MONARQUIA TRADICIONAL

Nós seremos livres, nosso rei será livre, nossas mãos nos libertarão
 
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 Sobre Salazar

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O Conjurado
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MensagemAssunto: Sobre Salazar   Qua 5 Set - 22:21:01

Sobre o Presidente Salazar, ficam aqui para leitura geral algumas palavras com que ele traçou o seu auto-retrato.

"Devo à Providência a graça de ser pobre; sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, sustentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia, não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente.
Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não pelas ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre.
Jamais empreguei o insulto ou a agressão de modo que homens dignos se considerassem impossibilitados de colaborar. No exame dos tristes períodos que nos antecederam, esforcei-me sempre por demonstrar como de pouco valiam as qualidades dos homens contra a força implacável dos erros que se viam obrigados a servir. E não é minha a culpa se, passados vinte anos de uma experiência luminosa eles próprios continuam a apresentar-se como inteiramente responsáveis do anterior descalabro, visto teimarem em proclamar a bondade dos princípios e a sua correcta aplicação à Nação Portuguesa. Fui humano.
Penso ter ganho, graças a um trabalho sério, os meus graus académicos e o direito a desempenhar as minhas funções universitárias. Obrigado a perder o contacto com as ciências que cultivava, mas não com os métodos de trabalho, posso dizer que as reencontrei sob o ângulo da sua aplicação prática; e folheando menos os livros, esforcei-me em anos de estudo, de meditação, de acção intensa, por compreender melhor os homens e a vida. Pude esclarecer-me.
Não tenho ambições, não desejo subir mais alto e entendo que no momento oportuno deve outrem vir ocupar o meu lugar, para oferecer ao serviço da Nação maior capacidade de trabalho, rasgar novos horizontes e experimentar novas ideias ou métodos. Não posso envaidecer-me, pois que não realizei tudo o que desejava; mas realizei o suficiente para não poder dizer que falhei na minha missão. Não sinto por isso a amargura dos que merecida ou imerecidamente não viram coroados os seus esforços e maldizem dos homens e da sorte. Nem sequer me lembro de ter recebido ofensas que em desagravo me induzam a ser menos justo ou imparcial. Pelo contrário, neste país, onde tão ligeiramente se apreciam e depreciam os homens públicos, gozo do raro privilégio do respeito geral. Pude servir."
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leònidas_
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qui 6 Set - 2:44:56

Fico comovido !

deve ser por isso que 2 dias antes de D. Manuel II falecer este escreveu :"finalmente consegui o que queria: mando no Pais"

Foi realmente um dos maiores estadistas ( o maior do sec XX), mas muita propaganda ofuscou a sua verdadeira faceta de verdadeiro e crû estadista que soube a todos manipular...para bem de todos e talvez acima de tudo por um imenso orgulho pessoal

bem haja
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Plebeu
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Ter 18 Set - 17:34:46

Que tristeza!
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Plebeu
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Ter 18 Set - 17:35:06

Que tristeza!
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Josephus
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Ter 18 Set - 18:01:05

Plebeu escreveu:
Que tristeza!

Com uma maconha na pinha talvez ficasses alegrote
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O Conjurado
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qua 19 Set - 14:24:40

«...É, na verdade, uma hora nova, esta hora que estamos a viver.
Devemo-la, de modo especial, a um homem: a Salazar, encarnação de Princípios, de Ideias, de Doutrinas que o Portugal legal de há um século ignorou, embora no Portugal real não faltasse quem lhas proclamasse.
Um dos grandes e imortais serviços prestados a Portugal por Salazar consiste numa coisa de que só os verdadeiros Homens de Estado são capazes: fazer das circunstâncias instrumentos úteis das suas ideias.
Chamado ao poder para sanear as Finanças públicas, Salazar não se limitou à missão de que o tinham encarregado; foi muito mais além: meteu ombros à tarefa difícil de limpar a Nação das mazelas revolucionárias, restituindo a Nação à própria Nação. Nesse trabalho anda empenhado. Trabalho gigantesco, porque o peso morto das resistências passivas, dos egoísmos interesseiros, do incivismo das chamadas élites, da incompreensão e da estupidez das massas, da influência deletéria das forças ocultas, é enorme, e bem poucos são os que vêem para além das fórmulas do presente, necessariamente transitórias, as bases estáveis que o Futuro reclama.
Dá-me Salazar a impressão da voz do que clama no deserto. À audácia silenciosa do seu pensamento, responde a cobardia, a timidez, o gaguismo dos que deviam acompanhá-lo, animá-lo, estimulá-lo e facilitar-lhe o terreno por onde tem que andar.

