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 25 de ABRIL

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MensagemAssunto: 25 de ABRIL   Seg 24 Abr - 2:42:45

Mais um que passou pela barreira do politicamente correcto.


O 25 DE ABRIL E A HISTÓRIA

De: António José Saraiva

Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.

Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.

Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.

Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no exército, não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética. O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar. Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas.

Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. O outro problema era da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.

Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.

Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total.

Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.

Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados. Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regímen monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.

Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encubra uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa história e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro. É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de nação independente.

António José Saraiva
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MensagemAssunto: Democracia falida   Ter 25 Abr - 20:01:57

O 25 de Abril

São muitos os que dizem bem do 25 de Abril, não porque o adorem, mas por estar politicamente correcto. Poucos têm a frontalidade para dizer que são contra o 25 de Abril. Eu, sou a favor, mas por outras razões que não as do politicamente correcto.

A convicção de que a Democracia é a melhor forma de Governo, instalou-se nas mentes mais desprevenidas, com um afinidade superior a um dogma religioso. Não é raro ouvir dizer as palavras tolas de Churchill de que “a democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras que foram experimentadas”. Isto é uma autêntica frase propagandística que não corresponde minimamente à verdade.

“Há uma frase, atribuída a Winston Churchill, que diz mais ou menos o seguinte: que “a democracia é o menos mau dos sistemas existentes” ou dos “sistemas conhecidos”. “Existentes” ou “conhecidos”, para o caso, aqui, pouco importa. O que é relevante é aquela formulação: “o menos mau”; ele não diz “o melhor”. O que acaba sendo uma forma de reconhecer que esse sistema não é bom.” Por Afonso dos Santos in a SAVANA

A Democracia convenceu-nos de que o método eleiçoeiro é a forma do povo se manifestar para escolher os melhores que o irão governar. Uma mentira e um paradoxo.

Mentira, porque independentemente de quem lá estiver a executar um programa de governo, este obedece tão cegamente às ordens do partido que nem se apercebe que é um pau mandado. Um exemplo, temos muitas vezes ouvido dizer que George W. Bush é o homem mais poderoso da Terra. Outra mentira, se não vejamos. É tão poderoso que daqui a uma dúzia de meses, vai levar um “pontapé no cu” e não conseguirá fazer nada para o impedir, nem accionar judicialmente quem lho dará.

Paradoxo, porque automaticamente quando um governo é dos melhores passa a designar-se por aristocracia, que é, exactamente, o que a Democracia mais odeia.

A Liberdade de Expressão da Democracia, a Propaganda, é dizer tudo nesta base “liberdade de expressão e ai de quem pense de maneira diferente”. No entanto, a Democracia fica muito incomodada quando se diz mal dela e sai-se logo com expressões: “se não fosse a Democracia não poderias falar assim, já valeu a pena a democracia”; “só em Democracia é que te podes exprimir dessa maneira” etc. etc. parvoíces. Todos sabemos, não vale a pena fazermos de conta que isso não existe, em Democracia há uma Censura. Qualquer pessoa incómoda é rotulada de nazi-fascista; qualquer opinião, contra corrente, é abafada e os seus autores admoestados. Mesmo a liberdade de imprensa não permite a publicação de determinados livros que o foram antes do 25 de Abril, não me estou a referir “À Minha Luta” de Adolfo Hitler que é um exemplo muito evidente, mas, por exemplo, aos “Os Protocolos dos Sábios de Sião” de autor desconhecido e ao, ainda mais secreto, “Complot conta a Igreja” de Maurice Pinay ou, ainda, a “Los verdaderos donos del mundo” de Gonzalez-Mata.

A Democracia foi implantada em Portugal pelas forças estrangeiras, que anos antes apoiavam as Ditaduras. Mais concretamente os EUA. Na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, estava fundeada no porto de Lisboa a Esquadra da Nato. Qualquer general percebeu quem estava por trás do Golpe. Não, não era o Zé Povinho, que este sozinho não vai a lado nenhum, era, pura e simplesmente, o Grupo de Bildelberger. Os agentes da CIA, nessa madrugada, não estavam cá, só para que os paraquedistas não actuassem, mas para uma missão ainda mais importante, a Propaganda. A sua missão era convencer o Zé Povinho de que a Revolução era “inevitável” e “irreversível.” E o mesmo tonto do Zé Povinho, sempre mais preocupado em se divertir do que com assuntos que ele deixa para quem sabe e zele por ele, aderiu, veio para o Largo do Carmo, ruas de Lisboa, etc, foi à festa, à diversão. No entanto, esquecera-se que ele mesmo, 15 dias antes, no Estádio Nacional (Jamor) fartou-se de bater palmas e dar vivas a Marcelo Caetano. (O Estádio Nacional é maior do que o Largo do Carmo). Aqui, poder-se-ia dizer que o Zé Povinho tem memória curta, mas não, aqui podemos confirmar isso mesmo.

