhol.

Citar alguns
exemplos é a melhor forma de justificar o tema da minha comunicação.


Começo por termos que não foram alterados, e que são comuns ao Português
-Padrão:

Alcofa; Atrapalhado; Abóbora; Agriões; Alfazema; Bacorinho;
Brincos; Bicas; Bazófia; Costas; Carocha; Chapéu; Coentro; Calças; Coelho;
Courela; Espalhafato; Escaravelho; Esquecer; Ferro (de engomar); Fornalha;
Grãos; Gargalo; Garfo; Ervilhas; Lenço; Maluco; Melão; Minhocas; Osga; Pousio;
Picha; Pintassilgo; Peúgas; Poleiro; Panela; Rola; Roseira; Ranho; Saudade;
Salsa; Turra; Tacões; Ventas (nariz); Vespa.

Sigo com termos
alentejanos,ou que considerei como tais para melhor explicar,na sua forma
original, na sua forma actual usada em Olivença, e traduzidos, se
necessário:

Azevia/Açubia(-); Alguidári; Alface/Alfaça; Azêtona;
Arrecadas/Arcadas (grandes brincos); Andorinha/Andrurinha; Alarvices;
Paleio/Apaleo; Asnêras; Amanhado (arranjado, preparado); Alicati;
Alentar/Alantar (crescer); Aventar (deitar fora, derrubar); Vasculho/Basculho
(vassoura); Melancia/B´lancia; Barbulha (borbulha); Brócolos/Broquis;
Bebedêra/Bebedela; Biquêra; Badana (mulher velha); Baldi; Bandalho (mal
vestido); Barranhola/Barranhali (Banheira); Púcaro/Búcaro; Boleta (Bolota);
Caliche (Caliça); Cuitadinho; Descarada/Cascarada (!); Corremaça (correria);
Cueiros/Culêros; Chico (Francisco); Descasqueado (Limpo); Dôtorice (jactância);
Embatucado (sem palavras); Escandalêra; Engadanhado (impedido de usar os dedos
por causa do frio); Empolêrar-se; Esturricar; Escancarar(abrir totalmente);
Ajoelhar-se/Esvoelhar-se; Escavacada/Escavada (!); Entrudo; Enciêradas (gretadas
de frio); Janela/Esnela; Centopeia/Entopeia; Falhupas (chiapas de lume);
Esfregão/Fregón; Fartadela; Feijão-





frade/Fradinho; Fanhoso;
Fedorento/Fudurento; Fêtecêra; Farinhêra mole; Ferrugento/Furrugento; Fatêxa;
Garganêro (açambarcador, egoísta); Galiquêra ou Caliquêra (doença venérea);
Libória (tonta); Lençoli/Lançoli; Leque/Lecre; Mangação/Mangaçón (troça);
Melhoras (Boas melhoras); Monte/Monti (Herdade); Mexeriquêra/Mixiriquêra;
Mascarra (Sujidade, Amorenado); Mondar (actividade agrícola); Nódoas/Nodas;
Pantanêro/Patamêro (lama); Cair de Pantanas (cair de costas); Pelintra/Pilintra;
Passarola/Passarinha/Passarilha (Púbis e vulva); Piali (Poial);
Reboliço/Raboliço; Remela/Ramela; Repesa (arrependida); Ralhar/Rayari;
Rabujento/Rabulhento; Ceroulas/Cirôlas; Chocalhos/Sacayos; Surrelfa; Saboria
(Sensaboria); Cenoura/Cinôra; Sabola (Cebola); Tanjarina; Devagarinho/Vagarito;
Velhici; Varais dos òculos/Varales dos ócalus; Sarrabulho (confusão,
desorganização)

Lamento ter-me alongado, mas talvez assim tenha
transmitido algo de concreto que de outra forma não seria possível. Ouviram
falar "alentejano", ou oliventino... como queiram; e esta senhora, Rita Asencio
Rodríguez, tem mais três ou quatro livros mais antigos publicados dede há trinta
anos.

Como se pode deixar perder tudo isto? A História não nos
perdoaria.



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MensagemAssunto: Re: Olivença   Sab 14 Jul - 22:08:17

A8)LGUNS EXEMPLOS COLHIDOS AQUI E ALI



Não
resisto a lembrar algumas reacções com que me deparei em Olivença.

Por
exemplo, numa aldeia, falando em Português com os donos de um "estanco" de
Tabacos, insisti no conhecimento histórico e na preservação da língua. Os
interlocutores, falando em Português, contestavam essas opiniões. Dei o exemplo
deles próprios, a falar a língua lusa. A reacção foi devastadora: "Malditos dos
nossos pais, que nos deixaram esta língua!"

Outro exemplo: num Monte
(herdade) oliventino, falando com uma senhora de, talvez, trinta anos, fui
correspondido em português/alentejano. Recordo uma frase dela, ao dirigir-se ao
marido: "Segura aqui no "minino", para eu temperar a "selada".