Alfredo Pimenta
(in «Gil Vicente», vol. XVI, nº 10/11/12, pág. 222, Outubro/Novembro/Dezembro de 1940)
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O Conjurado
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qua 19 Set - 14:34:39

PARABÉNS, SALAZAR!

Sob este título, o grande cineasta e homem de cultura que foi António Lopes Ribeiro fez questão de publicar a 28 de Abril de 1977, dia em que passavam 88 anos sobre o nascimento de Salazar, o artigo que passamos a transcrever.

Se fosses vivo, Salazar, completarias hoje – hoje precisamente - 88 anos. O que quer dizer que sem a queda desastrada e desastrosa que atirou contigo, semanas depois, para o Hospital da Cruz Vermelha, e dali a dois anos para o cemitério do Vimeiro, podias muito bem ainda estar vivo. E é de crer que com a tua fortaleza de alma, a força inquebrantável do teu espírito, a rijeza beirã que te fez resistir a todos os achaques que te afligiram desde a juventude, ainda hoje estivesses vivo e são, física e mentalmente. A prova é que mesmo durante os vinte e dois meses da tua longa e lenta agonia (já disse um poeta que morreste "devagar", como aquele rei de Portugal a quem chamaram Capitão de Deus) mantiveste quase intacta a lucidez que fez de ti, quer queiram quer não, uma das mais altas figuras da nossa história multissecular. E, sem sombra de dúvida, o maior Português do nosso século.
Mas, se hoje estás fisicamente morto, jazendo na tua campa modesta - que ainda ninguém se atreveu a profanar e onde todos os dias há quem vá depor flores - continuas vivo, bem vivo, cada vez mais vivo na memória de todos os Portugueses, mesmo na daqueles que se disseram teus inimigos e hoje tentam - em vão - apagar a lembrança do que foste, sumir a recordação do muito que fizeste pelo país onde nasceste, pelo povo a que pertences, povo e país que serão sempre os teus, pelos séculos dos séculos.
Que importa que umas dúzias, ou mesmo umas centenas de aventureiros da política, fardados ou à paisana, procurem negar a tua obra, que nem sequer tiveram o bom senso e a inteligência de aproveitar no que ela teve de melhor, em beneficio deles próprios? Que interessa que um caquético capitão, percursor falhado e exilado de outros capitães - alguns dos quais como ele se exilaram para não prestar contas dos seus malefícios - te chame, com a grosseria própria das casernas, "o fradalhão de Santa Comba"? Julgará ele, no seu anticlericalismo primário e imbecil, que comparar-te aos frades mais austeros e mais sábios pode diminuir, no mínimo que seja, a tua estatura gigantesca de mestre e de estadista, a tua auréola de pensador e homem de acção, a tua exemplar integridade moral, a tua honestidade incorruptível, o teu portuguesismo inabalável?... Pobre tonto!
Frade foi António Vieira, cujas cartas e sermões relias e meditavas com afinco, por serem tratado incomparável de governação, lição sem par de fé cristã e de amor pátrio. Frade se fez Manuel de Sousa Coutinho - Frei Luís de Sousa - que foi, tal como tu, exemplo de patriotismo e grande escritor. E outros, muitos outros, de que a História, tantas vezes ingrata ou distraída, não reteve os nomes, mas que devotaram a vida, como tu, ao serviço de Deus e da Pátria, lutando de armas na mão contra invasores cobiçosos, missionando nas terras de além-mar que descobrimos e cristianizámos, que arroteámos e civilizámos, na África, na Índia, no Brasil. Essas terras que muitos dos que hoje intentam renegar-te defenderam heroicamente enquanto foste vivo, para depois da tua morte - só depois! - as entregarem de mão beijada aos nossos inimigos mais cruéis. Essas terras que abandonámos e despovoámos nas mais trágicas e vergonhosas condições, com a cumplicidade traiçoeira ou o assentimento inexplicável daqueles que haviam jurado solenemente defendê-las, mesmo com o sacrifício da própria vida.
E alguns deles, como outros de igual jaez que não juraram nada, não tiveram pejo de ir morar na mesma casa onde moraste, de se sentarem à tua mesa de trabalho, à tua mesa de jantar, de dormirem na mesma cama onde dormiste! É até provável, na sua incomensurável vaidade e estólida inconsciência, que isso lhes parecesse merecido galardão, e que não sintam remorsos, nem lhes trema a caneta, nem os aflijam fastios, indigestões, insónias e pesadelos. Que desaforo!
Seria na ignara esperança de que a tua fantomática presença lhes guiasse o pensamento e inspirasse as grandes decisões?... Que estupidez!