Não pense o leitor que estou a quer dizer que o Zé Povinho é um tonto por causa da sua imensa ingenuidade, não, nada disso. Quero dizer que o Zé Povinho por causa das suas qualidades é levado facilmente pela Propaganda Democrática. Aliás, a Democracia só se mantém devido há existência da Propaganda. Esta quer-nos convencer a toda a força que o povo é quem manda, nada de mais falso. Até alguns dos actuais políticos, adeptos do 25 de Abril, gente bem intencionada e mais esperançados do que o Zé Povinho, foram ultrapassados pela própria Revolução que abraçaram, como António Arnault grão-mestre da maçonaria. Mesmo Mário Soares e Álvaro Cunhal, no último debate em que participaram frente-a-frente, Novembro de 1997, estavam em desacordo em tudo excepto numa coisa, que o primeiro Poder a nível mundial era a Alta Finança (plutocracia), seguido da Imprensa e depois pela Democracia. Então perante esta situação que papel tem o Zé Povinho? Nenhum, só o de assistente. Sóóóó? Sim, compra um bilhete de 4 em 4 anos para assistir ao espectáculo. Os actores, num acto de hipnose colectiva, convencem-no de que ele é o protagonista da peça. O Zé Povinho muito lisonjeado, volta a comprar outro bilhete, e andamos nesta ida à bilheteira e ao teatro há 32 anos.

Julgam que isto é brincadeira? Estão bem enganados. O custo do bilhete é caríssimo. O Zé Povinho é extorquido diariamente, durante a hipnose do espectáculo, como nenhuma vítima dos ladrões pré medievais o foi nas estradas do Antigo Império Romano. Ao Zé Povinho é-lhe retirada uma quantia brutal, equivalente a metade do seu trabalho anual (o PIB) esta vai para dez sacos azuis do empresário do Teatro. Destes sacos ele dá metade pelo aluguer da sala (gestão da dívida pública), dos que sobram, ele paga 3 aos actores e hipnotizadores (função pública e pensões) e os restantes 2 são para os cenários (obras públicas). Além do que lhe é extorquido na sala (dos impostos sobre o consumo e rendimento) é lhe extorquido por uma simples multa de trânsito, o que ele não ganha num mês. Se esta situação fosse antes de 25 de Abril, o que estes actores não diriam de quem lhes roubasse o suor, canseiras e o merecido fruto do seu trabalho?

O Poder não está em quem o executa, mas em quem o manda executar. O Governo não governa, desgoverna a mando de quem estabelece as tendências e Essas são estabelecidas no Guião feito nos bastidores do Teatro.


Entretanto, como o passar destes anos, o Zé Povinho foi ganhando com a idade uma capacidade, a do discernimento, e através dela já descobriu que afinal a Democracia não é a maravilha de Winston Churchill, mas um pesadelo horrível do qual deseja que acabe. Procura uma alternativa, que começa a vislumbrá-la: a democracia sem partidos políticos. Embora, os próprios políticos também já tenham dado conta da descoberta do Zé Povinho, e tudo irão fazer para impedir que este, se governe a si mesmo e sem intermediários.

Viva o 25 de Abril que nos trouxe a Democracia. Se ela não viesse nesse dia viria noutro, mas, talvez, com mortes à mistura, pois não teríamos a certeza que Marcelo Caetano cá estivesse para ser o maior colaboracionista com os revoltosos. Ganhamos alguma coisa nestes 32 anos, a de que a Democracia não é nenhum non plus ultra, e que podemos e devemos arranjar melhor, pois temos uma Democracia jovem, mas cansada, corrupta, viciada, impossibilitada de se auto - regenerar, incapaz de solucionar problemas e criando-os cada vez mais, e para cúmulo, falida.

Joaquim Filipe


Nota: Democracia com “D” maiúsculo significa algo bem definido, a nossa Democracia partidária.
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