Mas, cerca
de cinco minutos depois de conversação, a mesma senhora, sem que nada o fizesse
prever, interrompia o seu discurso na língua de Camões, e declarou, aterrada:
"Desculpe! Estou a falar em Português! É falta de Educação!"

Começou a
falar em castelhano. Claro, contestei a decisão... ouvindo aquilo que talvez
mais irrita um alentejano em Olivença (e se ouve continuamente...) como
justificação: "Isto que a gente fala já não é Português, é um "chaporreo".


Um outro exemplo pretende mostrar como o Português que se ensina actualmente em
Olivença provoca choques geracionais. Um idoso de um Monte (herdade), quando foi
por mim elogiado por falar idioma luso, ripostou-me: "isto já não é Português,
nem é nada. A minha sobrinha, que aprende na Vila (Olivença), é que fala um
Português verdadeiro. Ela até me critica!"

Para acabar, um exemplo mais
pitoresco. Encontrei em Olivença um homem de cerca de cinquenta anos, que,
ironizando, me disse que falava Português porque nessa língua "não há confusões
entre Padre (sacerdote) e Pai." Aqui, uma posição crítica em relação ao
cristianismo ajudava a preservar a língua.



9) JÁ OS ANTIGOS
SABIAM...



A atitude de muitos oliventinos, que se orgulham de já
falarem espanhol "sem acento", e de já não se distinguirem dos "espanhóis
verdadeiros", o que, já por si, é uma afirmação curiosa, faz-me lembrar uma
"análise" de Tácito, sobre o modo como os conquistados pelo Império Romano iam
aceitando a Cultura do Conquistador.

Dizia ele: "(...) os mais propensos
há pouco a rejeitar a língua de Roma ardiam agora em zelo para a falar
eloquentemente. Depois isto foi até ao vestuário que nós temos a honra de
trajar, e a toga multiplicou-se, progressivamente. Chegaram a gostar dos nossos
próprios vícios, do prazer dos pórticos, doa banhos e do requinte dos banquetes,
e estes iniciados LEVAVAM A SUA INEXPERIÊNCIA A CHAMAR CIVILIZAÇÃO AO QUE NÃO
ERA SENÃO UM ASPECTO DA SUA SUJEIÇÃO."

Podemos transpor esta reflexão para
o campo linguístico em Olivença. E só nos podemos espantar com "a sabedoria dos
antigos", como se costuma dizer.



10) CONCLUSÕES



Contrariar a
situação de agonia do Português Popular de Olivença é uma tarefa que não se
limita aos defensores da lusofonia. Para já, alguns possíveis "remédios" foram
propostos ao longo deste trabalho.

Mas a questão NÃO É SÓ lusófona.


Quero deixar aqui um apelo a Espanha, e muito particularmente às autoridades da
Extremadura Espanhola, e ainda mais particularmente às autoridades municipais da
Região Histórica de Olivença.

Não importa que se defenda que Olivença
deve ser espanhola, portuguesa, ou até mesmo francesa ou coreana. O que não é
digno é que, em pleno Século XXI, numa Europa que se diz herdeira e praticante
de valores humanistas e democráticos, nada se faça para combater o risco de
desaparição de uma língua, que é o reflexo de toda uma cultura.

Não é
aceitável que não se procure restituir a dignidade a uma cultura tradicional.
Também não é muito digno que não se informe toda uma população das suas raízes e
da sua História. Se se quiser, recorrendo a uma frase feita, "não é europeu", e
nem sequer politicamente correcto.

Também o Estado Português não está
isento de culpas. Independentemente de aspectos políticos e de contestação de
traçado de fronteiras, aspectos que não importa desenvolver aqui, Lisboa tem a
obrigação de agir. Ao abrigo das suas competências, pode, deve, transmitir muito
claramente o seu descontentamento e a sua apreensão. Propor soluções. Editar
brochuras. Protestar contra a ocultação da História. Como faz noutros pontos do
mundo em que há presença portuguesa.

"A minha Pátria é a Língua
Portuguesa", disse Fernando Pessoa, tão citado por elites variadas. Passe-se à
prática este princípio !

Pela minha parte, pela nossa parte, não nos
calaremos, e desde já nos propomos a ajudar pessoas ou instituições,
independentemente da sua orientação política ou da sua nacionalidade, para
combater a agonia do Português em Olivença.

O Primeiro passo poderá
ser um Congresso, ou umas Jornadas, ou uns Encontros, sobre o tema, que reúna a
participação de especialistas e autoridades das mais diferentes origens, unidos
pela sua boa vontade...



Estremoz, 11 de Julho de 2007


Carlos Eduardo da Cruz Luna
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Dom 15 Jul - 20:32:24

Caros Administradores
António Matos e Pedro Reis.
Quero deixar o agradecimento publico pela divulgação da Causa de Olivença
Pelos dois textos publicados na página da AMT
http://amt.no.sapo.pt/novaversao/novidades.htm
Bem Hajam
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MensagemAssunto: Re: Olivença   Hoje à(s) 0:49:42

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Olivença
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