Comparem-se com os teus, os seus despachos, comunicados, decretos, projectos de lei, entrevistas e discursos. Que abismo os separa! Que declínio abissal na linguagem e nos intuitos, na clareza e na eficácia! Seria de rir a perder, se por efeito deles não estivéssemos perdidos, por tudo quanto se perdeu. Em troca de quê? Da liberdade?... Qual?
Será que nem disso se dão conta?... Não o creio. Por mais inconscientes e vaidosos que sejam, ainda lhes sobrará um resíduo de inteligência que lhes permita avaliar a incapacidade de se equipararem, ou sequer se aproximarem do teu génio político, da tua competência jurídica, da tua habilidade diplomática. De tudo aquilo que nos deu quase meio século de moeda firme, de finanças sãs, de contas certas, de orçamentos equilibrados e superavitários, de obras públicas notáveis, de progresso económico constante, de ordem nas ruas, disciplina nos quartéis, nas fábricas, nas escolas.
Eras "autoritário"?... Que falta nos faz agora quem o seja, no sentido do teu "autoritarismo", oriundo da tua enorme "autoridade"! Autoridade fundada no "respeito geral" que soubeste ganhar, e merecer, em Portugal e no estrangeiro. Pasma-se de pensar que durante a tua vida inteira e nos longos meses da tua luta contra a morte foste mais respeitado pelos teus próprios inimigos do que eles hoje são pelos seus próprios partidários!
Que fizeram eles, os que usurparam inesperadamente o lugar que tão honrada e honrosamente ocupaste, e aqueles que eles chamaram para os acolitar formando em três anos sete governos, promovendo quatro eleições, promulgando uma Constituição inviável?...
Consentiram que se instaurasse a desordem arruaceira nas ruas; deixaram conspurcar as cidades, destroçar os campos, desbaratar o comércio e a indústria, desacreditar a polícia e o trabalho, indisciplinar as forças armadas, extinguir o turismo, desorganizar as artes, degradar o ensino, correr à rédea solta a pornografia e o crime.
Num tempo recorde, empandeiraram a "pesada herança" que deixaste em ouro e em divisas; viram-se forçados a desvalorizar o escudo, a restringir aos nacionais a livre saída para o estrangeiro - sem contudo se privarem de lá ir, vezes sem conta, com luzidas comitivas, para assinar "acordos culturais", mas sobretudo mendigar uns milhõezitos de dólares para "restaurarem" o país que arruinaram estupidamente, que reduziram à escassez geográfica dumas plagas atlânticas e ao zero absoluto da íntima consideração universal. Mas viajam, caramba, viajam muito! Ao passo que tu, Salazar, desde que assumiste o fardo - tão pesado! - do poder, consciente da responsabilidade que assumias, só passaste a fronteira duas vezes, e para ir bem perto daqui. Para fazer o quê? Para evitar - como evitaste - que a tremenda guerra que então assolava quase o Mundo inteiro não transpusesse os Pirinéus e nos tocasse pela porta. Durante esses seis anos pavorosos mantiveste-nos em paz, em paz total, acolhendo todos os refugiados que à nossa paz se vieram acolher, e que festejaram connosco, em 1940, oito séculos de história - história maravilhosa que hoje há quem procure denegrir, nos monumentos, nos livros, nas escolas, nos espectáculos, nos jornais, nos meios ditos de "comunicação social"...
No estrangeiro, a cuja conspiração aberta ou oculta cabe talvez a maior culpa da nossa presente decadência, deram-te a suprema honra de nunca imprimirem o teu retrato na capa das grandes revistas internacionais - a "Life", a "Times", a "Newsweek", "Paris Match", "L'Express" - não te emparceirando com outros que lá têm aparecido - Fidel Castro, Che Guevara, Yasser Arafat, Indira Gandhi, Idi Amin... (Dos portugueses, foram lá prantados, nos últimos três anos, Spínola, Costa Gomes, Vasco Gonçalves, Otelo, Álvaro Cunhal, Mário Soares.)
Hoje, 28 de Abril, três dias depois duma data que já só se celebra com especiais cautelas, completam-se 88 anos após o dia em que nasceste, naquela humilde casa do Vimeiro onde gostavas muito mais de estar do que no Palácio de São Bento. Por isso, em nome de milhões de Portugueses que te recordam com desesperada saudade; em nome dos que ainda sobrevivem permanecendo fiéis à tua memória, neste pobre recanto da Europa ou exilados no estrangeiro; em nome dos que morreram combatendo, a defender o que era nosso desde há cinco séculos - parabéns, Salazar! Muitos parabéns.


ANTÓNIO LOPES RIBEIRO
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qua 19 Set - 16:25:08

Eu estava convencido de que este forum era um sitio democratico onde se discutia monarquia e futuro, afinal...
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O Conjurado
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qua 19 Set - 21:59:34

E eu estou convencido que a democracia destruiu a nação.

Não há futuro para Portugal sem uma mudança radical. Não é por vir o rei que a nossa economia progride ou que a nossa imensa divida publica, tanto interna como externa, será saldada.

Quer falar de futuro? E como será isso possível com o país na bancarrota, devido a 33 anos de (des)governação "democrática"?

Chega de hipocrisias! O país está na fossa.
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qua 19 Set - 22:45:52

O Conjurado escreveu:
Chega de hipocrisias! O país está na fossa.

E são os salazarentos como tu que vão salvar o país?
Ora deixa-me dar uma sonora gargalhada.
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Valdez
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MensagemAssunto: RE   Qua 19 Set - 23:05:00

Salazar teve os 1º anos meritórios face ao estado caótico de Portugal e depois foi um desastre por ser mentalmente um provinciano que nunca viu o mundo para além do horizonte do seu nariz. O que estamos a viver de mau hoje se deve em parte à estagnação politica e mental do salazarismo.

Os portugueses são ainda hoje medrosos e cobardes por esse espirito bafiento que o salazarismo incutiu. O caciquismo ainda tão presente na nossa vida politica é o fermento da currupção que arruina a nação!
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O Conjurado
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qua 19 Set - 23:31:54

Plebeu escreveu:

E são os salazarentos como tu que vão salvar o país?
Ora deixa-me dar uma sonora gargalhada.

Em 1º lugar não o o conheço de lado algum, nem tão pouco lhe dei confiança para que me trate na segunda pessoa do singular.

Em 2º, não é por vivermos em "democracia" que pode falar como bem lhe aprouver. Há que ter respeito.

A 1ª República deixou o país num estado lamentável, quer em termos morais, quer em termos económicos, quer em termos sociais.

A obra do Estado Novo vem como uma volta à integridade e honestidade perdidas com a revolução liberal. Além de endireitar as contas públicas, que como saberá, é a premissa para o desenvolvimento económico, Salazar é o obreiro de outras grandes medidas que elevaram o país. Deixe-me agora falar resumidamente sobre o que foi feito durante esta grande época para Portugal:

As Políticas Económicas do Estado Novo
As principais e mais duradouras características do modelo económico do Estado Novo foram construídas durante a Ditadura Militar, entre as quais:
- Politica de fomento das obras públicas;
- Política colonial;
- Acto colonial;
- Política de autarcia;
- Constituição política;
- Estatuto do Trabalho Nacional;
- Política conjuntural anti-depressão.

O Período 1928-1948
As duas primeiras décadas da política do Estado Novo, no que respeita aos aspectos económicos, foram condicionadas por dois factores essenciais:
- A preocupação de moderação, com o objectivo de preservar equilíbrios difíceis tanto a nível teórico como a nível prático-ideológico;
- O impacte da Grande Depressão de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.
Estes dois aspectos traduziram-se numa barreira para definir, neste período, uma política económica de industrialização.

A estabilização financeira e monetária
A estabilização financeira e monetária era essencial, pois iria permitir a renovação e o progresso económico do país, através de infra-estruturas tendentes à unificação do mercado interno que assegurariam o fornecimento de energia a baixo preço. O esforço de estabilização é bem anterior à reforma financeira de Salazar, que se tornou ministro das Finanças, em 27 de Abril de1928.
Para atingir a estabilização económica e monetária foram adoptadas medidas jurídicas de carácter económico, tais como: a reforma do regime tributário; a reforma do crédito; a legislação do condicionamento das indústrias e o proteccionismo alfandegário.
As condições impostas pela SDN referentes ao controlo da acção financeira do Estado e à possibilidade de, em caso de falha no cumprimento do estipulado, uma comissão passar a administrar as receitas consignadas ao serviço da dívida contraída não foram aceites pelo Governo português e, a resposta a este contratempo seria uma austeridade financeira acrescida, enquadrada no conjunto de medidas, entre as quais:
- A reforma fiscal;
- A reforma orçamental.
A reforma fiscal traduziu-se num recuo perante os aspectos modernizadores do sistema fiscal e contribui para um substancial aumento das receitas públicas.
A reforma orçamental contribuiu para a contracção das despesas e reclassificou as receitas e despesas.
Coube a Salazar definir as medidas essenciais da disciplina e controlo das despesas, das quais se destacam:
- A obrigatoriedade de cada ministério não ultrapassar a verba que lhe fosse atribuída e de aceitar discutir com o Ministério das Finanças as medidas com efeitos directos nas receitas e nas despesas do Estado;
- A possibilidade do Ministério das Finanças vetar qualquer aumento de despesas;
- A uniformização dos critérios de cobrança de receitas e de realização de despesas.
Para além das reformas fiscal e orçamental, foram tomadas outras medidas, tais como:
- Reorganização da Caixa Geral de Depósitos;
- Criação da Inspecção-Geral das Finanças;
- Reforma da contabilidade pública;
- Remodelação do Conselho Superior das Finanças, originando o Tribunal de Contas.
A estabilização monetária culminou com a adesão de Portugal ao regime do padrão divisas-ouro, o que, conjuntamente com a estabilização financeira, possibilitou um maior controlo da procura global.
A estabilização financeira e monetária era o meio indispensável para garantir a ordem e criar condições para o fomento económico.

Efeitos da crise de 1929
A crise e a depressão, de 1929, sentiram-se a nível internacional e tiveram repercussão na economia portuguesa. Todavia, os seus efeitos foram maiores na progressiva construção e adaptação da política e acção do Estado Novo do que nos efeitos directos negativos.
São apontadas como razões para a relativa benignidade dos seus efeitos em Portugal, o atraso económico e a pequena abertura externa da economia portuguesa:
- O peso e a falta de modernidade do sector agrícola;
- O sector industrial caracterizava-se por pequenas unidades produtivas, tecnologicamente pouco avançadas e pouco dependentes de capital estrangeiro, e ausência de concentração técnica e financeira no sector industrial;
- O peso do comércio externo e do investimento estrangeiro no produto nacional era reduzido.
A crise de sobreprodução e a depressão implicaram, por um lado, o fecho à imigração dos mercados tradicionalmente importadores de mão-de-obra tendo e, por outro, a quebra das remessas dos emigrantes e a suspensão da transferência das receitas das aplicações de capital, que levaram ao desemprego e à contracção da procura.
A quebra dos preços nos mercados internacionais afectou negativamente os sectores exportadores ligados à agricultura e às produções coloniais.
Portugal reagiu a esta conjuntura com o mesmo tipo de políticas e as mesmas ideias que foram aplicadas na maioria dos outros países, com a vantagem de o terem sido com antecipação.
O nacionalismo económico traduziu-se no esforço de garantir mercados para a produção interna, levando ao proteccionismo, e numa política de desenvolvimento industrial em autarcia económica, com base na substituição das importações e no papel activo do Estado.

O Acto colonial
O Acto Colonial enquadrou a integração dos espaços económicos metropolitano e colonial com o duplo objectivo de garantir os mercados africanos para escápulas dos produtos industriais e obter o fornecimento de matérias-primas industriais em boas condições financeiras.

Campanha do Trigo
Portugal era um país pobre e o pão constituía uma das principais fontes de alimentação das populações. Assim, os objectivos desta campanha eram o incentivo à expansão do cultivo do trigo, garantindo a auto-suficiência do país e a remuneração justa aos factores produtivos, minorando o desemprego rural.
Contudo, os objectivos da Campanha do Trigo, no que respeita à auto-suficiência, não foram atingidos devido à inadequação das condições climatéricas e de solo e das estruturas fundiárias.

O Condicionamento Industrial
As preocupações de intervencionismo e de nacionalismo económico traduziram-se na aplicação do condicionamento das indústrias, que surgiu para fazer face a alguns problemas específicos de alguns sectores industriais.
O condicionamento industrial tinha como fim garantir o controlo da indústria por nacionais e a regulação da actividade produtiva e da concorrência. Todavia, existiam outras preocupações, tais como evitar o desemprego, a sobreprodução, a queda dos preços e o descontentamento social.

A Organização Corporativa
O corporativismo procurou incentivar os agentes económicos a organizar a actividade económica com base nos princípios do capitalismo, mas reduzindo os efeitos negativos da concorrência e do liberalismo, ou seja, pretendia substituir a regulação do mercado pela regulação corporativa. Esta fórmula assegurou um desenvolvimento harmónico e prudente, capaz de fomentar a industrialização e de fazer convergir os interesses dos trabalhadores e dos patrões.

A Lei da Reconstituição Económica
A política de obras públicas e infra-estruturas levadas a cabo pelo Estado Novo só foi possível devido à política de estabilização financeira e monetária, que só assumiu a sua verdadeira dimensão na Lei de Reconstituição Económica.
A Lei previa a execução de um programa de investimentos públicos, tendo em atenção a disponibilidade financeira, no âmbito da defesa nacional e da reconstituição económica, com o objectivo de consolidar a unificação do mercado interno. O financiamento provinha das receitas efectivas, nos empréstimos e marginalmente nos saldos dos anos económicos findos. Quanto às despesas efectuadas, estas são: o peso da defesa nacional, reconstrução e fomento económico (agricultura, transportes, telecomunicações e energia).
Pretendia-se dar a visão do empenho do Estado Novo na industrialização e modernização económica do país, contudo só com a 2.ª Guerra Mundial foram criadas condições que permitiriam a entrada de Portugal na época do moderno crescimento económico.

A Economia Portuguesa e a 2ª Guerra Mundial
Apesar da posição neutral assumida por Portugal no conflito, o país sofreu os efeitos da guerra económica e teve que reagir com políticas económicas típicas de uma economia de guerra. Criaram-se condições para uma política de industrialização, todavia foram levantados dificuldades sobre a manutenção das estruturas, e o esforço de manutenção da estabilidade económica e social não resistiria aos efeitos do bloqueio económico. Numa economia dependente do exterior relativamente a matérias-primas essenciais, bens intermédios e bens alimentares, e a diminuição da oferta por parte dos países beligerantes e ocupados e a redução nos fornecimentos, provocaram escassez, inflação e agitação social. Estes efeitos ao revelarem a fragilidade da economia portuguesa, levaram a que fosse defendido um processo de industrialização baseado na substituição de importações e em indústrias de base, aproveitando um mercado interno mais protegido, e a uma politica intervencionista por parte do Estado.
A economia de guerra, traduziu-se assim na intensificação da regulação económica estatal com o objectivo de garantir o financiamento e canalização de factores produtivos para o esforço de guerra, aqui observou-se um catching up.
Portugal não conseguiu evitar as dificuldades de uma conjuntura de guerra, que se agravaram na segunda metade de 1941, e para tal contribuíram vários factores: maior eficiência do bloqueio económico, com a entrada dos EUA na guerra; a falta de transportes marítimos e desarticulação e irregularidade dos transportes internos; quebra na produção e produtividade na agricultura; e aumento da circulação monetária.
Face estes problemas, o Estado incentivou o aumento das zonas cultivadas e a diversificação de culturas, garantiu mão-de-obra barata, aumento as horas de trabalho, deu subsídios, facilitou o crédito, criou mecanismos de controlo de preços e de comercialização dos bens. A guerra apesar das dificuldades criadas, significou prosperidade para a indústria, reforçando a prioridade da industrialização. No fim da guerra havia uma política industrial para reestruturar e reorganizar a indústria.
Em 1945, a Lei do Fomento e Reorganização Industrial, concedeu prioridade às indústrias transformadoras, protegeu o mercado interno, lançou novas indústrias, como meio de aumentar a eficiência económica. O Governo viria ainda a levar a cabo uma política deflacionista, com o fim de contrariar o aumento da massa monetária em circulação e de reduzir os resultados negativos dos saldos das contas públicas provocados pelo aumento das despesas com a defesa e com a economia de guerra.

Agora que levantei um pouco o véu sobre o que Salazar e o Estado Novo fizeram pelo país, quero ver com que argumentos contrapõe o génio de Salazar e a falta que ele faz.


Última edição por em Qua 19 Set - 23:43:40, editado 4 vez(es)
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O Conjurado
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qua 19 Set - 23:32:42

Caro valdez, o meu tópico anterior também serve de resposta a si.
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Pedro Reis
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qui 20 Set - 3:09:33

Plebeu escreveu:
Eu estava convencido de que este forum era um sitio democratico onde se discutia monarquia e futuro, afinal...

É um sítio democrático e por tal discute-se tudo, incluindo Salazar, Estaline, etc, se essa for a vontade dos participantes. Se não é sua vontade discutir, pois olhe, tenho pena.
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qui 20 Set - 8:40:15

Pois é o pior foi de 48 em diante...e para os monarquicos esse homem foi um desastre ao apoiar para manipular a linha usurpatória dos descendentes de D. Miguel.
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qui 20 Set - 13:20:18

Valdez escreveu:
Pois é o pior foi de 48 em diante...e para os monarquicos esse homem foi um desastre ao apoiar para manipular a linha usurpatória dos descendentes de D. Miguel.

Como já tenho dito, eu não apoio nenhum pretendente ao trono de Portugal, mas talvez seja por isso que consiga ser imparcial e honesto para dizer que estou farto de ouvir os liberais dizer que D. Miguel era usurpador. Basta! Ele era o rei legitimo. Foi proclamado rei à maneira tradicional, em cortes. Enquanto que D. Pedro atraiçoou a pátria e proclamou a independência do Brasil.
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qui 20 Set - 15:35:12

Já alguma vez leu as cartas de convocação dessas cortes...é hilariante! Tenho a certeza absoluta que o ex infante teve unanimidade com 100% dos votos a favor. Sabe que antes dessas cortes já havia 15.000 portugueses exilados a fugirem às maluqueiras do ex infante e companhia?
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qui 20 Set - 17:35:42

Valdez escreveu:
Já alguma vez leu as cartas de convocação dessas cortes...é hilariante! Tenho a certeza absoluta que o ex infante teve unanimidade com 100% dos votos a favor. Sabe que antes dessas cortes já havia 15.000 portugueses exilados a fugirem às maluqueiras do ex infante e companhia?

E quantos exilados houve depois do fim da guerra liberal? Quantas execuções sumárias? Quantos bens arrestados? Quantas famílias proscritas?
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MensagemAssunto: RE   Qui 20 Set - 18:50:28

Acontece sempre depois das guerras algumas vinganças, infelizmente faz parte da natureza humana.

Se o Pedro soubesse certas histórias de terror onde os miguelistas enforcavam e extripavam pessoas só por serem liberais, actos de grande barbárie. Depois da guerra deve ter havido algumas vinganças.
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qui 20 Set - 19:51:05

Valdez escreveu:
Acontece sempre depois das guerras algumas vinganças, infelizmente faz parte da natureza humana.

Se o Pedro soubesse certas histórias de terror onde os miguelistas enforcavam e extripavam pessoas só por serem liberais, actos de grande barbárie. Depois da guerra deve ter havido algumas vinganças.

Então uma mão lava a outra e as duas enxugam-se na mesma toalha...
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MensagemAssunto: re   Qui 20 Set - 20:10:55

Só que no 1º caso o mandante era o usurpador que queria o poder a todo o custo, no pós guerra seriam situações de ódios entre familias e vizinhos.
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MensagemAssunto: Re: Sobre Salazar   Qui 20 Set - 20:42:44

O Valdez já não tem idade para acreditar no pai natal.
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